Escrever para crianças é escrever o futuro

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Imagem ilustrativa/Pexels

Por Goimar Dantas*

Neste 25 de julho, quando celebramos o Dia do Escritor, talvez a melhor homenagem à literatura seja garantir às crianças o acesso ao maior número possível de livros. Afinal, escrever para as infâncias é espalhar sementes cujos frutos serão colhidos em uma safra ainda distante.  

Cada história lida ajuda a formar leitores mais curiosos, cidadãos mais sensíveis e uma sociedade mais humana para as novas gerações. Quando nos dedicamos a criar narrativas para os pequenos, contribuímos para traçar as linhas e as tramas do futuro. 

Nessa tarefa desafiadora e gratificante, valendo-se de uma linguagem de simplicidade apenas aparente, os autores dialogam com um público exigente e questionador. Nesse universo, não há temas proibidos, pois o texto literário é como um teto sob o qual se abrigam os mais diversos assuntos, desde que tratados com sensibilidade e refinamento estético.  

Por meio de palavras, imagens, símbolos e metáforas, escritores compartilham com os pequenos histórias que revelam alegrias, belezas e encantos, senso de pertencimento, coletividade e identidade, mas também medos, perdas, dúvidas existenciais e outros dramas próprios da experiência humana. 

Em meu primeiro livro para crianças, Quem tem medo de papangu?, publicado há quinze anos, recorri às minhas memórias de infância e à figura de meu avô, Pedro Horácio, tradicional papangu da cidade de Japi (RN), para apresentar um personagem do folclore nordestino.  

Ao reverenciar nossas histórias e tradições, aprendemos a olhar com mais respeito para outros povos, culturas e modos de viver. Esses repertórios são essenciais para originar futuros compatíveis com o sonho de uma sociedade na qual se reconheça que a verdadeira riqueza reside na diversidade. 

Histórias são essenciais à vida humana. Em seu ensaio O direito à literatura, Antonio Candido afirma ser impossível passarmos sequer um dia sem recorrermos a elas. Afinal, imaginar é uma necessidade profundamente humana.  

Ao reler esse texto, recordo-me dos contos de fadas, cujos protagonistas atravessam mundos desconhecidos e enfrentam provações indispensáveis ao amadurecimento. O que os move é a esperança de que, ao fim da travessia, uma nova realidade os espera. 

Assim são os livros para crianças: pontes para um repertório simbólico capaz de diverti-las, acalentá-las e, até mesmo, auxiliá-las a compreender emoções, atravessar situações difíceis, enfrentar conflitos e construir vínculos. Está aí a magia da literatura, alicerçada na força da palavra — “fator de integração entre os homens”, como afirmou a professora Nelly Novaes Coelho em Contos de fadas – Símbolos, mitos e arquétipos.  

Neste Dia do Escritor, celebrar a literatura é acreditar que a ampliação do acesso das crianças aos livros pode ser o primeiro passo rumo à escrita de um futuro em que, entre outras conquistas, a educação de qualidade seja, enfim, um direito assegurado a todos. 

Goimar Dantas é doutora em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, com ênfase em Literatura Infantil e Juvenil, jornalista, roteirista e escritora, autora de Quem tem medo de papangu? (Cortez Editora). 

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