Medida passou a alcançar vistos I, TN e TD em outubro e reforça a importância de atenção às informações fornecidas durante o processo consular
Os Estados Unidos ampliaram a revisão da presença online de solicitantes de vistos e passaram a incluir, desde 1º de outubro, candidatos das categorias I, TN e TD. A medida faz parte de uma política de triagem que já alcança estudantes, intercambistas, profissionais especializados, dependentes e pessoas envolvidas em determinados processos familiares.
Para brasileiros que pretendem estudar, trabalhar ou morar nos Estados Unidos, a mudança reforça um cuidado que já vinha sendo exigido em diferentes categorias: atenção às informações fornecidas ao governo americano e às orientações relacionadas aos perfis de redes sociais.
Segundo o advogado de imigração Murtaz Navsariwala, a ampliação não deve ser encarada com alarme nem levar candidatos a modificar precipitadamente sua presença digital. “Não existe motivo para pânico ou para tentar criar uma versão artificial da própria vida nas redes sociais. O mais importante é fornecer informações verdadeiras, observar as exigências específicas da categoria de visto e manter coerência entre o que é declarado no processo e a realidade do solicitante”, explica.
A análise de informações de redes sociais não começou agora. Desde 2019, formulários de solicitação de vistos americanos passaram a pedir identificadores de redes sociais da maioria dos candidatos.
Nos últimos anos, o Departamento de Estado ampliou o procedimento. Categorias F, M e J, utilizadas por estudantes e participantes de intercâmbio, já estavam submetidas à revisão. Posteriormente, foram incluídos solicitantes H-1B e determinados dependentes H-4, além de categorias como K-1, K-2 e K-3.
A etapa mais recente acrescentou os vistos I, destinado a representantes de mídia estrangeira, e TN e TD, relacionados a profissionais abrangidos pelo acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá e seus dependentes.
Uma das orientações do governo americano para candidatos abrangidos pela revisão é manter os perfis de redes sociais públicos ou abertos. Isso, porém, não significa entregar senhas das contas.
Os documentos oficiais diferenciam o identificador de uma rede social — como o nome de usuário usado para identificar o perfil — das credenciais de acesso, como a senha. “É importante seguir exatamente aquilo que o governo solicita. Informar corretamente um identificador de rede social é diferente de fornecer acesso à conta. Senhas não devem ser entregues”, afirma Navsariwala.
Apagar publicações não é garantia de aprovação
Outra dúvida comum é se candidatos devem apagar posts ou fazer uma “limpeza” das redes sociais antes da entrevista. Os comunicados oficiais não estabelecem que essa prática aumente as chances de obtenção do visto.
Também não existe, nos documentos divulgados, uma lista de publicações, opiniões, fotografias ou interações que provoquem automaticamente uma negativa.
Para Navsariwala, o candidato deve concentrar sua atenção na consistência do processo, em vez de tentar adivinhar como cada publicação será interpretada. “Não existe uma fórmula para deixar uma rede social ‘pronta’ para uma entrevista consular. O cuidado deve estar na veracidade das informações e no cumprimento das regras da categoria solicitada. Cada caso continua sendo analisado individualmente”, diz.
Para quem está se preparando para viajar, estudar, trabalhar ou iniciar uma nova etapa de vida nos Estados Unidos, a recomendação é verificar se a categoria de visto está submetida à revisão ampliada, conferir os identificadores informados nos formulários e seguir as orientações oficiais de privacidade aplicáveis.
Situações envolvendo divergências em informações anteriormente prestadas, histórico migratório ou possíveis causas de inadmissibilidade exigem uma avaliação específica. “A melhor postura é informação e tranquilidade. A revisão das redes sociais é mais um elemento dentro de um processo migratório que envolve diferentes verificações. Conhecer as regras e preencher tudo com cuidado é mais útil do que agir por medo”, conclui Navsariwala.

Sobre Murtaz Navsariwala e o Murtaz Law
Advogado especializado em imigração para os Estados Unidos, Murtaz Navsariwala combina formação em Economia e História pela Northwestern Univ
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