Segundo o relatório da Abracopel, dos 295 acidentes elétricos registrados em residência no Brasil em 2024, 248 resultaram em morte
Seja em casa ou no trabalho, é preciso ter cuidado com o manuseio de equipamentos que possuem corrente elétrica. Segundo relatório de 2025 da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), de 2023 para 2024, os incidentes por choque elétrico saltaram de 986 para 1.077. Em tempo de chuvas, os riscos aumentam significativamente por causa da água e descargas atmosféricas.
Em resumo, a água facilita a condução da eletricidade e as descargas atmosféricas (raios) podem penetrar em sistemas elétricos e domésticos e causar falhas e choques indiretos. De acordo com Thiago Maia engenheiro de segurança do Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), entre os principais perigos, ele cita os choques elétricos causados pelo contato com fios desencapados, equipamentos molhados ou tomadas úmidas. “A infiltração de água nas instalações pode provocar curto-circuitos e até incêndios, especialmente quando há uso de ‘benjamins’ e extensões em locais inadequados”, explica.
As descargas atmosféricas também representam ameaça. “Raios podem atingir estruturas metálicas, antenas e postes. Além disso, o solo encharcado e os ventos fortes aumentam o risco de queda de árvores e postes, comprometendo a rede elétrica”, afirma. Em situações de enchentes e alagamentos, o perigo é ainda maior. “Existe o risco de afogamento e de água energizada por fios partidos, o que pode ser fatal.” Ele ainda alerta para acidentes físicos, como escorregões e quedas ao tentar salvar equipamentos ou mexer em quadros elétricos molhados.
Prevenção é fundamental
Thiago reforça que atitudes simples podem evitar acidentes. Em casa, a recomendação é evitar o uso de aparelhos elétricos com mãos ou pés molhados e manter tomadas, extensões e filtros de linha longe de áreas alagadas. “Não se deve realizar reparos elétricos durante tempestades”, orienta.
Ele também recomenda a instalação de Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS) e atenção a sinais de risco. “Em caso de infiltração, aquecimento ou cheiro de queimado, o indicado é desligar imediatamente o disjuntor.”
No ambiente de trabalho, a orientação é suspender atividades externas durante chuvas fortes, ventos ou incidência de raios. “Apenas profissionais autorizados devem atuar em instalações elétricas. Manutenção preventiva antes do período chuvoso é essencial, assim como nunca improvisar extensões ou conexões”, pontua. O uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como luvas isolantes e botas de borracha, também é indispensável.
Queda de energia e equipamentos
Em caso de queda de energia, a dúvida é comum: é preciso retirar os aparelhos da tomada? “O maior risco está nos picos de tensão quando a energia retorna. Por isso, é recomendado desconectar principalmente os equipamentos mais sensíveis, como TV, computador e modem”, esclarece. Segundo ele, dispositivos de proteção instalados por profissionais reduzem significativamente os danos.
Mitos e verdades
O engenheiro também chama atenção para informações equivocadas que circulam nesse período. “É mito que tênis de borracha protege contra raio. A descarga elétrica tem energia altíssima e o calçado não oferece essa proteção”, afirma.
Outro equívoco comum é acreditar que aparelhos desligados não sofrem danos. “Mesmo desligados, se estiverem conectados à tomada, podem ser afetados por surtos elétricos.” Ele alerta ainda para o uso de benjamins. “O ‘T’ sobrecarrega as tomadas e aumenta o risco de incêndio”.
Sobre veículos, Thiago esclarece: “O carro não é protegido pelos pneus. A proteção vem da estrutura metálica, conhecida como gaiola de Faraday”, reforça.
O que fazer em caso de acidente
Em situações de choque elétrico, a prioridade é agir com segurança. “A primeira ação deve ser desligar a energia no disjuntor geral. Nunca toque na vítima enquanto ela estiver em contato com a fonte elétrica”, orienta. Se for seguro, a vítima deve ser afastada com material isolante e seco, como madeira ou plástico.
O acionamento imediato do SAMU (192) ou do Corpo de Bombeiros (193) é fundamental. “A Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) só deve ser iniciada por quem tem treinamento adequado.” No ambiente de trabalho, o protocolo inclui seguir o Plano de Emergência interno e acionar a brigada de incêndio ou a equipe de segurança.
Ao final, o engenheiro reforça a importância da prevenção. “A segurança é um valor inegociável. Em dias de chuva, a prudência deve prevalecer: prevenir é sempre melhor que remediar. Em caso de dúvida, interrompa a atividade e comunique imediatamente seu gestor e o SESMT.”






