A proposta de reduzir a jornada de trabalho, com o fim da escala 6×1, voltou ao debate público cercada por apelo popular. A promessa de mais tempo livre e melhor qualidade de vida é legítima. O problema começa quando a discussão ignora efeitos práticos sobre produtividade, custos e emprego.
Parte do setor produtivo tem defendido que mudanças dessa natureza não podem ser impostas de forma uniforme. A negociação coletiva aparece como alternativa mais responsável, capaz de ajustar jornadas à realidade de cada atividade e evitar impactos abruptos sobre a operação das empresas. Sem esse cuidado, a conta tende a aparecer na ponta, seja na redução de vagas, seja no aumento de preços ao consumidor.
É nesse ponto que a reflexão ganha densidade:
Quando um sonho fácil pode ser um pesadelo?
A pauta da redução de jornada de trabalho vem coroada com este resultado.
É óbvio que seria interessante atingir um resultado de maior conforto e prosperidade, e se ainda viesse com menor esforço, estaríamos perto do paraíso.
Porém o assunto requer maior seriedade do que apenas um jargão eleitoral.
Toda a sociedade merece melhores resultados e condições de geração destes mesmos resultados. Mas será com essa receita precária de comprovação técnica?
Acreditamos que não!
Não se trata de quem “explora” contra quem é “explorado”… o cenário verdadeiro da vida não comporta mais essa fala irresponsável.
O Brasil ainda convive com produtividade baixa e jornada média próxima de 40 horas semanais. Reduzir esse tempo sem ganhos de eficiência pode pressionar custos e comprometer a atividade econômica.
Avançar é necessário. Mas avançar sem base técnica costuma sair caro.
O autor é Joel Saturinino, diretor na Câmara de Gemas do Sindijoias Ajomig e diretor da Mineração Onça Parda – sindijoiasajomig@fiemg.com.br






