Copa do Mundo movimenta o universo infantil por meio de experiências coletivas

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Entusiasmo pelo futebol estimula a convivência, descobertas e aprendizado entre as crianças

Faltam poucos dias para o início da Copa do Mundo de 2026, o maior e mais esperado torneio de futebol masculino. Nesta edição inédita, a competição será sediada em três países: Estados Unidos, Canadá e México, entre os dias 11 de junho e 19 de julho. À medida que a estreia se aproxima, o entusiasmo toma conta de crianças e adolescentes.

Para a psicopedagoga e escritora infantojuvenil Paula Furtado, a Copa transcende o futebol e mostra que pessoas do mundo inteiro podem se unir em torno de algo coletivo para tornar valiosa a experiência de interação, curiosidade e aprendizado para as crianças. “A escola pode estudar o futebol como uma linguagem e trabalhar geografia, as culturas dos países, as bandeiras, os idiomas, os hábitos alimentares e até mesmo os aspectos emocionais relacionados a vitórias e derrotas. Já dentro de casa, assistir aos jogos em família gera memórias afetivas significativas e fortalece os vínculos”, explica.

A Copa também amplia olhar para o mundo. A criança começa a perceber que existem diferentes formas de viver, falar, torcer, comer e se vestir. E muitas passam a se interessar espontaneamente por diversos assuntos. “Quando o aprendizado nasce da descoberta, ele se torna muito mais significativo”, reforça.

Equilíbrio entre diversão, consumo e aprendizado

O evento favorece assuntos de interesses comuns, como a troca e a coleção de figurinhas do álbum. “Nessa atividade, há a vivência concreta e expectativa positiva. Desembrulhar o pacote envolve elementos de surpresa e a socialização. Além disso, a criança exercita a espera, a negociação, a persistência, a tolerância, e a capacidade de lidar com a frustração, o que é extremamente saudável no desenvolvimento emocional e no fortalecimento da resiliência”, pontua a profissional.

Contudo, para não prejudicar os estudos, Paula ressalta que a escola pode estabelecer combinados durante os jogos. Por exemplo, algumas instituições de ensino restringem ou proíbem o uso de álbuns de figurinhas. “Com orientação, horários definidos e regras, é possível converter esse interesse em algo construtivo e educativo, já que o álbum estimula a organização, memória visual, atenção, percepção, planejamento e até raciocínio matemático durante as trocas”, destaca.

Paula afirma ser importante que pais e educadores acolham os sentimentos das crianças diante de comparações ou frustrações relacionadas ao álbum de figurinhas, sem minimizar suas emoções. E destaque que participar não depende, necessariamente, de completar a coleção, e que incentivar ambientes mais cooperativos do que competitivos contribui para fortalecer a empatia, a convivência e o senso de pertencimento entre as crianças e os adolescentes.

Na infância, o Mundial pode ser vivido com encantamento sem cair no consumismo exagerado, e isso acontece quando a criança aprende a valorizar mais a experiência do que o acúmulo de produtos. Ela não precisa ter todos os itens relacionados ao torneio para se sentir incluída, e o período pode ser aproveitado com atividades criativas, pesquisas, brincadeiras, desenhos, ouvir histórias sobre Copas antigas, conversas e tempo com os familiares.

Diálogos enriquecedores também são bem-vindos. Paula enfatiza que a principal regra é não vincular a Copa do Mundo somente ao desempenho ou à competição, e sim mostrar que o futebol também pode transmitir valores como amizade, colaboração, respeito, disciplina e perseverança.

@paulafurtadopf

Sobre Paula Furtado

Paula é pedagoga, formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com especialização em Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia (Facon-SP), Educação Especial, Arte de Contar Histórias e Arteterapia pelo Instituto Sedes Sapientiae e Leitura e Escrita, também pela PUC-SP. A profissional já atuou como assessora pedagógica em escolas públicas e particulares.

Paula Furtado atende crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizado, incluindo casos complexos envolvendo traumas e situações de vulnerabilidade emocional. Nesta área da educação, a pedagoga ministra cursos para formação de educadores nas instituições de ensino público e particular e realiza palestras para pais sobre a importância de contar histórias.

Autora de mais de 100 livros infantojuvenis e criadora de jogos pedagógicos inovadores, Paula também escreve para revistas especializadas em educação e infância. A especialista em educação exerceu a função de coordenadora e supervisora psicopedagógica em diversas publicações infantis (Contos de fadas, Lendas e Folclore) com Girassol Brasil e MSP Estúdios.

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