Especialistas defendem uso de plataformas de vendas integradas e processo de checkout simplificado em meio ao cenário competitivo
O mercado de eventos corporativos vive um momento de expansão no Brasil. Dados do painel DataEventos mostram que o número de propostas cresceu 38,31% entre 2024 e 2025, enquanto os eventos realizados aumentaram 19,98% no período. Em contrapartida, a taxa média de conversão caiu de 66,22% para 57,45%, movimento atribuído ao aumento da competitividade no setor.
Em um cenário de maior disputa pela atenção do público, organizar um evento deixou de ser apenas uma questão de programação e infraestrutura. Ainda que haja investimentos em divulgação, experiência e palestrantes, boa parte desse esforço pode ser comprometido ainda na etapa de inscrição e venda de ingressos. Processos lentos, excesso de informações solicitadas ou dificuldades de pagamento aumentam as chances de desistência, como explicam especialistas da área.
Para o líder de marketing da Digital Manager Guru, Josué Duarte, uma boa plataforma de vendas melhora a gestão das inscrições quando passa a conectar toda a jornada do participante: campanha, checkout, pagamento, confirmação, emissão do ingresso, dados do participante e credenciamento.
“O erro é olhar para ela apenas como um canal de venda de ingressos. A melhor plataforma de vendas online é aquela que ajuda o evento a vender melhor, medir melhor e operar com menos risco”, afirma.
De acordo com Duarte, desta forma é possível reduzir tarefas manuais, evitar planilhas paralelas e oferecer maior clareza para o organizador entender o que está funcionando. O executivo explica que essa dinâmica é fundamental em eventos, já que as vendas costumam ocorrer em momentos de maior concentração de demanda, como viradas de lote, campanhas de última hora, ações com parceiros e negociações corporativas.
Checkout simplificado reduz abandono da compra
O ponto mais sensível para aumentar as conversões, segundo Duarte, é reduzir os obstáculos entre a decisão de participar e a conclusão da compra. Para isso, é preciso oferecer um checkout rápido, adaptado aos dispositivos móveis, com campos objetivos, meios de pagamento adequados e opções que permitam comercializar combos, mesas, áreas VIP e workshops sem que o participante precise reiniciar o processo de compra.
“O checkout é um dos momentos mais subestimados na experiência de um evento. O participante já decidiu que quer estar ali. Se ele desiste nesta etapa, normalmente não é por falta de interesse, mas por fricção: muitos campos, pouca confiança, página lenta, método de pagamento limitado, erro no formulário ou uma experiência que parece desconectada da marca do evento. Ao surgirem dúvidas ou esforço desnecessário, a inscrição esfria”, alerta.
A importância de otimizar as plataformas de checkout também é reforçada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que afirma que reduzir o número de etapas até a conclusão da compra tende a favorecer a conversão. Segundo a instituição, um em cada cinco compradores abandona a compra devido a um processo de pagamento muito longo ou complicado.
O Sebrae recomenda que todos os custos envolvidos na compra sejam apresentados de forma clara, incluindo taxas e despesas adicionais. Outro ponto destacado é a segurança do ambiente de pagamento, já que transmitir confiança durante a inserção de dados pessoais e financeiros tende a aumentar as chances de conclusão da inscrição.
Duarte acrescenta que a redução de atritos também depende de fatores como estabilidade em momentos de pico de acessos, personalização da experiência, domínio próprio, integração com pixels e automações e a entrega correta do ingresso após a compra.
“A experiência do participante começa antes dele chegar ao evento. Se a compra é confusa, o ingresso não chega direito ou o credenciamento depende de planilha, a percepção de profissionalismo já foi comprometida. O checkout é o primeiro teste de confiança da experiência que o organizador prometeu entregar”, afirma.
Conexões contínuas e comprovação de resultados são diferenciais
De acordo com o líder de Eventos da Digital Manager Guru, Renato Chamasquini, o que diferencia os eventos que realmente lotam e atraem grandes marcas é a capacidade de gerar comunidade e provar o retorno sobre o investimento (ROI), de forma cirúrgica. Na avaliação do executivo, um evento de sucesso não é mais um acontecimento isolado de dois dias; ele precisa funcionar como um canal de conexões contínuas.
Para ele, a tecnologia é o motor que viabiliza alcançar esse objetivo em duas frentes. A primeira está relacionada à atração de participantes, por meio do uso de inteligência de dados e sistemas de relacionamento (CRM) para construir jornadas mais personalizadas.
“Em vez de disparar a mesma comunicação genérica para todo mundo, você entrega conteúdos, trilhas de conhecimento e sugestões de networking para o perfil de cada um. O participante se engaja porque sente que o evento foi desenhado sob medida para ele”, explica.
A segunda frente apontada é a atração de patrocinadores. Chamasquini afirma que o mercado deixou de enxergar o patrocínio apenas como exposição de marca em banners ou crachás. Hoje, os patrocinadores buscam informações concretas e inteligência comercial para mensurar resultados.
“O uso de ferramentas de lead retrieval (na qual o expositor escaneia e qualifica o contato pelo aplicativo), mapas de calor para entender o fluxo do público e relatórios detalhados de engajamento pós-evento transformam o patrocínio em um investimento de aquisição de clientes previsível. Se você consegue provar o retorno com dados sólidos na mesa, o patrocinador compra a cota de olhos fechados no ano seguinte”, conclui.





