DHS declara guerra aos golpes de imigração

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Imagem: IA

Ofensiva do governo americano contra fraudadores que usam até inteligência artificial para enganar imigrantes acende alerta para brasileiros com processos migratórios nos Estados Unidos.

O governo dos Estados Unidos decidiu intensificar o combate aos golpes que têm como alvo imigrantes.O Departamento de Segurança Interna (Department of Homeland Security – DHS) anunciou uma “guerra total” contra criminosos que se passam por advogados, agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) e até representantes de organizações beneficentes para aplicar fraudes que já provocaram prejuízos milionários e, em alguns casos, levaram vítimas à deportação.

A decisão foi tomada após uma investigação da ProPublica — organização americana de jornalismo investigativo sem fins lucrativos reconhecida por reportagens de interesse público — revelar um crescimento expressivo desse tipo de crime desde o início do segundo mandato do presidente Donald Trump.

O levantamento, baseado em dados da Federal Trade Commission (FTC) — agência federal dos Estados Unidos responsável pela proteção do consumidor e pelo combate a fraudes — identificou mais de 6.200 denúncias relacionadas a golpes de imigração registradas nos últimos cinco anos, com prejuízos estimados em US$ 94,4 milhões.

Segundo a reportagem, o número de reclamações praticamente dobrou desde a reeleição de Trump. Para especialistas ouvidos pela ProPublica, o endurecimento da política migratória americana, o aumento das operações do ICE e a insegurança vivida por milhares de estrangeiros criaram um ambiente propício para a atuação de organizações criminosas que prometem soluções rápidas para problemas migratórios.

Na avaliação do advogado de imigração Dr. Vinícius Bicalho, licenciado nos Estados Unidos, Brasil e Portugal e professor de pós-graduação em Direito Migratório, esse cenário exige ainda mais cautela por parte de quem possui processos de visto, green card ou qualquer outro benefício imigratório em andamento.

“Sempre que há mudanças importantes na política migratória, aumenta também o número de pessoas tentando lucrar com o medo e a ansiedade dos imigrantes. Os golpistas sabem exatamente quais são as principais preocupações dessas pessoas e oferecem soluções aparentemente simples para problemas que, na realidade, exigem acompanhamento jurídico sério e qualificado.”

Fraudes podem comprometer o próprio processo migratório

Muito além dos prejuízos financeiros, os golpes podem provocar consequências graves para a situação migratória das vítimas.

A investigação cita casos de pessoas que perderam audiências oficiais após seguirem orientações falsas, entregaram documentos pessoais a criminosos, deixaram de cumprir exigências das autoridades americanas e tiveram seus processos prejudicados.

Um dos episódios relatados envolve uma mulher da Nicarágua que, temendo as operações de fiscalização conduzidas pelo governo americano, procurou ajuda para manter sua permanência legal nos Estados Unidos. Depois de pagar aos fraudadores, ela recebeu instruções incorretas, perdeu uma audiência judicial e acabou deportada.

A repercussão da reportagem levou a Homeland Security Investigations (HSI) — divisão de investigações do Departamento de Segurança Interna especializada no combate a organizações criminosas transnacionais — a ampliar os esforços para identificar os responsáveis pelos esquemas. Segundo autoridades americanas, investigadores estão rastreando sites, perfis em redes sociais, números de WhatsApp e contas utilizadas em aplicativos de pagamento, como o Zelle, para localizar os fraudadores.

“O prejuízo não é apenas financeiro. Dependendo da orientação recebida, a vítima pode perder prazos processuais, deixar de comparecer a audiências oficiais ou tomar decisões que comprometem diretamente seu processo migratório. Em determinadas situações, isso pode resultar em anos de atraso ou até na perda da oportunidade de obter um benefício imigratório”, alerta o Dr. Vinícius Bicalho.

Como os criminosos conseguem convencer as vítimas

Segundo a investigação, os golpistas costumam iniciar o contato por meio de anúncios publicados em redes sociais como Facebook, Instagram e TikTok, oferecendo ajuda para obtenção de vistos, green card, autorização de trabalho, renovação de documentos, regularização migratória e até defesa contra processos de deportação.

Depois do primeiro contato, a conversa normalmente é transferida para o WhatsApp. É nesse momento que os criminosos passam a enviar documentos com aparência oficial, utilizam linguagem técnica, simulam etapas de processos migratórios e solicitam pagamentos, geralmente por aplicativos como o Zelle.

Em muitos casos, as vítimas acreditam estar conversando diretamente com advogados de imigração, servidores do governo americano ou representantes de instituições reconhecidas. O próprio DHS informou que passou a buscar URLs, números de WhatsApp e dados de contas utilizadas em aplicativos de pagamento para tentar identificar os integrantes dessas quadrilhas.

Para Bicalho, um dos sinais mais evidentes de fraude é justamente a tentativa de conduzir toda a negociação por aplicativos de mensagens, acompanhada de promessas de aprovação rápida ou de pressão para pagamentos imediatos.

“Nenhum advogado sério resolve um processo migratório exclusivamente pelo WhatsApp ou promete resultados garantidos. Sempre que houver pressão para pagamentos imediatos, promessas de aprovação ou orientação para ignorar procedimentos oficiais, o interessado deve interromper imediatamente o contato e buscar orientação jurídica qualificada.”

Inteligência artificial amplia a sofisticação dos golpes

Outro aspecto que chamou a atenção das autoridades americanas foi a utilização crescente de inteligência artificial para tornar as fraudes ainda mais convincentes.

