Clarear sem desconforto?

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Sensibilidade pós-clareamento compromete o conforto do paciente e pode levar ao abandono do tratamento. Foto: Cícero Oliveira - Agecom/UFRN

Inovação nanoestruturada promete reduzir sensibilidade e inflamação após clareamento dentário em consultório

Sophia Araújo – AGIR/UFRN

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Odontológicas (PPGCO/UFRN), desenvolveram um gel com composição inédita e mecanismo de ação duplo. Criado no âmbito acadêmico, o produto patenteado combina um fármaco a um agente remineralizador e foi projetado para prevenir a sensibilidade em pacientes que buscam a técnica profissional de clareamento dentário.

Diferentemente das abordagens tradicionais, o produto não é administrado por via oral. Seu método de aplicação consiste no uso direto sobre o dente, no próprio consultório odontológico, em conjunto com o procedimento clareador. A proposta é atuar de forma localizada e estratégica, no momento exato em que o risco de sensibilidade é maior.

Gel aplicado durante procedimento clareador reduz risco de dor e sensibilidade. Foto: Boniek Borges

A invenção se destaca por seu mecanismo duplo. De um lado, há o efeito farmacológico, que atua na modulação da resposta inflamatória e da sensação dolorosa. De outro, ocorre a obliteração mecânica dos poros superficiais do dente, estruturas microscópicas que, quando expostas, facilitam a transmissão de estímulos dolorosos. Essa combinação pode interromper a cadeia de eventos que leva à dor e à sensibilidade.

Estratégia preventiva

A técnica de clareamento realizada em consultório é reconhecida por oferecer resultados mais rápidos. Além disso, tem a vantagem de não exigir o uso diário de dispositivos pelo paciente em casa. No entanto, pode provocar sensibilidade em maior grau quando comparada às modalidades caseira, mista ou aos produtos disponíveis no mercado. É justamente nesse contexto que o novo gel pretende atuar, como uma estratégia preventiva aplicada simultaneamente ao clareamento profissional.

Ao ser depositado sobre a superfície dental, o gel permeia o tecido dentário e alcança a polpa, região interna do dente onde ocorre a inflamação e que é corresponsável pela geração da dor e da sensibilidade. Ao agir nesse local, o produto busca reduzir ou eliminar a sensibilidade antes mesmo que o paciente perceba o desconforto.

“A importância clínica da inovação é significativa. A sensibilidade pós-clareamento não apenas compromete o conforto do paciente, mas pode levar ao abandono do tratamento. Ao mitigar esse efeito adverso, o produto tem potencial para ampliar a adesão e tornar a experiência estética mais segura”, afirma a pesquisadora Kaiza Santos.

Inovação aplicada à saúde

O projeto é coordenado pelo professor Boniek Borges (à esquerda), com atuação da pesquisadora Kaiza Santos e do professor Arnóbio Silva. Foto: Cícero Oliveira – Agecom/UFRN

No campo acadêmico, a patente intitulada ‘Composição de dessensibilizante nanoestruturado contendo dexametasona, codeína e/ou fosfato de cálcio para modulação da sensibilidade e inflamação em dentes humanos após clareamento dentário’ representa a consolidação de uma trajetória formativa. A tecnologia é fruto da tese de doutorado da egressa Kaiza Santos, responsável por conduzir as etapas laboratoriais necessárias à execução do trabalho. O processo reforça o papel da universidade na geração de inovação aplicada à saúde.

A concepção inicial da ideia partiu do professor Boniek Borges, que também coordenou o projeto, liderou a captação de recursos via edital Universal do CNPq e orientou a pesquisa de doutorado. O professor Arnóbio Silva, por sua vez, estruturou a formulação química do gel, de modo que a combinação dos componentes pudesse atingir o objetivo terapêutico, e supervisionou todas as etapas de seu desenvolvimento. Os demais autores integraram a equipe nas diferentes fases do projeto.

“O gel patenteado simboliza a convergência entre pesquisa básica, inovação tecnológica e aplicação clínica. Ao reduzir o principal efeito adverso do clareamento dentário profissional, a invenção aponta para um cenário em que esse procedimento possa ser realizado com maior conforto. Foi fruto de um trabalho interdisciplinar em equipe, cujo retorno será para nossa instituição, a indústria e a comunidade”, conclui o professor Boniek Borges. LEIA NO PORTAL

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