Mesmo com a Selic elevada, especialista explica como mitos sobre a renda fixa ainda atrapalham decisões de investidores e mostram que diversificação e análise de risco são essenciais para bons resultados
Em meio a um cenário de juros elevados, a renda fixa voltou a ser protagonista nas carteiras dos brasileiros. A atratividade de CDBs, LCIs, LCAs e títulos públicos cresce a cada nova alta da Selic, mas, junto com o interesse, também ressurgem velhos equívocos que podem levar a escolhas inadequadas. Por isso, é fundamental desmistificar certas crenças e orientar os investidores sobre como construir estratégias mais eficientes e seguras.
Segundo Rafael Cota, do Grupo Fractal, a renda fixa oferece previsibilidade e oportunidades relevantes, mas não é uma solução automática para todos os perfis. “A renda fixa é uma excelente ferramenta, mas precisa ser bem entendida. Quem olha apenas para a taxa anunciada corre o risco de se frustrar com liquidez limitada, risco de crédito ou rentabilidade abaixo do esperado”, explica.
A seguir, os principais mitos e verdades sobre esse tipo de investimento em tempos de juros altos:
- Mito: Renda fixa é isenta de riscos
A renda fixa não é um investimento totalmente seguro. Títulos públicos são considerados os mais sólidos por terem a garantia do governo, mas ainda assim sofrem com oscilações quando vendidos antes do vencimento. Ativos de bancos, como CDBs, LCIs e LCAs contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos até R$ 250 mil por CPF e instituição, mas também carregam riscos. Já instrumentos corporativos, como debêntures e CRIs, dependem da capacidade de pagamento da empresa emissora e não contam com proteção do FGC, exigindo análise detalhada.
- Mito: Não há necessidade de diversificação
A crença de que basta escolher um título e investir todo o patrimônio nele é perigosa. Diversificação é regra básica para reduzir riscos e equilibrar resultados. Combinar prazos, emissores e diferentes indexadores permite que a carteira tenha proteção contra cenários adversos, seja em momentos de alta ou de queda da Selic.
- Verdade: Renda fixa não é apenas para investidores conservadores
A renda fixa atende desde o investidor conservador até o mais arrojado. Papéis atrelados ao CDI oferecem estabilidade, enquanto prefixados e indexados à inflação podem trazer ganhos relevantes de longo prazo, embora com maior risco de oscilação. O que muda é o objetivo do investidor e o peso desses ativos na composição da carteira.
- Mito: Todas as rentabilidades são iguais
Rentabilidade em renda fixa depende de fatores como prazo, emissor e indexador. Em cenários de juros altos, títulos pós-fixados são atraentes por acompanhar a Selic, mas prefixados e IPCA+ podem se tornar grandes oportunidades quando adquiridos nesses momentos e carregados até o vencimento. Além disso, produtos isentos de imposto de renda, como algumas debêntures e LCIs, podem oferecer vantagens líquidas mesmo com taxas nominais menores.
- Verdade: Não basta só olhar a taxa prometida
Comparar investimentos apenas pela taxa anunciada é um erro comum. Liquidez, prazos de carência, garantias e tributação devem ser considerados. Um título que paga mais pode representar risco elevado de crédito ou dificuldade de resgate no curto prazo. “O investidor precisa olhar além da taxa. Uma boa análise de risco e uma carteira equilibrada fazem mais diferença do que a promessa de um rendimento pontual”, reforça Rafael.
Para o especialista do Grupo Fractal, a principal mensagem é clara: a renda fixa pode e deve ocupar um espaço importante nas carteiras, especialmente em um cenário de juros elevados, mas exige informação e estratégia. “Em vez de se prender a mitos, o investidor precisa entender o papel de cada ativo dentro de sua carteira. Isso é o que garante segurança e consistência nos resultados”, conclui.






