Ciência que se sente com as mãos
Sophia Araújo – AGIR/UFRN
Fotos: Cícero Oliveira – Agecom/UFRN
A dependência de imagens em disciplinas científicas ainda representa um grande desafio para estudantes com deficiência visual. Pensando em ampliar o acesso ao conhecimento, pesquisadores desenvolveram um dispositivo patenteado que permite transformar imagens e esquemas em representações táteis, facilitando o aprendizado em áreas tradicionalmente visuais.
A tecnologia consiste em uma base produzida em silicone, criada especificamente para a confecção de desenhos táteis e da escrita em braille. Com ela, é possível converter imagens bidimensionais, como lâminas histológicas utilizadas em aulas de microscopia, em estruturas em relevo que podem ser exploradas pelo tato.
O recurso permite representar diferentes elementos celulares e teciduais que normalmente só podem ser observados ao microscópio. Dessa forma, conteúdos que antes dependiam exclusivamente da visão passam a ser acessíveis também por meio da percepção tátil.

De acordo com os inventores, a proposta surgiu da necessidade de tornar o ensino mais inclusivo, especialmente em disciplinas científicas. “Sem esse tipo de adaptação, o estudante com deficiência visual acaba dependendo apenas de descrições verbais, o que pode limitar a compreensão de estruturas microscópicas complexas”, explica o pesquisador Isaac Bezerra.
Características e vantagens
A base de silicone foi pensada para ser simples e funcional. O material permite a produção de desenhos em relevo que podem representar desde células e tecidos até esquemas e diagramas utilizados em diferentes áreas do conhecimento.
Entre as principais vantagens do dispositivo está o baixo custo de produção. Diferentemente de modelos tridimensionais de alta precisão ou equipamentos importados, o uso do silicone torna o material mais acessível e fácil de replicar em ambientes educacionais. “A ideia foi criar uma solução que pudesse ser reproduzida de forma prática por professores e instituições de ensino, sem depender de tecnologias caras ou de difícil acesso”, destacam os inventores.

Além do custo reduzido, o material também oferece durabilidade e facilidade de higienização. Por ser flexível e lavável, o dispositivo pode ser utilizado repetidamente em sala de aula, suportando o manuseio constante por diferentes estudantes.
Outra característica importante é a versatilidade. Professores e monitores podem produzir rapidamente materiais didáticos adaptados, ajustando os desenhos e esquemas de acordo com o conteúdo de cada aula.
Aplicação em diferentes contextos
Embora tenha sido pensado inicialmente para disciplinas como Microscopia e Histologia, o dispositivo possui potencial de aplicação em diferentes contextos educacionais. Ele pode ser utilizado tanto no ensino superior quanto na educação básica, ampliando as possibilidades de ensino inclusivo.

O desenvolvimento da tecnologia contou com a colaboração de pesquisadores vinculados ao Departamento de Engenharia de Materiais, ao LabPol (Laboratório de Materiais Poliméricos) e à Facisa (Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi), além do Grupo de Pesquisa em Tecnologia e Educação Inclusiva, que atua na criação de soluções voltadas à acessibilidade no ensino.
A inovação foi desenvolvida pelos pesquisadores Isaac de Santana Bezerra, Edson Noriyuki Ito, Kleison José Medeiros Leopoldino, Bismarck Luiz Silva, Albanizia Ferreira Campelo e João Marcelo Silva de Lima. Para o grupo, iniciativas como essa ajudam a democratizar o acesso ao conhecimento e reforçam a importância de desenvolver tecnologias que tornem a educação científica cada vez mais acessível e inclusiva. LEIA NO PORTAL UFRN






