Levantamento com 25 instituições aponta concentração das aplicações na criação e adaptação de conteúdos
A inteligência artificial é usada na educação corporativa por 87% das instituições financeiras participantes de uma pesquisa da Deloitte e da FEBRABAN Educação. O uso sistemático, com monitoramento dos resultados, é relatado por 13%.
Realizado entre abril e julho de 2026, o levantamento reuniu respostas de 25 instituições e 15 entrevistas em profundidade com lideranças do setor financeiro. Os resultados foram publicados em agosto. O relatório apresenta os números como “retrato analítico da amostra”, e não como projeção para todo o setor.
A criação e a adaptação de conteúdos são as aplicações de IA mais citadas. A tecnologia também aparece na busca e na organização do conhecimento, enquanto a personalização de jornadas e as simulações assistidas por IA têm menor presença.
Nas entrevistas, o estudo identificou instituições que disponibilizam ferramentas para toda a organização e outras que mantêm experimentos localizados.
Jackson Rovina, CEO da Twygo, plataforma de educação corporativa, cita o diagnóstico de competências entre os usos de IA que vão além da produção de conteúdo. O processo parte de entrevistas com profissionais sobre suas rotinas, atividades e ferramentas de trabalho. As gravações ou transcrições são analisadas pela IA, que sugere competências relacionadas às tarefas descritas.
“Utilizamos cerca de sete a dez IAs diferentes, e a escolha de cada uma depende da tarefa, como texto, imagem, áudio ou avatar”, diz Rovina.
Governança de IA é formalizada ou monitorada em 39,1% das instituições
O relatório registra que a governança de IA é formalizada ou monitorada em 39,1% das instituições. Outros 47,8% relatam governança parcial, informal ou inexistente, e 13% não sabem informar.
Segundo o estudo, a necessidade de acompanhamento está associada ao tratamento de dados internos, à propriedade intelectual e a conteúdos regulatórios. As aplicações também podem apoiar decisões que afetam clientes e operações.
8% medem o retorno financeiro dos programas de educação corporativa
Na avaliação dos programas de educação corporativa, 84% das instituições acompanham a conclusão e a satisfação. Indicadores de impacto no negócio são utilizados por 40%, enquanto 8% calculam o retorno sobre o investimento. Os dados se referem aos programas de aprendizagem em geral.
Rovina diferencia a avaliação de reação, realizada ao fim de um curso, do acompanhamento posterior. A primeira identifica como o participante recebeu o treinamento e a segunda verifica se ele conseguiu aplicar o conteúdo no trabalho.
“A medição da eficácia de um treinamento podia exigir formulários, planilhas e consolidação manual. Com a automação, os dados ficam mais organizados e a IA permitiria ao RH dedicar mais tempo à escuta, ao diagnóstico e ao apoio às áreas”, afirma.
Para o executivo, a definição dos objetivos do treinamento e do que se espera que o participante consiga fazer orienta a avaliação de sua aplicação na rotina.





