Confira 6 práticas pedagógicas para aproveitar o mundial de futebol na escola 

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Especialistas mostram como o maior torneio esportivo do mundo pode se tornar um aliado no ensino de diferentes disciplinas e no desenvolvimento integral dos estudantes 

A Copa mobiliza milhões de pessoas ao redor do planeta e, dentro das escolas, pode se transformar em uma poderosa ferramenta de aprendizagem. Além de despertar o interesse dos estudantes, o evento permite trabalhar conteúdos de diferentes disciplinas, estimular competências socioemocionais e ampliar o repertório cultural dos alunos. Nesse contexto, especialistas explicam como aproveitar o mundial de futebol para enriquecer o processo de ensino e aprendizagem. Confira: 

1. Transformar em uma ferramenta pedagógica interdisciplinar 

A Copa oferece inúmeras possibilidades para conectar diferentes áreas do conhecimento de forma prática e contextualizada. O evento pode servir como ponto de partida para projetos que envolvem pesquisa, cultura, esportes e cidadania, tornando o aprendizado mais significativo para os estudantes. 

No Colégio Américo de Oliveira, parceiro da Rede Pitágoras, por exemplo, os alunos representam diferentes países em competições esportivas e desenvolvem pesquisas sobre aspectos históricos, geográficos, culturais e linguísticos das nações participantes. A iniciativa envolve disciplinas como Educação Física, História, Geografia, Língua Portuguesa, Línguas Estrangeiras e Artes. 

“Por meio de pesquisas, organização de estandes, apresentações e exposições, são desenvolvidas habilidades de investigação, comunicação, expressão artística e trabalho em equipe. Ao mesmo tempo, estimula-se o respeito à diversidade cultural, à solidariedade, à responsabilidade social e ao senso de pertencimento à escola”, destaca Eliana Furtado Cordeiro, coordenadora da instituição. 

Para Francisco Moreira Júnior, professor de História e líder pedagógico da Plataforma Amplia, a chave está em utilizar o interesse dos estudantes pelo futebol para potencializar os conteúdos previstos no currículo. “Esse evento esportivo não deve ser tratado como uma distração, mas sim como o veículo para transmitir os conteúdos obrigatórios. A paixão pelo futebol funciona como a faísca inicial de interesse, enquanto o rigor conceitual das disciplinas é mantido integralmente”, contextualiza. 

2. Colocar a matemática e a estatística em campo 

Os jogos também podem servir de laboratório para o ensino de matemática. Diversos conceitos podem ser explorados a partir de situações presentes nas partidas, tornando o aprendizado mais concreto e próximo da realidade dos alunos. 

A trajetória da bola em determinados chutes pode ajudar a explicar funções matemáticas e parábolas. Já as cobranças de pênalti permitem trabalhar probabilidade, frequência e análise de dados. Os resultados dos jogos também podem ser utilizados para discutir média, mediana e interpretação estatística. “O evento esportivo pode ser uma excelente oportunidade para aproximar conteúdos matemáticos da realidade dos alunos, transformando conceitos abstratos em situações práticas ligadas ao futebol”, afirma Thiago Dutra, professor de Matemática do Colégio Liceu Pasteur Start Anglo Trilingual School. 

Segundo o especialista, até mesmo as dimensões do campo, o tamanho das traves e a distância da marca do pênalti podem servir como base para atividades envolvendo medidas, proporcionalidade e escalas. 

3. Futebol e o ensino de idiomas  

A Copa também pode ser uma aliada no ensino de idiomas. Como reúne pessoas, culturas e meios de comunicação de diferentes países, o evento cria oportunidades para que os estudantes utilizem o inglês em situações reais, como a leitura de notícias internacionais, debates e produções textuais sobre os jogos. 

“No contexto da educação bilíngue, esse tipo de evento mostra aos alunos que o inglês vai além da sala de aula, sendo uma ferramenta essencial para acessar informações, interagir com pessoas do mundo inteiro e participar de discussões globais”, afirma Fabrício da Silva Romão, assessor pedagógico do programa de ensino bilíngue Eduall

Além de ampliar o vocabulário relacionado ao esporte, a proposta pode incluir atividades como simulações de entrevistas, narrações de partidas e diálogos entre torcedores. “Esse tipo de abordagem torna a aprendizagem mais significativa, conectando a língua a situações familiares e motivadoras, favorecendo o desenvolvimento da fluência e da confiança no uso do inglês em contextos práticos”, completa o especialista. 

