O erro de esperar a glicose subir: a importância de identificar a perda de eficiência metabólica

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Sinais como fadiga após as refeições, compulsão por doces e acúmulo de gordura abdominal costumam indicar uma resistência à insulina que o organismo tenta compensar anos antes do diagnóstico final

O número de adultos brasileiros com diabetes passou de 5,5% para 12,9% entre 2006 e 2024, segundo o Vigitel 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde em janeiro de 2026. No mesmo período, a obesidade cresceu 118% e o excesso de peso avançou 47%. Para o médico, professor e pesquisador Alexandre Duarte, referência em fisiologia metabólica e hormonal e fundador do  Instituto Avantgarde, esses dados mostram que parte da população chega ao diagnóstico quando o metabolismo já emitiu sinais por anos.

Um dos pontos centrais desse processo é a resistência à insulina, condição em que as células passam a responder pior à ação do hormônio responsável por ajudar a glicose a entrar nos tecidos e ser usada como energia. Na prática, o organismo precisa produzir mais insulina para manter a glicose aparentemente normal. Por isso, uma pessoa pode não ter diabetes diagnosticado e, ainda assim, conviver com alterações metabólicas associadas a fadiga, fome frequente, acúmulo de gordura abdominal, inflamação e maior risco cardiovascular.

“O erro é esperar a glicose subir para começar a investigar o metabolismo. Muitas vezes, quando a glicemia aparece alterada, o corpo já passou anos compensando uma resistência à insulina que não foi observada”, afirma Alexandre.

Segundo a Federação Internacional de Diabetes, o Brasil tinha 16,6 milhões de adultos de 20 a 79 anos com diabetes em 2024 e está entre os dez países com maior número de casos no mundo. A entidade projeta que esse total pode chegar a 24 milhões em 2050. Embora a resistência à insulina não seja medida em inquéritos populacionais da mesma forma que o diabetes, ela é reconhecida como um mecanismo importante na trajetória de doenças metabólicas, especialmente no diabetes tipo 2.

O que confunde pacientes

A resistência à insulina costuma avançar sem sintomas específicos. Cansaço após refeições, sonolência, dificuldade para perder gordura, fome pouco tempo depois de comer, vontade frequente de doces, alteração de triglicerídeos, queda do HDL, aumento da circunferência abdominal e pressão arterial elevada podem aparecer antes de um diagnóstico fechado. Isoladamente, esses sinais não confirmam a condição, mas indicam que a investigação deve ir além da balança e da glicose de jejum.

“Uma pessoa pode estar com o peso considerado aceitável, treinar algumas vezes por semana e ainda assim ter um metabolismo pouco eficiente. O corpo não funciona por aparência. Ele funciona por sinais bioquímicos, hormonais e inflamatórios que precisam ser interpretados em conjunto”, diz Alexandre.

Para o médico, um dos equívocos mais comuns é tratar ganho de peso, fadiga e compulsão alimentar como problemas separados. Em muitos casos, segundo ele, esses sintomas participam da mesma rede fisiológica. Quando o organismo passa a depender de níveis mais altos de insulina para executar funções básicas, a regulação da fome, da energia e do estoque de gordura tende a ser afetada.

A discussão também alcança pessoas que buscam emagrecimento rápido. Medicamentos, dietas restritivas e protocolos sem acompanhamento podem reduzir peso em curto prazo, mas não necessariamente corrigem a base metabólica do problema. “Perder peso pode ser importante, mas não é o único marcador de recuperação. O paciente pode emagrecer e continuar inflamado, cansado, com baixa massa muscular e exames que mostram risco futuro”, afirma.

Prevenção começa antes do diagnóstico

A Sociedade Brasileira de Diabetes define o diabetes tipo 2 como uma condição em que o organismo não consegue usar adequadamente a insulina que produz ou não produz quantidade suficiente para controlar a glicemia. Antes desse ponto, porém, há uma janela de prevenção que costuma ser pouco explorada na rotina clínica, especialmente quando os exames tradicionais ainda estão dentro dos valores de referência.

