Inovação científica desenvolvida por pesquisadores brasileiros propõe método mais eficiente para recuperar e reutilizar óleo residual
Sophia Araújo – AGIR/UFRN
Fotos: Cícero Oliveira – Agecom/UFRN
A busca por soluções mais sustentáveis para a indústria de petróleo e gás tem impulsionado pesquisas voltadas ao reaproveitamento de resíduos gerados durante a exploração. Nesse contexto, um grupo de pesquisadores desenvolveu um método inovador para recuperar óleo residual presente em resíduos de perfuração à base de olefina, transformando um passivo ambiental em um recurso com potencial de reutilização.
O processo, intitulado Método de Recuperação de Óleo Residual a partir de Resíduos de Perfuração à Base de Olefina, consiste em um sistema físico-químico integrado capaz de separar, de forma eficiente, a fase oleosa presente nos resíduos gerados durante a perfuração de poços de petróleo.
A tecnologia utiliza tensoativos não iônicos etoxilados em concentrações micelares adequadas, combinados com etapas controladas de aquecimento e centrifugação. Essa combinação promove a desestabilização das emulsões presentes nos resíduos de perfuração, permitindo a separação do óleo de maneira mais eficiente.
Segundo o pesquisador Alcides de Oliveira Wanderley Neto, um dos responsáveis pela orientação científica do trabalho, o método surge como uma alternativa promissora para o tratamento desses materiais. “A proposta é recuperar o óleo sintético presente nos resíduos de perfuração de forma técnica, economicamente viável e ambientalmente mais segura”, explica.
Durante o desenvolvimento da pesquisa, os cientistas observaram que a tecnologia apresenta elevada eficiência na separação da fase oleosa, superando métodos físicos ou químicos convencionais utilizados no tratamento desses resíduos. Além disso, outro diferencial do processo é a simplicidade operacional. O preparo das misturas pode ser realizado com agitação mecânica convencional, sem a necessidade de equipamentos especializados ou aditivos de alto custo, o que pode facilitar sua aplicação em ambientes industriais.

A pesquisadora Aeryslânnia Moreira da Nóbrega, que teve participação central na concepção físico-química do método, destaca que a tecnologia também apresenta vantagens ambientais. “O processo dispensa o uso de solventes orgânicos tóxicos ou inflamáveis, o que reduz riscos operacionais e impactos ambientais associados ao tratamento dos resíduos”, afirma.
Impacto econômico
Na prática, a aplicação da tecnologia é voltada principalmente para o setor industrial de petróleo e gás. O método pode ser utilizado tanto em plataformas offshore quanto em instalações terrestres, onde são gerados grandes volumes de cascalhos de perfuração contendo fluidos oleosos.
Outra possibilidade de uso está nas Unidades de Tratamento de Resíduos Industriais (UTRIs), onde a tecnologia pode contribuir para a recuperação de óleo de alto valor agregado e para a redução do volume de resíduos destinados à disposição final.
De acordo com o pesquisador Murilo Miguel Alencar Guerra, responsável pela condução experimental do estudo, o desenvolvimento do método também possui forte impacto econômico. “Estamos trabalhando com a ideia de transformar resíduos que seriam descartados em um material que pode voltar a ter valor dentro da cadeia produtiva”, ressalta.
Escala laboratorial

Atualmente, a tecnologia encontra-se no estágio de prova de conceito em escala laboratorial, com validação obtida por meio de ensaios controlados que permitiram determinar as condições ideais de temperatura, concentração de tensoativos e velocidade de centrifugação.
A pesquisa contou com a participação dos inventores Murilo Miguel Alencar Guerra, Janiele Alves Eugênio Ribeiro Galvão, Aeryslânnia Moreira da Nóbrega, Vanessa Cristina Santanna, Dennys Correia da Silva, Lucas Silva Pereira Sátiro, Alcides de Oliveira Wanderley Neto, Marcos Allyson Felipe Rodrigues e Edney Rafael Viana Pinheiro Galvão, reunindo contribuições complementares que envolveram desde a concepção do método até a validação experimental e a organização da comunicação científica.
Como próximos passos, o grupo pretende avançar na otimização e no escalonamento da tecnologia, avaliando seu desempenho em volumes maiores e em condições operacionais mais próximas da realidade industrial. A expectativa é que, no futuro, o método possa ser aplicado em campo, contribuindo para práticas mais sustentáveis na gestão de resíduos da indústria do petróleo. LEIA NO PORTAL UFRN






