Pólipos intestinais podem não representar risco à saúde, mas merecem atenção

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Foto: Freepik

Maioria das lesões é benigna, mas rastreamento e remoção são fundamentais para prevenir o câncer colorretal.

Os pólipos intestinais são considerados alterações comuns, que afetam entre 15% e 20% da população, segundo a Sociedade Paranaense de Coloproctologia (SPCP). Embora a maioria dos casos seja de lesões benignas, há risco de que se tornem malignas com o passar do tempo, exigindo uma atenção especial.

A detecção precoce e a remoção desses crescimentos são consideradas estratégias decisivas na prevenção do câncer colorretal, o terceiro tipo de tumor mais incidente no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, com cerca de 40 mil novos casos diagnosticados anualmente.

A SPCP explica que essas lesões podem surgir em qualquer parte do intestino grosso, com formatos variados: algumas são planas e baixas, enquanto outras se assemelham a cogumelos. Inicialmente pequenas, costumam se desenvolver de forma lenta, mas podem evoluir para um tipo de câncer conhecido como adenocarcinoma se não forem tratadas.

Segundo o patologista Felipe D’Almeida Costa, diretor de Ensino da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), cerca de 90% das incidências de câncer colorretal têm origem em pólipos que sofreram alterações ao longo dos anos. “Na maioria dos casos, o crescimento é lento, levando em torno de dez anos para evoluir para câncer”, acrescenta.

A colonoscopia é apontada como o principal método de rastreio. A Rede D’Or explica que o exame é realizado com um tubo fino e flexível com uma microcâmera na ponta, permitindo registrar imagens do interior do intestino e, quando necessário, coletar amostras de tecido para análise.

Para garantir a eficiência do procedimento, é necessário realizar o preparo da colonoscopia, que inclui o uso de laxativos e dieta líquida no dia anterior, com o objetivo de limpar o intestino e facilitar a avaliação médica.

A recomendação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) é que pacientes sem fatores de risco comecem a fazer colonoscopias aos 45 anos, repetindo o exame a cada dez anos se os resultados forem normais. Já para aqueles que têm histórico familiar, associado a maior probabilidade de desenvolver o tumor, a triagem deve começar aos 40 anos ou dez anos antes da idade em que o parente mais jovem recebeu o diagnóstico.

Em caso de suspeita de tumor maligno, pode-se recorrer ao exame de PET-CT, uma investigação por imagem usada para detecção e monitoramento de câncer em alta precisão. Este exame é capaz de diferenciar tumores benignos de malignos.

O estilo de vida também influencia nas chances de formação de pólipos. Dieta rica em gordura e pobre em fibras, sedentarismo, consumo excessivo de álcool, obesidade e doenças inflamatórias intestinais, como colite ulcerativa e doença de Crohn, estão entre os fatores que contribuem para o desenvolvimento dessas lesões, destaca a Rede D’Or. 

É preciso fazer cirurgia para a remoção dos pólipos?

Uma dúvida que pode afligir os pacientes diz respeito à necessidade de realizar cirurgias urgentes ao encontrar um pólipo no intestino. A maior parte dos pólipos é removida durante a colonoscopia, por meio da polipectomia endoscópica. Nesse procedimento, um endoscópio flexível é utilizado para visualizar o pólipo, a ser removido com uma alça de arame ou laço, geralmente com corrente elétrica, de forma minimamente invasiva. 

Já a cirurgia é reservada para raras situações, como quando o pólipo tem grandes dimensões, está localizado em área de difícil acesso ou apresenta sinais de transformação maligna para um câncer.

Conforme reforça a SPCP, os avanços nos equipamentos e técnicas de colonoscopia tornaram o procedimento mais eficiente e seguro, produzindo imagens de ótima qualidade e substituindo a necessidade de cirurgia na maioria dos casos. No entanto, sempre que há impossibilidade técnica de remoção endoscópica, a cirurgia ainda é indicada como forma de tratamento.

Os pólipos podem voltar?

Mesmo após a retirada total do pólipo, ainda existe a possibilidade de recorrência, apesar de não ser comum. Além disso, novos pólipos podem surgir em outras partes do intestino, situação que ocorre em cerca de 30% dos casos, de acordo com a SPCP.

Por isso, o acompanhamento periódico é indispensável. O intervalo entre as colonoscopias é determinado pelo médico, com base nos resultados do exame anterior e no risco individual do paciente. Quando o risco é considerado elevado, os exames devem ser realizados com maior frequência.

O rastreamento contínuo também é apontado pela Rede D’Or como a principal estratégia para salvar vidas, levando em conta que pólipos geralmente não causam sintomas. Quando presentes, os sinais podem incluir sangramento, muco nas fezes, alterações no funcionamento intestinal e dores abdominais. Ao notar qualquer alteração no funcionamento intestinal, é fundamental buscar orientação médica.

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