Levantamento da iHealth Clinical Insights mostra maior concentração de registros entre pessoas de 60 a 79 anos e destaca alta frequência de quimioterapia, exames de imagem e procedimentos cirúrgicos na jornada de cuidado
São Paulo, julho 2026 – Um levantamento da iHealth Clinical Insights dimensiona a presença do câncer ósseo na rede hospitalar brasileira. A análise, realizada em uma base de aproximadamente 3,26 milhões de pacientes atendidos em 49 instituições de saúde de 14 estados, nas cinco regiões do país, identificou 7.086 pacientes com relato clínico de câncer ósseo presente, histórico ou em investigação. O número corresponde a 0,22% da base analisada, com uma média mensal de aproximadamente 409 pacientes com registros de atendimento entre 2021 e 2025.
Do total de pacientes identificados, 54,6% são mulheres e 45,3% são homens. Os dados permitem observar padrões relacionados à jornada clínica desses pacientes, incluindo sintomas, doenças associadas, exames laboratoriais, biomarcadores, medicamentos e procedimentos realizados ao longo do acompanhamento.
A distribuição etária mostra maior concentração dos casos em pessoas entre 60 e 79 anos, que representam 30,7% dos registros identificados. Em seguida aparecem pacientes de 40 a 59 anos, com 28,3%, e aqueles entre 18 e 39 anos, com 24,5%. Pacientes de 0 a 17 anos correspondem a 8,7% dos casos, enquanto pessoas com 80 anos ou mais representam 7,9%.
Entre as condições clínicas associadas mencionadas nos prontuários, a hipertensão arterial sistêmica aparece como a mais frequente, presente em 38,4% dos pacientes. Também são recorrentes tabagismo (21,8%), diabetes mellitus (21,5%), metástase (21,3%), câncer de mama (14,3%), etilismo (12,4%), trombose venosa profunda (8%), câncer de próstata (6,8%), obesidade (6,3%) e dislipidemia (6,2%).
A análise mostra que a dor é o sintoma mais frequentemente relatado ao longo da jornada clínica dos pacientes, presente em 78,2% dos casos. Também aparecem com frequência edema (44,9%), nódulo (37,7%), febre (31%), dispneia (26,8%) e astenia, ou sensação de fraqueza e fadiga, em 18,8% dos registros. O conjunto de manifestações evidencia o impacto funcional da doença e sua repercussão sobre a qualidade de vida dos pacientes.
Os dados também apontam ampla utilização de exames laboratoriais para acompanhamento clínico. Entre os mais frequentes estão creatinina (66,2%), plaquetas (63,6%), leucócitos (58,7%), fosfatase alcalina (30,2%) e LDH, ou lactato desidrogenase (16,7%), exames frequentemente relacionados ao monitoramento do estado clínico e da atividade tumoral.
A presença de biomarcadores também aparece nos registros analisados. O Ki-67, marcador associado à proliferação celular, foi identificado em 15,4% dos casos. Também aparecem HER2 (13,8%), CEA ou antígeno carcinoembrionário (10,9%), CA125 (4,1%) e CA15-3 (2,7%). A diversidade dos marcadores observados reflete a complexidade clínica dos casos e a possibilidade de associação com tumores primários de diferentes origens.
A jornada assistencial dos pacientes é marcada por elevada frequência de tratamentos oncológicos e exames de imagem. Entre os procedimentos registrados, a quimioterapia aparece em 48,4% dos casos, seguida por tomografia computadorizada de tórax (47,1%), cirurgia de ressecção (43,4%), biópsia (38,5%), radioterapia (31,7%), ressonância magnética (28%), tomografia computadorizada de abdome (25,6%) e cintilografia óssea (15,3%).
Entre os medicamentos mais frequentemente mencionados na história clínica dos pacientes estão morfina (31,3%), tramadol (14,5%), omeprazol (12,7%), cisplatina (8,4%) e enoxaparina (7,8%). A elevada presença de analgésicos opioides reforça a importância do manejo da dor ao longo da jornada de cuidado desses pacientes.
A análise também mostra que o atendimento ocorre em diferentes perfis de instituições de saúde. Do total de pacientes identificados, 54,7% estão em instituições que combinam atendimento público, convênio ou particular. Outros 36,9% estão em unidades exclusivamente públicas e 8,4% em instituições voltadas apenas para convênio ou atendimento particular.
Para Karlyse C. Belli, Diretora de Dados da iHealth, os resultados ajudam a compreender a complexidade clínica envolvida no acompanhamento desses pacientes. “Quando analisamos dados clínicos em larga escala, conseguimos observar não apenas a presença da doença, mas também os sintomas mais frequentes, as condições associadas, os biomarcadores avaliados e os tratamentos empregados ao longo da jornada assistencial. No câncer ósseo, os dados mostram uma forte presença de dor, alta utilização de exames de imagem e uma carga assistencial significativa, reforçando a importância de um acompanhamento multidisciplinar e baseado em evidências de mundo real”, afirma.
Para especialistas, o câncer ósseo representa um desafio importante devido à sua diversidade clínica e à necessidade frequente de abordagens combinadas envolvendo cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Nesse contexto, o uso de dados clínicos estruturados contribui para ampliar o entendimento sobre o perfil dos pacientes, apoiar estratégias de cuidado, fortalecer a geração de evidências e orientar decisões assistenciais mais precisas.
Sobre iHealth
A iHealth atua na transformação de dados clínicos em inteligência aplicada à saúde. A empresa utiliza inteligência artificial para processar grandes volumes de informações assistenciais, estruturando dados e gerando relatórios que apoiam hospitais, indústria farmacêutica e centros de pesquisa em ações estratégicas relacionadas à gestão do cuidado, geração de evidências, identificação de perfis clínicos e desenvolvimento de soluções analíticas para o setor.
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