Alergias podem transformar situações comuns da infância, como festas de aniversário, refeições na escola, passeios e viagens, em momentos de preocupação para a família. Mas o diagnóstico de uma alergia não precisa significar uma infância limitada.
Segundo o alergista e imunologista Dr. Marcio Barros, o tratamento deve ir além do controle dos sintomas: é preciso entender o que realmente representa risco e construir estratégias para que a criança possa participar da rotina com segurança.
“O diagnóstico de uma alergia não deve ser o ponto final da infância. Nosso papel é entender exatamente o que a criança tem, quais são os riscos reais e construir estratégias para que ela possa viver com segurança e liberdade”, explica o Dr. Marcio Barros.
Onde a alergia pode impactar a infância
- Alergia alimentar: restrições alimentares precisam ser individualizadas para evitar tanto exposições de risco quanto a retirada desnecessária de alimentos da rotina;
- Alergias respiratórias: rinite, asma e conjuntivite podem interferir no sono, na disposição, nas atividades físicas e na participação da criança em sua rotina;
- Doenças alérgicas da pele: quadros como dermatite atópica podem causar coceira e desconforto, afetando o sono, as brincadeiras e o bem-estar da criança.
“A criança não é apenas o diagnóstico. Ela quer brincar, ir à escola, participar de uma festa, viajar e estar com os amigos. O tratamento precisa considerar essa vida real e ajudar a família a preservar essas experiências”, destaca o especialista.
Como preservar a qualidade de vida
- Ter um diagnóstico preciso e entender quais são os gatilhos e os riscos reais, evitando restrições baseadas apenas em suspeitas ou medo;
- Criar um plano de ação claro para pais, escola, familiares e outros cuidadores, com orientações sobre prevenção e o que fazer diante de uma reação;
- Preparar a criança, de acordo com a idade, para participar das decisões e reconhecer situações que exigem cuidado, sem transformar a alergia em motivo de isolamento;
- Planejar festas, viagens e refeições fora de casa com antecedência, para que a criança possa participar das experiências da infância com segurança;
- Manter acompanhamento médico para revisar o diagnóstico e o tratamento sempre que necessário, inclusive quando houver possibilidade de ampliar a alimentação ou reduzir o impacto da doença na rotina.
“Cuidar de uma criança alérgica não significa colocá-la dentro de uma bolha. Significa preparar a família, a escola e, conforme a idade, a própria criança para reconhecer os riscos e saber como agir”, afirma o Dr. Marcio Barros.
Quando procurar o alergista
A avaliação especializada é importante quando a criança apresentar:
- Reações repetidas ou suspeitas de alergia após consumir determinados alimentos ou medicamentos;
- Sintomas respiratórios recorrentes, como chiado, falta de ar, tosse ou rinite que interferem no sono e nas atividades;
- Dermatite, urticária ou coceira persistente que afetam o bem-estar e a rotina da criança;
- Restrições alimentares importantes, medo constante de reações ou dificuldade para participar de situações sociais por causa da alergia.
“O objetivo do tratamento não é simplesmente retirar alimentos ou atividades da vida da criança. É buscar o máximo de segurança e liberdade possível, para que ela tenha uma qualidade de vida próxima à de uma criança sem alergia”, conclui o especialista.
Fonte:
Dr. Márcio Barros
Mais informações:
Pediatra, alergista e imunologista, com atuação especializada em alergias infantis. É professor colaborador da Faculdade de Medicina de Jundiaí e médico voluntário do Hospital das Clínicas da FMUSP, onde integra os ambulatórios de Alergia Alimentar, Esofagite Eosinofílica e Dermatite Atópica. Desenvolve seu trabalho com foco em alergias respiratórias e alimentares, asma, dermatite atópica e imunoterapia.





