A SBTEIM e a situação da triagem neonatal. Em 2026, a Triagem Neonatal faz 25 anos no Brasil*
O dia 6 de junho é marcado pela conscientização sobre a importância do Teste do Pezinho, exame de triagem neonatal capaz de identificar precocemente doenças graves que podem comprometer o desenvolvimento e até a vida da criança.
Apesar de ser considerado um dos exames mais importantes para garantir diagnóstico precoce e tratamento de doenças graves, o Teste do Pezinho ainda enfrenta sérios desafios no Brasil. A Lei nº 14.154/2021, que prevê a ampliação da triagem neonatal para incluir um número maior de enfermidades, permanece sem plena implementação.
Enquanto alguns estados iniciaram a expansão de forma isolada, especialistas alertam para a falta de um planejamento nacional estruturado, o que gera desigualdade no acesso.
A Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal e Erros Inatos do Metabolismo (SBTEIM) tem contribuído como o Ministério da Saúde para conferir maior atenção aos problemas enfrentados pelo Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN).
*Como é feito o Teste do Pezinho?*
Também chamado de triagem neonatal, o Teste do Pezinho é considerado um dos exames mais importantes realizados em recém-nascidos. Ele tem como objetivo detectar precocemente doenças metabólicas, genéticas, endócrinas e infecciosas que, se não identificadas a tempo, podem comprometer seriamente o desenvolvimento da criança.
O procedimento é simples: entre o 3º e o 5º dia de vida, o bebê tem algumas gotas de sangue coletadas do calcanhar com uma pequena lanceta. Esse material é depositado em um papel filtro especial e encaminhado para análise laboratorial.
Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente o exame, que é obrigatório em todo o país. A triagem pode identificar condições como fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, fibrose cística, doença falciforme e outras hemoglobinopatias, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase.
A detecção precoce permite que o tratamento seja iniciado rapidamente, evitando complicações graves e garantindo melhor qualidade de vida. Em caso de alterações nos resultados, os profissionais de saúde entram em contato com os pais para dar início ao acompanhamento especializado.
*Mitos e Verdades*
*Teste do Pezinho é o mesmo que Carimbo Plantar?*
Não, o teste do pezinho acontece com coleta de sangue no calcanhar do recém-nascido e com essa amostra de sangue são realizadas investigações laboratoriais, de acordo com as doenças disponíveis em seu estado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou em laboratórios privados de acordo com a prescrição do pediatra. Já o carimbo plantar (ou impressão plantar), tem como objetivo documentar no prontuário da maternidade, uma característica física única do recém-nascido para evitar trocas acidentais de bebês nos berçários.
*Os resultados do Teste do Pezinho ficam prontos na hora?*
Não, o teste do pezinho é preconizado pelo Ministério da Saúde que ele seja realizado em até cinco dias a partir da entrada no laboratório e, em casos suspeitos, a equipe de busca ativa deve entrar em contato imediatamente com município de origem para que sejam realizados exames confirmatórios. Trata-se de um exame de triagem.
*Todo hospital faz o Teste do Pezinho?*
Não, existem estados que a coleta é preconizada nas maternidades e hospitais gerais, porém a maioria dos estados utilizam a unidade básica de saúde para realizar a coleta.
*Quanto se paga para fazer o Teste do Pezinho?*
O teste do pezinho é disponibilizado pela rede de saúde pública sem nenhum custo para os responsáveis pelo bebê, porém existem vários formatos disponíveis no sistema privado com valores variáveis de acordo com o número de exames solicitados pelo pediatra.
*O Teste do Pezinho é obrigatório por lei?*
Sim, o teste do pezinho é obrigatório por lei em todo território nacional. A obrigatoriedade está prevista na Lei N° 14.154 de 26 de maio de 2021, que alterou o ECA (Estatuto da Criança e Adolescente) para aperfeiçoar o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN).
