Como a Copa do Mundo impacta a saúde mental dos torcedores?

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Crédito: Pedro Albuquerque/UNINASSAU

Especialista explica o motivo desse evento esportivo despertar emoções tão intensas nos brasileiros

A Copa do Mundo possui um significado que transcende o esporte. Para muitos brasileiros, ela representa identidade nacional, pertencimento coletivo e memória afetiva. Historicamente, o futebol funciona como um elemento de integração social, com milhões de pessoas compartilhando expectativas, símbolos, narrativas e emoções em torno de um objetivo comum.

Embora essa energia coletiva seja positiva e fortaleça o senso de pertencimento, também costuma desencadear reações negativas quando não há equilíbrio emocional, como picos de estresse, ansiedade, aumento da pressão arterial, risco de problemas cardíacos, brigas, consumo exagerado de álcool e acidentes. De acordo com Márcia Karine Monteiro, psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da UNINASSAU Recife, campus Graças, é importante preservar a capacidade de autorregulação. “O autocontrole faz a diferença quando a euforia é potencializada e pode sair do controle. O torcedor vibra, comemora, sofre momentaneamente com o resultado, mas consegue manter o senso crítico, respeitar outras pessoas e retomar suas atividades cotidianas sem prejuízos significativos, isso caracteriza o controle emocional. Ensinar as crianças também é algo enriquecedor”.

Ela ainda explica que o descontrole emocional ocorre quando a emoção ultrapassa a capacidade de gerenciamento psicológico do indivíduo. “Nesse cenário, observa-se impulsividade, perda da capacidade de reflexão, explosões de raiva, comportamentos agressivos, crises de ansiedade, alterações intensas de humor e dificuldade de tolerar frustrações. O resultado do jogo passa a determinar de forma desproporcional o estado emocional da pessoa, afetando suas relações familiares, profissionais e sociais”.

Existem diversos indicadores que podem sinalizar uma sobrecarga emocional durante grandes eventos esportivos. Eles são: irritabilidade excessiva antes, durante ou após os jogos; alterações no sono; ansiedade intensa em dias antes das partidas; taquicardia, sudorese excessiva e sensação de falta de ar; e dificuldade de concentração em atividades rotineiras.

De acordo com a psicóloga Márcia Karine, estratégias práticas podem ajudar o público a lidar melhor com o emocional durante os jogos. “Pratique a respiração consciente, evitando respirar de forma ansiosa; mantenha as expectativas realistas e compreenda que o esporte envolve variáveis imprevisíveis; evite o consumo contínuo de notícias, análises e especulações porque costuma aumentar a ansiedade antecipatória; realize pausas durante os jogos, como se levantar, caminhar ou mudar temporariamente o foco da atenção. Isso contribui para reduzir a tensão”.

Apesar da ansiedade, alguns indivíduos reagem de forma mais agressiva durante as partidas, sendo resultado da interação entre fatores psicológicos, sociais e cultural. “Pessoas com menor tolerância à frustração tendem a apresentar maior dificuldade em lidar com resultados adversos. Da mesma forma, quem já possui características de impulsividade, dificuldades de regulação emocional ou histórico de comportamentos agressivos podem manifestar essas características com maior intensidade durante eventos esportivos. Além disso, os pais também precisam ficar alerta ao demonstrarem as emoções, pois as crianças copiam os responsáveis”.

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