Com 4,6 milhões de novos pequenos negócios abertos em 2025, mercado exige preparo além da gestão financeira
O desejo de empreender segue em alta no Brasil e os números confirmam esse cenário. Entre janeiro e novembro de 2025, o país registrou a abertura de 4,6 milhões de novos pequenos negócios, volume que já supera em 12,2% o resultado de 2024, quando foram criadas 4,1 milhões de empresas, segundo dados recentes do Sebrae, com base em informações da Receita Federal.
Desse total, 77% correspondem a microempreendedores individuais (MEI), 19% a microempresas e 4% a empresas de pequeno porte. O cenário demonstra um mercado aquecido, impulsionado principalmente por jovens empreendedores que buscam profissionalização para acompanhar as transformações do mercado e aproveitar novas oportunidades.
De acordo com o professor dos cursos de Administração e Gestão de Recursos Humanos da Estácio, Fábio Carvalho, abrir um negócio vai muito além do domínio técnico ou financeiro.
“É fundamental compreender como entregar valor real aos clientes, algo que já é uma preocupação constante das maiores empresas. Além disso, precisamos potencializar a diversidade em todas as suas formas, alinhar práticas sustentáveis e propósito social à lucratividade, manter a capacidade contínua de inovar, criar soluções, construir uma rede estratégica de contatos e parcerias sólidas e acompanhar tendências internacionais, observando atentamente o que acontece em outros países”, reforça.
Com o cenário competitivo, o especialista alerta para armadilhas que podem comprometer a sustentabilidade dos novos negócios. Entre elas, está a dependência excessiva de plataformas de terceiros para a operação das empresas, além dos impactos na saúde mental dos empreendedores.
“É importante pensar em diversificação ou até mesmo em construir plataformas próprias para evitar vulnerabilidade diante de mudanças externas. Outro erro comum é focar apenas no produto e negligenciar aspectos como distribuição, atendimento e aquisição de clientes”, explica.
Fábio Carvalho também chama atenção para o uso crescente das Inteligências Artificiais (IA) no ambiente empresarial. Embora tragam benefícios importantes, como automação de tarefas e apoio à tomada de decisões baseada em dados, o uso indiscriminado pode gerar riscos.
“As IAs oferecem insights valiosos e liberam tempo do empreendedor ao automatizar atividades repetitivas. No entanto, existe o perigo da dependência cega da tecnologia, da perda do pensamento crítico e de questões éticas e legais envolvendo informações incorretas e uso indevido de conteúdos. Por isso, é fundamental utilizar a inteligência artificial com critério e responsabilidade”, conclui.






