O Dia dos Pais costuma ser marcado por homenagens, encontros em família e demonstrações de carinho. É uma data que celebra a presença, o cuidado e a responsabilidade de quem, em muitos momentos da vida, colocou as necessidades dos filhos acima das próprias. Mas existe uma pergunta que merece espaço nessa reflexão: quem cuida da saúde de quem sempre cuidou de todos?
Durante muito tempo, o papel do pai foi associado quase exclusivamente ao trabalho e à responsabilidade de prover a família. Crescemos ouvindo que um bom pai precisava ser forte, resistente e capaz de enfrentar qualquer dificuldade. Em muitos casos, essa ideia acabou criando uma consequência silenciosa: homens passaram a acreditar que cuidar da própria saúde era algo secundário, ou até um sinal de fragilidade.
Os números mostram que essa cultura ainda produz impactos importantes. Segundo o Ministério da Saúde, os homens brasileiros vivem, em média, cerca de sete anos menos do que as mulheres e procuram os serviços de saúde com menor frequência, principalmente na atenção primária. É comum que muitos só busquem atendimento quando os sintomas já interferem na rotina ou quando a doença está em estágio mais avançado. Essa realidade contribui para o diagnóstico tardio de doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão e alguns tipos de câncer, que poderiam ter melhores resultados quando identificados precocemente.
Ao mesmo tempo, existe um dado que considero especialmente interessante. O próprio Ministério da Saúde identifica a paternidade como uma oportunidade para aproximar os homens dos serviços de saúde. A participação no pré-natal, por exemplo, aumenta o contato com ações preventivas e incentiva muitos pais a iniciarem um acompanhamento regular da própria saúde. Em outras palavras, o nascimento de um filho pode representar também o nascimento de um novo olhar sobre o autocuidado.
Essa mudança de comportamento faz sentido. A paternidade transforma prioridades. Passamos a pensar no futuro, no exemplo que deixaremos e no tempo que desejamos compartilhar com nossos filhos. E talvez seja justamente nesse momento que muitos homens percebem que cuidar da própria saúde não é um gesto individual. É uma forma de cuidar da própria família.
Na odontologia, essa reflexão também é extremamente importante. A saúde bucal não deve ser vista apenas como uma questão estética. Alterações na boca podem estar associadas a doenças sistêmicas, processos inflamatórios e condições que afetam a saúde como um todo. Consultas periódicas ao dentista fazem parte da prevenção da mesma forma que exames médicos, controle da pressão arterial ou acompanhamento dos níveis de glicemia.
Como empresário, aprendi que prevenção sempre custa menos do que remediar um problema quando ele já compromete a operação. Na saúde, essa lógica é ainda mais verdadeira. Pequenas atitudes repetidas ao longo dos anos costumam produzir resultados muito maiores do que grandes intervenções realizadas quando a doença já está instalada.
Talvez seja hora de ampliarmos o significado da palavra “provedor”. Prover não é apenas garantir segurança financeira ou oferecer oportunidades aos filhos. É fazer escolhas que aumentem as chances de continuar presente nos aniversários, nas conquistas, nas dificuldades e nos momentos que realmente importam.
Paulo Zahr – CEO da OdontoCompany





