Entenda como diferentes culturas, mitos e transformações sociais ajudaram a consolidar costumes e símbolos presentes na celebração atual
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Hoje, é muito difícil imaginar a Páscoa sem a reunião familiar para trocar ovos de chocolate. Entretanto, essa ligação entre a data e o doce é relativamente recente na história. Muito antes da construção desse símbolo, tradições pagãs e festas religiosas já faziam parte das celebrações.
Na ideia religiosa, acredita-se que, por volta do século XIII a.C., o povo hebreu foi liberto pelos egípcios depois de muitos anos de escravidão. Essa ocasião trouxe esperança para o povo e passou a ser celebrada todos os anos.
Já na origem pagã, a Páscoa tem como principal comemoração o fim do inverno e a chegada da primavera, uma estação repleta de frutos, flores e esperança de colheita e fartura.
O simbolismo do ovo na celebração Pascal
Mas e os ovos? Não existe uma crença ou um relato que seja totalmente confirmado pelos historiadores. Entretanto, é possível encontrar lendas e histórias que se vinculam ao que se acredita nos dias atuais.
Uma delas é a lenda germânica da Deusa Ostara (Eostre), uma divindade que simboliza a primavera e a fertilidade. Nessa hipótese, a Deusa transforma um pássaro machucado em lebre para que ele possa sobreviver ao clima frio. Para agradecer, o animal passa a botar ovos coloridos.
Com isso, as antigas civilizações do Hemisfério Norte passaram a oferecer ovos, como símbolo de renovação e agradecimento pela chegada da primavera, em homenagem a essa Deusa.
Existem relatos ainda que mostram que a troca de ovos era comum durante a Era Antiga. Por ser um símbolo de vida, as pessoas cozinhavam o alimento, decoravam e davam de presente para os entes queridos.
Ao longo dos anos e com o crescimento da igreja católica, diversas datas comemorativas começaram a ganhar novos significados. A Páscoa, que já tinha o símbolo de renascimento, foi uma delas.
Por ser próxima ao que se acredita ser a ressurreição de Cristo, religiosos transformaram o dia em uma celebração ainda mais importante e comemorada pela igreja.
Para eles, o simbolismo dos ovos de Páscoa tem origem há muitos anos, quando, na Quaresma, além da proibição do consumo de carnes, também era proibido comer ovos.
Com isso, as famílias que tinham galinhas em casa passaram a armazenar muitos ovos. Com a chegada da Páscoa e o fim das restrições, esse alimento passou a ser muito consumido na data.
Quando o chocolate entrou na tradição
Mesmo com os ovos já sendo um costume de presente e símbolo de renovação e renascimento, a tradição do chocolate ainda não estava presente na data. Relatos históricos estimam que foi apenas no século XIX que esse costume passou a fazer parte da celebração pascal.
A ideia surgiu na França, quando comerciantes de doces locais passaram a retirar o interior dos ovos de galinha e colocar chocolates dentro. Já a popularização do costume veio por diversos fatores.
Acredita-se que um deles foi obra dos comerciantes de chocolate, que passaram a colocar cada vez mais em prática essa ideia, criando diversos estilos e possibilidades para os ovos de Páscoa.
Além disso, na tradição cristã, a Igreja Católica começou a permitir o consumo de ovos durante a Quaresma. Com isso, a fartura do alimento na Páscoa não era mais uma realidade. Isso fez com que, para manter viva a tradição, os cristãos passassem a adotar a ideia do chocolate como uma alternativa para celebrar a data.
Depois da popularização, a indústria alimentícia passou a adaptar a tradição para diferentes públicos, incluindo versões temáticas como o ovo de Páscoa infantil, que combina chocolate com brinquedos e personagens para tornar a celebração ainda mais atrativa para as crianças.






