Estudar mascando chiclete funciona? Especialista discute estratégia para a preparação para o Enem

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Pesquisas analisam os efeitos da mastigação sobre atenção e memória; especialista alerta que o hábito não substitui estratégias comprovadas de aprendizagem

Com a proximidade do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), milhares de estudantes em todo o país buscam táticas para otimizar o tempo de estudo, manter o foco por horas seguidas e memorizar o extenso conteúdo das disciplinas. Entre diversas dicas que circulam nos corredores e nas redes sociais, o hábito de mascar chiclete durante a leitura ou no dia do exame levanta dúvidas: essa prática realmente traz algum ganho para a aprendizagem? 

A resposta da ciência é que o chiclete ajuda a manter o cérebro desperto e focado, mas não funciona como um atalho mágico para fixar conteúdos na memória.

Um estudo do Centro de Psicologia Ocupacional e da Saúde da Universidade de Cardiff (Reino Unido), publicado no periódico científico Nutritional Neuroscience¹, constatou que mascar chiclete aumenta o estado de alerta mental em aproximadamente 10% e melhora o desempenho em tarefas intelectuais. Contudo, o mesmo estudo revelou que a mastigação não produz nenhum efeito significativo na capacidade de memorização de histórias ou listas de palavras, demonstrando que a tática atua no nível de atenção e não no armazenamento de dados.

O Dr. Marcelo Gobbo, médico da família e editor associado do Portal Afya explica que o ato mecânico da mastigação estimula receptores na boca e aciona o fluxo sanguíneo para o cérebro e essa circulação reforçada pode ativar áreas estratégicas como o córtex pré-frontal e o córtex cingulado anterior, que são regiões responsáveis pelas funções executivas, tomada de decisão e manutenção da atenção sustentada, mas os estudos disponíveis não permitem afirmar que o hábito aumentará o bom desempenho em uma prova.

“O mais importante é observar o que funciona individualmente sem atribuir ao chiclete um efeito universal que a ciência não confirmou. Existem outros fatores que podem funcionar muito bem, como dormir mais cedo, hidratar-se e buscar explicar a matéria para si próprio, por exemplo”, explica o especialista.

A forma de estudar pode fazer mais diferença

Entre outros métodos de aprendizado, a prática de recuperação, que consiste em tentar lembrar uma informação antes de consultar novamente o material, por meio de perguntas, exercícios, flashcards ou explicações feitas pelo próprio estudante, pode ser uma alternativa bastante rentável para os estudos. 

“Trocar parte da releitura passiva por momentos em que o estudante precisa recuperar ativamente aquilo que aprendeu, faz com que o cérebro fortaleça as conexões neurais e fixe a informação na memória de longo prazo de forma muito mais duradoura”, explica.

Para quem está se preparando para o Enem, isso pode significar revisar determinado conteúdo vários dias depois do primeiro contato, em vez de tentar aprender tudo de uma vez. A estratégia também pode ser combinada à alternância entre disciplinas, especialmente quando o estudante precisa diferenciar conceitos parecidos.

Dormir também faz parte da preparação

Outro hábito frequentemente deixado em segundo plano durante a preparação para provas é o sono. Um estudo na Psychological Bulletin², encontrou efeitos prejudiciais da falta de sono sobre a memória de informações novas, tanto quando a privação ocorria antes quanto depois da aprendizagem. Os autores também destacaram limitações metodológicas e a necessidade de estudos mais robustos.

A relação entre sono e desempenho escolar não deve ser reduzida à ideia de que dormir mais resulta em notas melhores. Gobbo afirma que a associação entre a duração do sono e o rendimento acadêmico é mínima, enquanto a qualidade do sono pode potencializar resultados, apesar de a ansiedade ser um sinal de alerta natural do organismo nessas situações. 

“Quando estamos ansiosos, o corpo permanece em um estado constante de “luta ou fuga”. Para desacelerar esse sistema, práticas simples incorporadas à rotina, como a higiene do sono, exercícios de respiração consciente e pequenas pausas ao longo da jornada de estudos, são ferramentas cientificamente comprovadas que ajudam a baixar os níveis de estresse e a devolver o equilíbrio emocional”, orienta o médico.

Com o Enem 2026 marcado para os dias 8 e 15 de novembro, estudantes ainda têm algumas semanas para testar diferentes formas de organizar os estudos, ajustar a rotina e identificar quais estratégias podem contribuir para uma preparação mais eficiente. 

Referências 

  1. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20132649/
  2. http://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8893218

Sobre a Afya

A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 37 Instituições de Ensino Superior, 32 delas com cursos de Medicina e 25 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. São 3.766 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e 3.643 vagas de Medicina em operação, com mais de 24 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com Impacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 – Saúde e Bem-Estar. Mais informações em: www.afya.com.br e ir.afya.com.br.

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