A Confederação Nacional de Serviços (CNS) divulgou hoje análise técnica sobre os dados do Novo Caged e da PNAD Contínua referentes ao mês de agosto de 2026. O estudo, elaborado pela Assessoria Econômica da entidade, confirma que o setor de serviços permanece como o principal motor da criação de empregos formais no país, respondendo por 110.346 vagas, o equivalente a 67% de todos os postos gerados no mês.
Segundo a CNS, os números reforçam a resiliência do mercado de trabalho brasileiro, mesmo em um ambiente de atividade moderada e condições monetárias mais restritivas. A taxa de desemprego medida pela PNAD Contínua atingiu 5,3%, uma das menores da série histórica, enquanto a população ocupada alcançou 103,5 milhões de pessoas, recorde nacional.
“Os dados mostram que a economia segue absorvendo trabalhadores, e que os serviços continuam sendo o principal canal de geração de emprego formal no país”, afirma Carlos Eduardo Oliveira Jr., assessor econômico da CNS.
Serviços puxam o emprego em atividades essenciais e de alta qualificação
Entre os grupamentos de atividades, destacaram-se:
- Administração pública – 46.329 vagas
- Informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas – 26.933 vagas
- Transporte, armazenagem e correio – 16.819 vagas
- Alojamento e alimentação – 11.730 vagas
- Outros serviços – 8.544 vagas
A CNS ressalta que a expansão em educação, saúde, logística e serviços profissionais reflete demanda contínua por serviços essenciais, além do avanço da digitalização e da economia do conhecimento.
Salários do setor de serviços superam a média nacional
O salário médio de admissão no setor de serviços foi de R$ 2.493,20, acima da média nacional (R$ 2.410,74). Os subsetores com maiores remunerações foram:
- Administração pública, educação, saúde e serviços sociais – R$ 2.656,68
- Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas – R$ 2.583,09
- Transporte, armazenagem e correio – R$ 2.492,09
Para a CNS, isso demonstra que parcela relevante da geração de empregos está concentrada em atividades com maior qualificação e remuneração.
Impactos econômicos positivos
A análise da CNS aponta efeitos diretos sobre a economia:
1. Sustentação do consumo das famílias
Com mais trabalhadores empregados e salários acima da média, cresce a massa de renda, impulsionando comércio, turismo, transporte e serviços voltados ao mercado interno.
2. Resiliência diante dos juros elevados
Mesmo com política monetária restritiva, serviços essenciais e empresariais mantêm demanda relativamente estável, amortecendo a desaceleração de setores dependentes de crédito.
3. Fortalecimento da arrecadação
A expansão do emprego formal amplia receitas tributárias e previdenciárias, beneficiando União, estados e municípios.
4. Avanço da economia digital
O crescimento de segmentos ligados à informação, comunicação e serviços profissionais reforça a transição para uma economia mais intensiva em conhecimento e produtividade.
Cautela e desafios
A CNS destaca que, embora o desempenho seja positivo, o ritmo de crescimento do emprego formal é mais moderado que em 2025. Além disso, a informalidade elevada — inclusive em atividades mediadas por plataformas — limita ganhos de proteção social e produtividade.
“O desafio não é apenas criar empregos, mas melhorar sua qualidade. Qualificação, formalização e inclusão digital serão fundamentais para transformar a expansão do emprego em ganhos sustentáveis de renda e bem-estar”, afirma Oliveira Jr.
Perspectivas para 2026
A entidade avalia que o setor de serviços continuará sendo o principal suporte da geração de empregos no curto prazo, condicionado ao consumo das famílias, às condições de crédito e ao ritmo da atividade econômica.





