Primeiro boleto com reajuste da Neoenergia Cosern chega em maio: indústria sente alta de 10,90% e pequeno comércio, de 3,74%
O empreendedor potiguar começa a sentir agora um aumento na conta de luz. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou em abril o reajuste anual da Neoenergia Cosern, distribuidora de energia do Rio Grande do Norte, e o efeito está chegando aos boletos de maio, conforme o ciclo de leitura de cada cliente é fechado. A média do aumento é de 5,40%, mas a conta sobe de forma diferente para cada perfil de cliente: 10,90% para indústrias e comércio de médio e grande porte, 3,74% para pequenos comércios e prestadores de serviço, e o mesmo 3,74% para casas fora da tarifa social.
O peso maior cai sobre uma economia movida por pequenos negócios. Segundo o boletim Pequenos Negócios em Números 2025, do Sebrae-RN, o estado tem 274.717 pequenas empresas ativas, que respondem por 36,6% do PIB potiguar e por 98,14% dos empregos formais gerados até novembro de 2025. Desses, 206,7 mil estão no Simples Nacional.
A Neoenergia Cosern atende 1,6 milhão de clientes em 167 municípios e fatura R$ 3,58 bilhões por ano. O reajuste vem depois de um ano de queda: em 2025, a tarifa tinha recuado 0,32%. A ANEEL diz que a alta deste ano vem de custos de transmissão, compra de energia e encargos do setor elétrico.
A pressão pega um perfil de cliente que não está nos descontos da Tarifa Social de Energia Elétrica nem do Programa Luz do Povo, que são para famílias de baixa renda. O pequeno comércio, a oficina, a padaria, o pet shop e a clínica pequena absorvem o reajuste por inteiro. O ambiente também tem registrado conflitos sobre a energia solar no estado. Em 27 de abril, a 5ª Vara Cível de Mossoró suspendeu cobranças da Cosern contra um consumidor com sistema solar, sob alegação de que a distribuidora estava errando no desconto da energia gerada.
Para Renata Feijó, fundadora da Liora Energia, o reajuste mostra uma situação estrutural do cliente brasileiro. “O consumidor é muito refém desse custo. Ano contra ano, a gente vê aumentos expressivos na conta de luz, e isso pesa na economia, na qualidade de vida e nas empresas. O primeiro passo é entender que existem alternativas”, afirma.
Uma decisão recente do governo federal pode mudar parte do jogo: a Medida Provisória 1.300/2025 marcou para 1º de agosto de 2026 o início da abertura do mercado livre de energia para pequenos comércios, prestadores de serviço e indústrias. Para o empreendedor potiguar, é a primeira oportunidade real de escolher de quem comprar energia. “Sempre que existe mais competição e um olhar atento para o cliente, a dinâmica do mercado melhora. O que se vê hoje da própria ANEEL é uma busca de modernização que coloca o cliente no centro dessa relação”, diz Renata.
Alternativas para a conta de luz começam a aparecer
Para a fundadora, o caminho passa por modelos que já funcionam fora da tarifa tradicional. “A gente entendeu que dá para usar um modelo de geração distribuída, que é basicamente uma usina solar, e distribuir esse crédito para os nossos clientes. Mas mais do que isso, a gente quer aumentar o potencial de compra desse cliente. Então a gente dá o desconto na conta e ele pode usar esse desconto para financiar outros benefícios que queira, como um crédito mais barato”, afirma. A Liora atende pequenas empresas, grandes empresas e clientes residenciais em quase todo o país.
A janela entre o reajuste de abril e a abertura do mercado livre, em agosto, é o intervalo em que os 274 mil pequenos negócios do estado seguem presos à tarifa única da Cosern, sem outra opção de fornecedor. Em 2025, o Rio Grande do Norte chegou a mais de 33 mil sistemas de energia solar pequenos instalados, segundo a Associação Potiguar de Energia Renovável (APER), alta de 91% em dois anos. Esse modelo segue como principal alternativa contratada por quem quer reduzir a exposição à conta de luz tradicional antes da abertura.






