Ana Paula Aguiar, autora de história do Sistema de Ensino pH, explica as origens, transformações e curiosidades que ajudam a compreender a importância cultural do Carnaval brasileiro
Celebrado sempre nos dias que antecedem a Quarta-Feira de Cinzas, o Carnaval está diretamente ligado ao calendário cristão e marca o período anterior aos 40 dias da Quaresma. “O Carnaval surgiu como um rito de passagem que antecede a Quaresma cristã. A festa tornou-se uma espécie de “último suspiro” da carne e dos prazeres mundanos antes do recolhimento espiritual”, explica Ana Paula Aguiar, autora de História do Sistema de Ensino pH.
Segundo a historiadora, a própria origem do termo, possivelmente derivado do latim carnem levare, ou “retirar a carne”, reforça o sentido simbólico da festa de despedida dos prazeres mundanos antes do período de jejum e penitência. Apesar de sua associação com o cristianismo, a festa tem raízes ainda mais antigas. Antes de integrar o calendário religioso, práticas semelhantes já estavam presentes em celebrações da Antiguidade, como as Saturnálias romanas e os rituais dedicados a Dionísio na Grécia, marcados por comida, bebida e música. “Ao mesmo tempo em que tudo parecia “permitido”, a festa também reforçava os limites: acabava sempre com o início da Quaresma, como quem diz: agora é hora de se recolher”, observa Ana Paula, ao explicar como a Igreja optou por reorganizar, e não eliminar, essas tradições populares.
No Brasil, o Carnaval chegou durante o período colonial, trazido pelos portugueses por meio do Entrudo, uma prática popular que consistia em sujar e molhar as pessoas nas ruas. “Embora fosse tolerado como uma válvula de escape em uma sociedade marcada por rigidez e desigualdade, o Entrudo também era alvo de repressão pelas autoridades, que o consideravam uma festa “grosseira” e tentavam proibi-lo a partir do século XIX “, contextualiza a autora de História.
Com o tempo, a celebração foi se transformado e ganhando características próprias. O surgimento dos bailes de máscara, dos blocos de rua e, posteriormente, das escolas de samba estruturou o Carnaval como manifestação cultural organizada. A partir do século XX, o samba assumiu o papel central, e a festa passou a dialogar com temas sociais, históricos e políticos, sem perder seu caráter popular.
Hoje, as diferentes formas de celebrar o Carnaval pelo país, dos desfiles do Sudeste aos trios elétricos do Nordeste e às manifestações como o frevo e o maracatu, refletem a diversidade cultural brasileira. Mais do que um momento de folia, a festa se afirma como um patrimônio cultural, preservando memórias, saberes populares e formas de resistência que atravessam gerações.
Sobre o Sistema de Ensino pH (www.sistemadeensinoph.com.br)
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