Levantamento da FGV Educação e dados do Inep mostram que estratégias específicas para cada área e desenvolvimento da leitura crítica elevam o desempenho dos candidatos
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Com o Enem 2025 se aproximando, muitos estudantes enfrentam o desafio de preparar-se para uma prova que vai além da simples memorização. O exame, considerado o principal meio de acesso ao ensino superior no Brasil, exige habilidades que envolvem interpretação, raciocínio e contextualização em quatro grandes áreas do conhecimento: Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Matemática.
Um levantamento recente, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV Educação), em fevereiro de 2024, analisou o desempenho de mais de 7 mil estudantes de diferentes regiões do país.
A pesquisa acompanhou rotinas de estudo durante seis meses e concluiu que candidatos que adotaram estratégias direcionadas para cada área obtiveram em média 20% mais acertos que aqueles que seguiram uma preparação geral. O estudo destacou também a importância da leitura crítica para o êxito, especialmente nas provas de Linguagens e Redação.
Linguagens e Códigos
Segundo o Relatório Pedagógico do Inep de 2023, aproximadamente, 78% das questões de Linguagens e Códigos cobram habilidades relacionadas à interpretação de textos de diversos gêneros, como editoriais, poemas e charges. Esta competência é ainda mais importante, porque os textos de apoio da redação exigem compreensão detalhada, para que o candidato possa construir um argumento consistente.
Dados da mesma pesquisa da FGV reforçam que estudantes que dedicaram parte do tempo de estudo para leitura crítica e análise textual tiveram desempenho 25% superior nesta área. Por isso, a leitura diária de diferentes formatos de texto ajuda a desenvolver a capacidade de entender o sentido implícito, reconhecer recursos linguísticos e argumentativos e, sobretudo, a pensar criticamente.
Ciências Humanas
As questões de Ciências Humanas combinam História, Geografia, Filosofia e Sociologia. O Inep aponta que cerca de 64% das perguntas desta área envolvem análise de documentos históricos, gráficos, mapas e contextos sociais. O exame prioriza a compreensão das relações entre acontecimentos e suas consequências, estimulando o pensamento crítico.
Um estudo da Universidade de São Paulo (USP), divulgado em janeiro de 2024, mostrou que estudantes que incorporaram análises de notícias atuais em seus estudos conseguiram estabelecer conexões mais precisas nas provas, o que refletiu em uma melhora média de 18% na nota da área.
Ciências da Natureza
A prova de Ciências da Natureza, que inclui Biologia, Química e Física, costuma cobrar a aplicação do conhecimento em situações do cotidiano. Pesquisa da FGV Educação indicou que candidatos que fizeram pelo menos dois simulados mensais focados em questões contextualizadas obtiveram 17% mais acertos.
Além disso, o levantamento revelou que compreender gráficos e esquemas científicos faz diferença: 72% das questões envolvem interpretação destes recursos, reforçando a importância da prática constante com materiais visuais.
Matemática
Matemática representa um desafio para muitos, mas o exame valoriza principalmente o raciocínio lógico aplicado a problemas reais. O Instituto Reúna analisou as provas de 2023 e verificou que 85% das questões exigiam interpretação de situações práticas, como finanças pessoais e estatística.
Estudantes que equilibraram resolução de problemas com revisão teórica, especialmente em temas como porcentagem, geometria e estatística, apresentaram desempenho 22% melhor, segundo a pesquisa da FGV Educação.
A interpretação de texto como eixo transversal
A leitura crítica é a base para o bom desempenho no Enem. O Inep destaca que esta habilidade está presente em todas as áreas e na redação. Realizar ainterpretação de texto, além de compreender enunciados, textos motivadores e dados gráficos, não apenas aumenta a precisão nas respostas como também contribui para a elaboração de argumentos sólidos na redação.
Praticar a leitura diária de textos variados, fazer resumos e discutir os temas estudados são estratégias simples que, segundo especialistas, fazem a diferença ao longo da preparação.






