Estudo conduzido por pesquisadores da USP observou redução de 29% no escore de sintomas depressivos entre pessoas idosas que participaram de um programa de estimulação cognitiva
Quando se fala em saúde mental, é comum que a discussão se concentre em transtornos, diagnósticos e tratamentos. No entanto, o cuidado com o bem-estar emocional também envolve hábitos cotidianos relacionados à saúde cerebral, à autonomia, à convivência social e à manutenção de uma vida intelectualmente ativa.
Um estudo conduzido por neurocientistas e gerontólogos da Universidade de São Paulo (USP) amplia essa discussão. A pesquisa acompanhou 207 pessoas idosas sem comprometimento cognitivo ou demência durante 24 meses. O grupo de estimulação cognitiva participou de 72 sessões semanais ao longo de 18 meses. Entre os participantes desse grupo, foram observadas redução de 29% no escore de sintomas depressivos, diminuição de 60% nas queixas cognitivas e melhora de aproximadamente 45% no desempenho em teste de memória.
Os resultados ganham relevância no contexto do Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado em 10 de outubro, ao indicar uma possível relação entre saúde cognitiva, percepção de qualidade de vida e bem-estar emocional. O estudo não avaliou a estimulação cognitiva como tratamento para depressão: os participantes não tinham depressão no início da pesquisa, e a redução observada se refere a sintomas depressivos medidos por uma escala.
“A estimulação cognitiva pode ser iniciada em qualquer idade, como proteção para a saúde cognitiva, sendo um recurso não-farmacológico preventivo”, afirma Thaís Bento Lima-Silva, gerontóloga, professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP e uma das pesquisadoras responsáveis pelo estudo.
A pesquisadora também destaca que os participantes do grupo de estimulação cognitiva apresentaram melhora na percepção da qualidade de vida.
Saúde cerebral como hábito ao longo da vida
Essa discussão também ajuda a desfazer a ideia de que o cuidado com o cérebro deve começar apenas quando surgem dificuldades de memória ou outros sinais de alteração cognitiva. Assim como a atividade física, a alimentação equilibrada e o sono adequado, atividades que desafiam diferentes habilidades cognitivas podem integrar uma rotina voltada à saúde cerebral.
A estimulação cognitiva propõe desafios que mobilizam diferentes funções, como memória, atenção, raciocínio e funções executivas. No estudo da USP, o programa compreendeu 72 sessões semanais ao longo de 18 meses e combinou o uso do ábaco, exercícios com lápis e papel, jogos de cartas e de tabuleiro, dinâmicas em grupo e uma plataforma on-line de jogos cognitivos.
Essa abordagem reforça que a saúde cerebral é construída ao longo da vida e não deve ser associada apenas ao envelhecimento ou ao surgimento de dificuldades cognitivas.
Saúde mental e saúde cerebral
No envelhecimento, aspectos como cognição e bem-estar emocional estão integrados. Queixas de memória e as dificuldades percebidas no desempenho cognitivo podem afetar a confiança e a autonomia. Por outro lado, atividades intelectualmente estimulantes podem favorecer o engajamento e a participação social.
No estudo da USP, além da redução dos sintomas depressivos, os pesquisadores observaram melhora na memória, na fluência verbal, nas funções executivas e na cognição global, assim como na percepção do próprio funcionamento cognitivo, promovendo possibilidades de um envelhecimento ativo.
“Quando falamos em envelhecimento saudável, precisamos considerar não apenas a ausência de doenças, mas também a manutenção da autonomia, da independência, da participação social e da qualidade de vida”, explica Patrícia Lessa, diretora pedagógica do Supera.
Nesse contexto, a estimulação cognitiva pode ser considerada uma estratégia de promoção da saúde cognitiva. Ela não substitui o acompanhamento médico ou psicológico quando necessário.
Sobre o estudo
O trabalho foi conduzido por pesquisadores do Departamento de Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH-USP) e do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP). O estudo acompanhou 207 pessoas idosas sem comprometimento cognitivo ou demência durante 24 meses.
Os participantes foram distribuídos aleatoriamente em três grupos: estimulação cognitiva (65 participantes), controle ativo (63) e controle passivo (79). O grupo de estimulação cognitiva participou do método Supera em 72 sessões semanais durante 18 meses; o grupo controle ativo recebeu educação sobre saúde e estilo de vida; e o grupo controle passivo não recebeu intervenção.
O estudo foi financiado pelo Instituto Supera de Educação e conduzido por pesquisadores da USP, que lideraram o trabalho científico e as análises. O artigo também descreve, na declaração de conflitos de interesse, relações profissionais de algumas autoras com o Instituto.
Fonte completa da pesquisa
DA SILVA, Thais Bento Lima et al. SUPERA® Cognitive Stimulation Study – effectiveness of a multi-component cognitive stimulation program for cognitively unimpaired older adults: a randomized controlled clinical trial. International Psychogeriatrics, 2026. DOI: 10.1016/j.inpsyc.2025.100178.
O que é o Supera?
O Supera é uma empresa educacional de estimulação cognitiva brasileira, sediada em São José dos Campos e com mais de 250 unidades em todo território nacional. Fundada há 20 anos, possui metodologia pioneira, focada na prevenção e validada por estudo científico conduzido por pesquisadores da USP, responsável por desenvolver habilidades cognitivas e socioemocionais fundamentais para a vida diária de crianças, adolescentes, adultos e idosos. O método oferece atividades variadas, que envolvem novidades e desafios, adequadas às diferentes faixas etárias.