Segundo a ProPublica, criminosos passaram a produzir vídeos extremamente realistas utilizando a imagem de advogados verdadeiros para atrair vítimas.

No sul da Flórida, por exemplo, o advogado de imigração Angel Leal descobriu centenas de vídeos produzidos com inteligência artificial reproduzindo sua imagem, sua voz e seus gestos para oferecer supostos serviços jurídicos. O escritório precisou contratar uma empresa especializada para remover o conteúdo e milhares de perfis falsos das redes sociais.

Embora apresentem pequenas imperfeições — como movimentos labiais incompatíveis com a fala, textos sem sentido em documentos exibidos na tela ou objetos distorcidos ao fundo —, os vídeos podem facilmente convencer pessoas que estão aflitas para resolver sua situação migratória.

Na avaliação do especialista, a tecnologia tornou os golpes muito mais difíceis de identificar apenas pela aparência.

“A inteligência artificial elevou o grau de sofisticação desses golpes. Hoje, um vídeo aparentemente profissional ou um perfil muito bem produzido nas redes sociais não são suficientes para comprovar que aquele profissional realmente existe ou está habilitado para atuar. A conferência das credenciais continua sendo indispensável”, ressalta.

Como verificar se o profissional é realmente habilitado

Além de reforçar as investigações, o DHS passou a orientar os imigrantes sobre como evitar fraudes. Entre as recomendações estão desconfiar de promessas de resultados garantidos, confirmar se o advogado está regularmente habilitado para atuar, guardar anúncios, mensagens, comprovantes de pagamento e outros registros das conversas, além de denunciar qualquer suspeita às autoridades americanas.

A orientação também vale para abordagens feitas por telefone, e-mail, redes sociais ou aplicativos de mensagens. Em muitos casos, os criminosos utilizam nomes de advogados verdadeiros, copiam logotipos de escritórios conhecidos e reproduzem documentos oficiais para transmitir credibilidade.

Segundo Bicalho, antes de contratar qualquer serviço é fundamental verificar se o profissional realmente possui licença para exercer a advocacia na jurisdição em que atua e se o caso será acompanhado por alguém efetivamente habilitado.

“Quem pretende iniciar ou dar continuidade a um processo migratório deve sempre confirmar as credenciais do profissional, verificar seu histórico de atuação e desconfiar de qualquer promessa de resultado garantido. O Direito Migratório envolve procedimentos complexos e cada caso precisa ser analisado individualmente.”

Medo acaba favorecendo a ação dos criminosos

A ofensiva anunciada pelo governo americano ocorre em um momento de forte endurecimento da fiscalização migratória. Operações do ICE, mudanças nas políticas de imigração e o aumento da insegurança entre estrangeiros têm levado muitas pessoas a buscar soluções rápidas para regularizar sua situação.

Na avaliação do advogado, é justamente nesse ambiente de incerteza que os golpistas encontram espaço para agir.

“Quanto maior a insegurança das pessoas, maior também a oportunidade para quem tenta explorar esse sentimento. É compreensível que muitos imigrantes fiquem apreensivos diante de mudanças nas políticas migratórias, mas decisões importantes jamais devem ser tomadas com base em pressão, medo ou promessas fáceis.”

Para ele, a melhor forma de reduzir os riscos continua sendo buscar informações em fontes oficiais e contar com orientação jurídica especializada desde o início do processo.

Investigações devem continuar

Segundo o DHS, a atuação contra as organizações criminosas será ampliada nos próximos meses. A Homeland Security Investigations (HSI) informou que seguirá identificando sites, perfis em redes sociais, números de telefone, contas de aplicativos de pagamento e outros meios utilizados para aplicar os golpes

A expectativa das autoridades americanas é interromper a atuação das quadrilhas e evitar que novos imigrantes sejam vítimas das fraudes.

A iniciativa representa um avanço importante, mas não elimina a necessidade de prevenção por parte dos próprios

“A atuação das autoridades é fundamental, mas nenhum sistema consegue impedir todos os golpes. A informação continua sendo a principal ferramenta de proteção. Antes de fornecer documentos pessoais, realizar pagamentos ou seguir qualquer orientação relacionada ao seu processo migratório, procure confirmar se ela realmente parte de uma fonte legítima”, conckui Dr. Vinícius Bicalho.

Quem é Vinícius Bicalho

• Advogado licenciado nos EUA, Brasil e Portugal;

• Sócio fundador da Bicalho Legal Consulting P.A.;

• CEO da Bicalho Consultoria Legal;

• Mestre em Direito nos EUA pela University of Southern California;

• Mestre em Direito no Brasil pela Faculdade de Direito Milton Campos (MG);

• Membro da AILA – American Immigration Lawyers Association;

• Responsável pelo Guia de Imigração da AMCHAM;

• Professor de pós-graduação em Direito Migratório;

• Fundador do Beyond Borders, programa de internacionalização de carreiras jurídicas para advogados brasileiros;

• O único advogado brasileiro citado na lista de “profissionais confiáveis” dos principais jornais americanos, como The New York Times, The Wall Street Journal, The Washington Post, USA Today e Los Angeles Times.

Sobre a Bicalho Consultoria Legal

Com atuação internacional há mais de duas décadas, a Bicalho Consultoria Legal é especializada em imigração, negócios internacionais e internacionalização de carreiras, prestando assessoria jurídica a brasileiros que buscam oportunidades nos Estados Unidos e em Portugal.

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