Inteligência Artificial na animação 3D: a facilidade é uma ilusão?

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Por Ricardo Big Passos, Creative VP da BIG.

O “boom” da Inteligência Artificial em nossas vidas provocou o uso, muitas vezes desenfreado, de ferramentas em nosso cotidiano. Se queremos saber como se faz uma receita, ou estamos com preguiça de ler um documento inteiro, ou até mesmo se pesquisamos algo no já obsoleto buscador do Google, a primeira coisa que aparece é uma resposta gerada por IA.

Moldando-se em nosso dia a dia, a utilização dessas ferramentas se fundiu no cérebro de muita gente, de modo que a mente já cria um roteiro, como se fosse um prompt, dos passos a serem seguidos para qualquer tarefa, por mais simples que seja. “Simples”. Essa é a palavra que tanto difundem quando o tema são as IA’s. 

No burburinho em torno da Inteligência Artificial, frequentemente ouvimos que ela democratizará a criação de animação, tornando-a acessível a qualquer um com um computador e uma conexão à internet. A facilidade encontrada, por exemplo, em uma ferramenta como o Chat GPT, muitas vezes é associada ao processo criativo de uma animação que faz o uso da IA. 

Quem dera fosse assim. Animar com Inteligência Artificial dá um trabalho da po**a. Imagine que você criou um personagem. Desde o escopo, o desenhou e o desenvolveu, nos mínimos detalhes. Ao aplicá-lo em um software com IA para animá-lo e renderizá-lo, é preciso que a IA consiga reproduzir cada detalhe já dado pelo estúdio nos movimentos daquele personagem. 

Isso significa que o produtor tem a tarefa de supervisionar, nos mínimos detalhes, a aplicação dos desenhos originais na realidade impressa no trabalho. É um trabalho a mais, que antes da IA, não existia.  

Uma árvore não será apenas uma simples árvore. Ela deve fazer parte de todo um ecossistema que permeia o ambiente já criado, a história que está sendo contada e a mensagem que é passada ao espectador. A IA não é provida de perspicácia ou de análise crítica como nós. 

É inegável que as ferramentas do tipo estão simplificando processos. Ferramentas de geração procedural baseadas em IA podem criar paisagens e cidades em minutos. Algoritmos de motion transfer prometem animar um personagem a partir de um vídeo de referência. A IA pode otimizar a topologia de um modelo 3D ou até mesmo sugerir iluminação para uma cena.

No entanto, essa “facilidade” se manifesta principalmente em tarefas repetitivas ou na geração de assets genéricos. Para escapar da mesmice, na BIG não abrimos mão da intervenção humana e da expertise artística. As ferramentas são capazes de otimizar o tempo do diretor de animação, mas será que entendem as sutilezas de cada desenho? Ou conseguem imprimir, em cada pixel, a intencionalidade do personagem para além da mera estética? 

É exatamente por isso que utilizar a IA dá trabalho, mais do que parece: para mantermos padrões de qualidade e conteúdos inovadores na BIG, apostamos na curadoria e correção do nosso time composto por seres humanos, em carne e osso. A IA, nesse caso, não nos dá 100% do resultado final, ela é apenas um bom ponto de partida. Uma ferramenta nova, com falhas, que não substitui nossas próprias pernas, mas extremamente promissora. 

Caso um modelo gerado por IA apresente problemas de topologia, por exemplo, vamos dar o polimento necessário para integrar os elementos para que a narrativa da história saia coesa. Para isso, são necessários animadores, modeladores, artistas de textura e diretores. 

Claro, ferramentas do tipo tornam-se poderosas nas mãos de artistas e técnicos experientes. O objetivo deste artigo não é demonizar a Inteligência Artificial, pelo contrário: quero frisar que ela veio para somar a capacidade dos criadores, mas não para substituí-los. 

A IA está, sim, transformando o universo audiovisual. Mas essa transformação é um processo complexo, que exige adaptação, aprendizado contínuo e, acima de tudo, um profundo respeito pela arte e pelo ofício. Antes do cinema existir, já haviam animadores. E, se um dia, por algum motivo louco, tudo isso acabar, eles ainda estarão aqui. 

A BIG  

A BIG é uma produtora brasileira especializada em animações, incluindo 3D, Character Design e IA. Com quase duas décadas de existência de atuação no mercado nacional e internacional, a missão da empresa é redefinir o que é possível no universo da animação, utilizando a tecnologia para criar não apenas animações, mas emoções. A BIG está presente em quatro continentes e já realizou ao longo desses anos centenas de projetos com animação 3D. A equipe da BIG é composta por designers e artistas que veem além, que acreditam no poder das ideias e no impacto de cada detalhe das histórias que transcendem a tela, conectando marcas e pessoas ao redor do mundo.

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