Campanha alerta sobre o cuidado com a saúde mental em todas as idades
“A solidão é fera, a solidão devora. É amiga das horas, prima-irmã do tempo e faz nossos relógios caminharem lentos, causando um descompasso no meu coração”. Solidão, música de Alceu Valença, aborda o vazio e o impacto negativo desse sentimento na vida das pessoas. Inclusive, esse é um dos temas que mais desperta atenção na atualidade, pois afeta uma a cada seis indivíduos no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
E, com a chegada da campanha Janeiro Branco, a conscientização sobre o cuidado com a saúde mental redobra. O psicólogo e professor do curso de Psicologia da UNINASSAU Olinda, Cleyson Monteiro, aponta os motivos para o isolamento de boa parte dos adultos e idosos nos dias atuais. “Estamos vivendo no século do niilismo. Isso significa falta de sentido e tem afetado, de forma severa, várias idades após a adolescência, sobretudo com a solidão em excesso. Embora ainda existam estigmas sobre o assunto, o fato de a pessoa estar reclusa potencializa a incapacidade de se relacionar e a individualização. E isso tudo é aumentado pelo uso de telas”.
A solidão física é a ausência de pessoas próximas do indivíduo. Segundo o especialista, quando existe falta de conexão e vínculos significativos, um quadro de individualização é gerado, correndo o risco da pessoa se isolar cada vez mais. Já a solidão emocional está relacionada à falta de afeito com outros indivíduos, sejam conhecidos da academia, das aulas de dança ou das artes marciais.
“Quando há o isolamento físico, ainda pode existir um relacionamento pontual. Porém, o emocional não tem relação com ninguém de forma afetiva. Isso é bastante presente em vários lares nos dias atuais, onde os indivíduos não interagem fisicamente e existem casos de se comunicarem apenas por meio das redes sociais, resultando em falta de carinho e emoção, mesmo com pessoas ao lado. Em contrapartida, existe a inteligência afetiva, que age sobre essa solidão, traz o calor humano e o sentimento”, acrescenta.
As redes sociais têm contribuído de forma significativa com o isolamento e as pessoas estão cada vez mais reclusas em suas “bolhas”, causando a falta de diálogo com outros indivíduos. Além disso, a solidão gera quadros de ansiedade generalizada, forte dependência emocional, vício em jogos, usos de aparelhos celulares, tablets ou TVs. O especialista indica a melhor forma de identificar o momento de pedir ajuda a um profissional.
“Ao notar um parente ou conhecido, seja adulto ou idoso, com falta de apetite, desprezo a hobbies, indisposição, irritabilidade, insônia ou desinteresse em falar com pessoas, é necessária a intervenção para ajudar o próximo. Caso identifique três dos fatores que chamo de 3Ds (desespero, desânimo e desilusão), é preciso encaminhá-lo para ajuda psiquiátrica com auxílio medicamentoso e psicológico. Não hesite em solicitar amparo e oferecer assistência ao próximo”, finaliza Cleyson Monteiro.






