“Lucífugo” coloca o leitor dentro da mente do monstro em nova obra de Oscar Nestarez

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Em novo romance, Oscar reflete sobre o mal, a violência de gênero e a natureza sombria da humanidade

“O mal é o verdadeiro tema da literatura”, escreveu Georges Bataille e é exatamente nesse território obscuro que o escritor Oscar Nestarez mergulha em Lucífugo, seu novo romance, que já está em pré-venda no site da AVEC Editora. Conhecido por explorar os limites entre o horror e a psicologia, o autor leva o leitor ao núcleo mais sombrio da mente humana: a consciência de um assassino.

Na obra, Nestarez faz o próprio monstro narrar sua história, convidando o público a ocupar o lugar do vilão. “A literatura nos permite explorar tensões e complexidades como nenhuma outra linguagem”, observa o autor. A escolha pela narrativa em primeira pessoa foi determinante: “Queria que o próprio monstro desse sua perspectiva da história, com as suas palavras e reflexões. Ele compreende, de certa maneira, a própria natureza nociva e isso o leva à queda.”

O protagonista de Lucífugo é um homem anônimo e contemporâneo, cuja mente distorcida ecoa figuras históricas como Elisabeth Bathory e Gilles de Rais. Ao descrever sua jornada de sexo e violência, o autor aborda um tema perturbador e atual: a misoginia. “Me interessa entender o que pode levar alguém a querer eliminar outro ser humano só porque o enxerga como uma ameaça. A literatura é o encontro com o outro e aqui esse outro é o monstruoso. Quis explorar isso no campo da violência de gênero, que é estrutural no nosso país”, afirma.

Apesar da densidade temática, Nestarez enxerga beleza na escuridão. Para ele, o horror é um território de criação e liberdade. “Esses mergulhos no lodo são o que há de mais interessante na escrita. É uma jornada segura rumo ao coração negro da maldade, e foi, por mais estranho que pareça, revigorante.”

O título do livro, Lucífugo (aquele que foge da luz) traduz a filosofia e a visão de mundo do narrador. “A percepção que ele tem das mulheres e a influência do avô o afastam de qualquer tipo de luz. Mas, em sua cabeça, é o contrário: ele acredita estar trazendo as entidades das sombras para a luz, para eliminá-las”, explica o autor.

Premiado pela Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror (ABERST) por Bile Negra, e pela Odisseia de Literatura Fantástica por Claroscuro, Oscar Nestarez volta a afirmar seu domínio sobre a literatura sombria. Seu novo livro propõe um pacto inquietante: olhar o mal de frente, ouvir sua voz e, talvez, reconhecer nele um espelho distorcido da própria humanidade.

Sobre o autor

Escritor, tradutor e pesquisador especializado em literatura de horror, Oscar Nestarez é doutor em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela FFLCH-USP, com pós-doutorado pela Universidad de Alcalá de Henares (Espanha). Como autor, publicou a coletânea O breu povoado (Avec, 2023) e o romance Bile Negra (Avec, 2023), e a novela Claroscuro (Draco, 2022). Foi vencedor do prêmio Aberst de melhor romance de horror e do prêmio Odisseia de Literatura Fantástica de melhor narrativa longa de horror. Atua também como tradutor, com destaque para a versão em português de O Castelo de Otranto, de Horace Walpole (Novo Século). Foi organizador, ao lado de Júlio França, dos dois volumes de Tênebra – Narrativas brasileiras de horror, pela editora Fósforo. Colunista da revista Galileu, escreve sobre literatura e cultura do horror.

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