Frustrações constantes estão ligadas à forma como as pessoas criam expectativas sobre si e sobre os outros
A dificuldade em lidar com frustrações, conflitos nos relacionamentos e sensação recorrente de decepção tem uma origem comum, a má gestão das expectativas. Em um cenário de cobranças crescentes, metas idealizadas e comparações constantes, aprender a alinhar expectativa e realidade tornou-se um dos principais desafios para a saúde emocional.
Segundo o psicanalista especialista em Desenvolvimento Humano Betto Alves, grande parte do sofrimento emocional não nasce dos fatos em si, mas da expectativa criada em torno deles. “As pessoas sofrem menos pelo que acontece e mais pelo que esperavam que acontecesse. Quando a expectativa não é comunicada, alinhada ou revisada, ela se transforma em frustração”, explica.
No ambiente profissional, a falta de gestão de expectativas está diretamente ligada ao desgaste emocional, conflitos entre equipes e queda de desempenho. “Quando não há clareza sobre papéis, limites e resultados possíveis, cria-se um terreno fértil para cobranças silenciosas e ressentimentos”, afirma Betto. Para ele, isso vale tanto para relações de trabalho quanto para vínculos familiares e afetivos.
Um erro comum, segundo o psicanalista, é confundir expectativa com controle. “Muitas pessoas acreditam que criar expectativas altas é uma forma de motivação, mas na prática isso gera ansiedade e sensação constante de insuficiência. Expectativa saudável é aquela que considera a realidade, o contexto e as limitações humanas”, pontua.
A gestão emocional passa, necessariamente, pelo autoconhecimento. Betto explica que compreender as próprias necessidades e limites é essencial para estabelecer expectativas mais realistas. “Quando a pessoa não sabe exatamente o que precisa, ela projeta no outro uma expectativa confusa, e isso gera ruído, cobrança e frustração”, destaca.
Outro ponto importante é a comunicação. Expectativas não verbalizadas tendem a se transformar em conflitos internos ou externos. “Esperar que o outro adivinhe o que eu quero é uma armadilha emocional. A comunicação clara é uma ferramenta fundamental para relações mais saudáveis”, reforça o psicanalista.
Para Betto Alves, gerir expectativas não significa baixar sonhos ou se conformar, mas amadurecer emocionalmente. “É possível ter ambição, planos e desejo de crescimento sem viver refém de idealizações. A maturidade emocional está em ajustar o que se espera ao que é possível, sem perder o senso de propósito”, afirma.
Em um mundo marcado pela velocidade da informação e pela cultura da performance, a gestão de expectativas se torna um exercício diário de equilíbrio emocional. “Aprender a lidar com frustrações, rever expectativas e aceitar limites não é sinal de fraqueza, é sinal de inteligência emocional”, conclui.

Betto Alves
Serviço: Betto Alves
Psicanalista especialista em Desenvolvimento Humano
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