Pílula, preservativo, DIU e métodos definitivos têm características distintas e devem ser escolhidos de acordo com o perfil e os planos de cada pessoa
Preservativos, anticoncepcionais hormonais, implantes, dispositivos intrauterinos (DIUs), métodos definitivos e contracepção de emergência fazem parte das opções de métodos contraceptivos disponíveis no Brasil. Embora tenham mecanismos e níveis de eficácia diferentes, nenhum método deve ser escolhido isoladamente.
O histórico de saúde, os planos reprodutivos, a rotina e a necessidade de proteção contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) também entram na avaliação. Por isso, a avaliação de um profissional de saúde ajuda a entender com detalhes cada um e a considerar as características individuais antes da escolha.
Métodos de barreira e preservativos
Os preservativos internos e externos estão entre os métodos de barreira. Eles funcionam fisicamente, dificultando o contato entre espermatozoides e o sistema reprodutivo feminino. Diferentemente de outros contraceptivos, também oferecem proteção contra diversas ISTs.
A médica ginecologista Aline Borges, especialista em Reprodução Humana em seu blog, destaca que a chamada dupla proteção combina um método contraceptivo com a camisinha, o que permite associar a prevenção da gravidez à redução do risco de infecções sexualmente transmissíveis.
Outra característica dos preservativos é a utilização no momento da relação sexual. Isso faz com que o uso correto seja determinante para sua eficácia. No caso da camisinha externa, por exemplo, o Ministério da Saúde registra duas gestações a cada 100 mulheres por ano com uso correto e consistente, contra 13 no uso habitual.
Além dos preservativos, existem outros métodos que não dependem do uso durante a relação. Essa diferença ajuda a explicar por que a rotina e a facilidade de adesão devem entrar na conversa sobre planejamento familiar.
Métodos hormonais e DIU
Os métodos hormonais, por sua vez, atuam principalmente interferindo na ovulação ou modificando o muco cervical, dificultando a fecundação. Entre eles estão as pílulas, os anticoncepcionais injetáveis e o implante subdérmico.
A pílula anticoncepcional, por exemplo, precisa fazer parte da rotina da pessoa para que seu uso seja consistente. Já o implante é colocado sob a pele e libera hormônio de forma contínua, reduzindo a dependência de uma ação diária.
O DIU é um dispositivo colocado no útero. Existem quatro tipos principais disponíveis no Brasil, entre eles opções hormonais como o DIU Mirena, que libera uma pequena quantidade de hormônio levonorgestrel diariamente no útero, e o DIU Kyleena, que é semelhante ao Mirena, mas com uma dosagem menor de hormônio. E os não hormonais, como o de prata e o de cobre, que interferem na ação dos espermatozoides e dificultam a fecundação.
Fatores como idade, condições de saúde, efeitos esperados e rotina devem ser considerados na escolha. Algumas condições de saúde também podem interferir na indicação de determinados contraceptivos hormonais. Por isso, a consulta com ginecologista ou outro profissional habilitado permite avaliar riscos, benefícios e alternativas.
Métodos definitivos e contracepção de emergência
Para pessoas que não desejam ter filhos no futuro, existem métodos contraceptivos definitivos, como a laqueadura tubária e a vasectomia. São procedimentos cirúrgicos e, por isso, envolvem uma decisão diferente daquela relacionada aos métodos reversíveis.
No Brasil, o Ministério da Saúde informa que a legislação estabelece critérios para a realização desses procedimentos. Atualmente, não é necessária a autorização do cônjuge ou parceiro para a realização de laqueadura ou vasectomia.
Há ainda a contracepção de emergência, destinada a situações pontuais nas quais houve uma relação sem proteção ou ocorreu uma falha do método utilizado. Ela não substitui uma estratégia contraceptiva de rotina.
Entre as opções de emergência, a pílula do dia seguinte é indicada apenas para situações pontuais, como falha de outro método, e nunca deve substituir o uso de um contraceptivo de rotina orientado por um profissional de saúde.
A escolha de um método deve considerar, portanto, mais do que sua eficácia isolada. Histórico de saúde, possibilidade de adesão, desejo de engravidar no futuro, frequência das relações e necessidade de proteção contra ISTs são alguns dos aspectos que podem mudar a indicação.
Entre as principais questões a serem avaliadas estão:
- Rotina: o método exige uma ação diária ou periódica?
- Saúde: existem condições que interferem na indicação?
- Planejamento familiar: há intenção de engravidar futuramente?
- Proteção contra ISTs: é necessário utilizar preservativo?
- Preferências pessoais: quais características do método são mais compatíveis com a rotina?
A escolha deve ser baseada em informações claras e científicas, respeitando a autonomia de cada pessoa.
Por isso, em vez de escolher um anticoncepcional apenas pela experiência de outra pessoa ou por informações encontradas na internet, o mais adequado é conversar com um profissional de saúde. A avaliação individual permite entender quais métodos estão disponíveis e quais fazem sentido para cada momento da vida