4. Trabalhar competências socioemocionais por meio do esporte 

Além dos conteúdos acadêmicos, a Copa cria oportunidades para discutir habilidades fundamentais para a convivência em sociedade, como cooperação, empatia, respeito, disciplina e trabalho em equipe. Nas atividades esportivas coletivas, os estudantes aprendem a lidar com regras, responsabilidades e diferentes pontos de vista. Também desenvolvem maior capacidade de adaptação e aprendem a enfrentar tanto vitórias quanto derrotas. 

“Por meio do esporte coletivo, os alunos têm a oportunidade de vivenciar importantes valores e competências socioemocionais, como empatia, cooperação, tomada de decisão, iniciativa e trabalho em equipe”, afirma Eduardo Brito, coordenador de Esportes da unidade Granja Vianna do Colégio Rio Branco

A Copa também pode estimular reflexões sobre identidade, pertencimento e diversidade cultural. Para Victor Pignotti Maielo, líder da área de Educação Física e professor do Ensino Médio da Beacon School, eventos esportivos globais permitem ampliar as discussões para além das quatro linhas. “A partir de eventos esportivos tão relevantes é possível conversar desde a cultura da troca de figurinhas até as demandas físicas e psicológicas de quem participa da competição. As perguntas das crianças ajudam a direcionar investigações e rendem reflexões muito ricas”, diz.  

Na avaliação de Izabella Agra Green Vanzelli, diretora do Colégio Saint Germain, parceiro do programa de educação socioemocional Líder em Mim, o esporte oferece um ambiente privilegiado para desenvolver habilidades essenciais para a vida pessoal e profissional. “A Copa se consolida como um verdadeiro laboratório vivo do comportamento humano. Para além dos resultados, os alunos observam como grandes atletas lidam com a pressão extrema, a frustração do erro, o sucesso e a necessidade premente de trabalho em equipe”, indica.  

5. Incentivar a leitura e promover reflexões sobre diversidade 

O universo esportivo também pode ser utilizado como porta de entrada para a leitura e para discussões sobre temas sociais e culturais. Questões relacionadas à convivência, respeito às diferenças, superação e inclusão aparecem frequentemente em histórias ligadas ao esporte e ajudam a aproximar crianças e adolescentes da literatura. 

Segundo Laura Vecchioli do Prado, coordenadora de Literatura e Informativos do Editorial de Educação Básica da SOMOS Educação, o futebol pode servir como ponto de partida para reflexões importantes dentro e fora da sala de aula. “Valores como empatia e respeito às diferenças podem ser trabalhados usando o evento como gancho. Entre competições, rivalidades e brincadeiras coletivas, o esporte também pode abrir espaço para conversas sobre convivência, diferenças sociais e os desafios da infância e da adolescência.” 

A especialista sugere obras como A grande virada (Editora Ática), Um time muito especial(Editora Atual) e Melhor de três (Editora Ática), que exploram temas relacionados ao esporte e podem enriquecer o debate com os estudantes. 

6. Utilizar como repertório para o Enem 

Além de mobilizar estudantes e professores, o evento esportivo também pode ampliar o repertório sociocultural dos candidatos que se preparam para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Por ser um fenômeno social, cultural e econômico, o futebol permite estabelecer conexões com diferentes temas que costumam aparecer nas propostas de redação. Questões relacionadas à identidade nacional, imigração, diversidade cultural, inclusão social e globalização são alguns exemplos. 

“A redação do Enem se foca, especificamente, em temas de relevância nacional. O tema de imigração e/ou imigrantes no Brasil é um assunto que conversa diretamente com a Copa, por exemplo”, explica Felipe da Costa Rico, analista pedagógico da plataforma Redação Nota 1000

O especialista ressalta, porém, que não basta apenas citar o esporte na redação. É preciso estabelecer uma relação clara entre o repertório utilizado e a tese defendida pelo estudante. “O que diferencia um uso superficial de referências esportivas de um repertório eficaz na redação é a forma como a relação entre o exemplo e o tema é construída. Em um uso eficaz, o repertório é contextualizado e diretamente associado à tese defendida, auxiliando na persuasão do argumento.” 

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