Dia Mundial do Livro Infantil: escritora e biblioterapeuta destaca a importância da leitura na era digital

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Clara Haddad é escritora, narradora de histórias e biblioterapeuta luso-brasileira Divulgação

Data, celebrada em 2 de abril, homenageia o autor Hans Christian Andersen e reforça o papel dos livros no desenvolvimento infantil

Em um mundo dominado por telas, notificações e conteúdos rápidos, como os reels, a celebração do Dia Mundial do Livro Infantil, em 2 de abril, reforça a importância da leitura na infância. Em contraste com os estímulos digitais — que tendem a fragmentar e acelerar a atenção —, os livros oferecem às crianças a oportunidade de imaginar, concentrar-se e refletir, aspectos fundamentais para o desenvolvimento emocional, o fortalecimento de vínculos e a compreensão do mundo ao redor.

A escolha da data é uma homenagem a Hans Christian Andersen, autor de clássicos como A Pequena Sereia e O Patinho Feio. A celebração foi instituída em 1967 pelo International Board on Books for Young People (IBBY), com o objetivo de incentivar o prazer pela leitura desde a infância e destacar o papel dos livros na formação das crianças.

Mais do que uma data simbólica, o Dia Mundial do Livro Infantil convida à desaceleração e à valorização da leitura como experiência significativa. Em meio à rotina acelerada, o livro se apresenta como um espaço de atenção plena, onde imaginar, escutar e construir sentidos se tornam possíveis.

A leitura na infância vai além do desenvolvimento cognitivo: trata-se, sobretudo, de uma experiência de construção interior. Por meio das histórias, a criança organiza emoções, desenvolve empatia e experimenta diferentes formas de existir. Nesse contexto, a narração oral ressurge com força, promovendo encontros vivos e diretos, sem a mediação de telas, nos quais a presença, a escuta e o ritmo estimulam a participação e o imaginário.

Para a escritora, narradora e biblioterapeuta luso-brasileira Clara Haddad, ler é mais do que uma habilidade: é uma vivência. “Contar uma história não é apenas relatar fatos; é criar uma experiência sensível que envolve corpo, mente e emoção”, afirma.

Segundo Clara Haddad, a biblioterapia tem ganhado espaço entre educadores e famílias ao propor a literatura como ferramenta de cuidado emocional. A partir da escolha cuidadosa de livros, medos, inseguranças e desafios cotidianos podem ser trabalhados de forma simbólica, abrindo caminhos para o diálogo e fortalecendo vínculos afetivos.

Nesse contexto, surgem iniciativas como o projeto “Livro em Movimento”, promovido pela Associação Brasileira de Biblioterapia. A proposta consiste em deixar livros em espaços públicos acompanhados de mensagens que convidam à pausa e ao encontro. Ao circularem entre diferentes leitores, os exemplares constroem uma rede silenciosa de partilha e conexão por meio das histórias.

Com uma trajetória de mais de três décadas entre Brasil e Portugal, Clara Haddad integra esse movimento de valorização da leitura como experiência viva. Escritora, narradora e biblioterapeuta, além de membro da Associação Brasileira de Biblioterapia, desenvolve um trabalho que transita entre a criação artística e a mediação de leitura, formando leitores e mediadores em diferentes contextos. Reconhecida em 2015 como a melhor narradora de língua portuguesa da Europa, sua atuação reforça a literatura como um espaço de encontro — consigo, com o outro e com o imaginário.

Diante de um cenário em que as telas competem constantemente pela atenção, o desafio não é eliminá-las, mas garantir que a leitura permaneça como parte essencial da infância. Mais do que nunca, é fundamental assegurar o acesso das crianças às histórias, à convivência e ao poder transformador das palavras.

Sobre Clara Haddad

Clara Haddad é escritora, narradora de histórias e biblioterapeuta. Atua entre Brasil e Portugal, onde desenvolve projetos e formações. Fundadora da Escola de Narração Itinerante e da Fábrica das Histórias — editora independente portuguesa especializada em literatura infantil —, já impactou mais de 60 mil pessoas em eventos literários internacionais.

Com atuação em mais de 12 países, também colaborou como consultora para empresas como IBM e Toyota, além da Associação Portuguesa de Hipnoterapia, aplicando técnicas de narração e biblioterapia em contextos corporativos.

Entre os reconhecimentos recebidos estão o prêmio de Melhor Narradora de Língua Portuguesa da Europa (2015), o Troféu Baobá (2020) e a indicação como finalista do Iberian Awards (2023). Integra a Bolsa de Mediadores de Leitura do PNL2027 (Portugal) e participou de programas infantis na televisão brasileira.

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