Essa avaliação pode incluir histórico familiar, composição corporal, circunferência abdominal, pressão arterial, perfil lipídico, glicemia, hemoglobina glicada, insulina, marcadores inflamatórios e hábitos de sono, alimentação e atividade física. A recomendação não é transformar sintomas vagos em diagnóstico, mas identificar padrões de risco antes que eles se convertam em doença crônica.

“O metabolismo não quebra de uma hora para outra. Ele perde eficiência aos poucos. A medicina precisa olhar para esse período intermediário, quando ainda há tempo de mudar a rota com mais precisão”, diz Duarte.

Além do impacto individual, a resistência à insulina ajuda a explicar um problema mais amplo de saúde pública. Fadiga, queda de energia, alterações de sono e piora da composição corporal afetam rotina, produtividade, relações familiares e custos assistenciais. O tema também pressiona empresas, planos de saúde e sistemas públicos, que costumam arcar com as consequências quando a prevenção falha.

Segundo o médico, o debate sobre saúde metabólica precisa deixar de ser restrito ao diabetes. “A pergunta não deve ser apenas se a pessoa já está doente. A pergunta é o que o corpo está tentando compensar antes de adoecer. É nessa fase que a prevenção tem mais força”, afirma.

Sobre Alexandre Duarte

Dr. Alexandre Duarte é médico, professor e palestrante, referência em fisiologia metabólica e hormonal no Brasil. Graduado em Medicina pela Universidade Regional de Blumenau (FURB), aprofundou sua formação durante 12 anos nos Estados Unidos, onde concluiu o Fellowship in Metabolic and Nutritional Medicine pela MMI/USA.

Fundador do Grupo Avantgarde, Alexandre Duarte acumula mais de duas décadas de atuação clínica e acadêmica. Ao longo de sua trajetória, contribuiu para a recuperação da saúde de aproximadamente 20 mil pacientes e para a formação de mais de 3 mil médicos em áreas ligadas à fisiologia metabólica, modulação hormonal e medicina personalizada. 

Defensor da chamada medicina da saúde, baseada na investigação das causas dos desequilíbrios metabólicos e hormonais, atua na difusão de uma abordagem voltada à prevenção, personalização do tratamento e reversão de doenças crônicas associadas ao metabolismo, consolidando-se como uma das principais vozes do segmento no país.

Para mais informações, acesse: siteInstagramlinkedin ou pelo youtube.

Sobre o Instituto Avantgarde 

Fundado em 2007 pelo Dr. Alexandre Duarte, o Instituto Avantgarde é referência em medicina metabólica e hormonal, com unidades em São Paulo e Florianópolis. A instituição nasceu a partir da busca por uma abordagem que investigasse as causas dos desequilíbrios metabólicos e hormonais, indo além do tratamento isolado dos sintomas e priorizando a prevenção, a personalização do cuidado e a recuperação da saúde.

Integrante do Grupo Avantgarde, o instituto atua ao lado da Avantgarde College, escola de capacitação médica com cursos reconhecidos pelo MEC, e de outras iniciativas voltadas à saúde, longevidade e bem-estar. Ao longo de sua trajetória, o grupo já contribuiu para a recuperação da saúde de aproximadamente 40 mil pacientes e para a formação de mais de 3 mil médicos em áreas como fisiologia metabólica, modulação hormonal e medicina personalizada.

Com uma equipe multidisciplinar e uma abordagem baseada em ciência, investigação clínica e acompanhamento individualizado, o Instituto Avantgarde consolidou-se como um dos principais centros brasileiros dedicados ao tratamento das doenças metabólicas e hormonais, promovendo um modelo de medicina voltado à identificação das causas dos problemas de saúde e à construção de resultados sustentáveis para os pacientes.

Para mais informações, acesse : instagram, sitelinkedin instituto e linkedin college.

Fontes de pesquisa

Ministério da Saúde / Vigitel 2025
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2026/janeiro/diabetes-cresce-135-no-brasil-em-18-anos-hipertensao-e-obesidade-tambem-avancam-saude-lanca-viva-mais-brasil-com-r-340-mi-para-a-promocao-da-saude

IDF Diabetes Atlas 2025 – Brasil
https://diabetesatlas.org/data-by-location/country/brazil/

Sociedade Brasileira de Diabetes
https://diabetes.org.br/

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