*ATUAL CENÁRIO*
O Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), criado há 25 anos pelo Ministério da Saúde, enfrenta críticas pela falta de transparência e pela desigualdade na oferta do exame entre os estados brasileiros. O órgão governamental publicou dados oficiais apenas até 2024, deixando um vazio sobre o cenário atual da triagem neonatal no país.
A Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal e Erros Inatos do Metabolismo (SBTEIM), que organiza encontros com os Serviços Regionais de Triagem Neonatal (SRTNs) para coletar dados em tempo real, defende que o Ministério da Saúde deveria divulgar relatórios anuais sobre o programa. Segundo a entidade, cerca de cinco estados das regiões Norte e Nordeste enfrentam problemas graves na execução da triagem, incluindo atrasos e falhas no acompanhamento.
Embora o Teste do Pezinho tenha eficácia científica comprovada e seja considerado custo-efetivo, a realidade mostra grande heterogeneidade entre os estados quanto às doenças triadas. Essa disparidade compromete o objetivo central do exame: garantir diagnóstico precoce e tratamento adequado para condições graves e potencialmente fatais.
A SBTEIM reforça a necessidade de ações urgentes por parte do Ministério da Saúde e dos governos estaduais para fortalecer o programa. Além disso, destaca que a população deve se engajar e cobrar melhorias, incluindo a ampliação da lista de doenças rastreadas, prevista em lei, mas ainda não implementada de forma plena.
*PROBLEMAS QUE PERSISTEM*
*COLETA TARDIA*
Segundo a médica geneticista e presidente da SBTEIM, Dra. Carolina Fischinger, a cobertura não chega a 80% e a idade média da coleta da amostra neonatal também é tardia. “Os dados mostram a necessidade de um programa de educação continuada das gestantes sobre a importância de se submeter o bebê ao teste do pezinho, como também de fazê-lo na primeira semana de vida”, enfatiza ela.
*TRANSPORTE E CUSTO ELEVADO*
Um acordo feito na pandemia com os Correios para o transporte das amostras determina que as amostras sejam enviadas por Sedex para os laboratórios cadastrados no MS. Embora seja um meio de transporte eficiente e rápido, há que se lembrar o custo elevado deste transporte.
*FALTA DE ACESSO AO TRATAMENTO*
O Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), criado para garantir diagnóstico precoce de doenças graves em recém-nascidos, ainda enfrenta sérias desigualdades regionais no Brasil. Em estados das regiões mais vulneráveis, muitas crianças não conseguem acessar todas as etapas previstas: desde a coleta adequada até a confirmação diagnóstica, o início oportuno do tratamento e o acompanhamento multidisciplinar contínuo.
Além das falhas estruturais, há também problemas recorrentes no fornecimento de insumos e medicamentos essenciais. Essa instabilidade compromete os benefícios conquistados com a detecção precoce, colocando em risco a saúde de milhares de bebês.
Especialistas alertam que o desafio não está apenas em ampliar o acesso ao Teste do Pezinho, mas em garantir que o exame seja acompanhado de tratamento e cuidado de longo prazo. Sem isso, o programa não cumpre plenamente seu papel de salvar vidas e promover equidade na saúde infantil.
*SBTEIM*
A Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal Erros Inatos do Metabolismo (SBTEIM) tem como objetivo principal reunir profissionais envolvidos com estudos e pesquisa relacionados à Triagem Neonatal no Brasil. Visa ainda estimular e divulgar os processos diagnósticos e terapêuticos de doenças genéticas, metabólicas, endócrinas e infecciosas, que possam prejudicar o desenvolvimento somático, neurológico ou psíquico do recém-nascido.
Anteriormente denominada Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal – SBTN, foi fundada em 18 de setembro de 1999 e, após longo período de inatividade, a SBTN ressurgiu no dia 18 de março de 2016, em São Paulo.
A SBTEIM tem como premissa, defender a dignidade do profissional que se dedica à Triagem Neonatal e aos EIM, além de resguardar e proteger os interesses dos pacientes e familiares que se beneficiam de um diagnóstico precoce; e orientar à terapia correta no tempo adequado e acompanhamento de suas enfermidades ao longo da vida.





