Levantamento da iHealth Clinical Insights mostra maior concentração de registros entre pessoas de 60 a 79 anos e destaca sintomas respiratórios e dificuldades de deglutição entre os mais frequentes na jornada clínica
São Paulo,julho de 2026 — Um levantamento da iHealth Clinical Insights dimensiona a presença do câncer de laringe na rede hospitalar brasileira. A análise, realizada em uma base de aproximadamente 3,26 milhões de pacientes atendidos em 49 instituições de saúde de 14 estados, nas cinco regiões do país, identificou 8.929 pacientes com relato clínico de câncer de laringe presente, histórico ou em investigação. O número representa 0,27% da base analisada, com uma média mensal de aproximadamente 977 pacientes com registros de atendimento entre 2021 e 2025.
Do total de pacientes identificados, 66,8% são homens e 33,1% mulheres, reforçando a maior incidência da doença entre a população masculina observada em estudos epidemiológicos. Os dados permitem observar padrões relacionados à jornada de cuidado, sintomas, doenças associadas, exames, medicamentos e procedimentos realizados ao longo do acompanhamento clínico.
A análise mostra uma forte concentração dos registros em faixas etárias mais avançadas. Pacientes entre 60 e 79 anos representam 57% dos casos identificados. Em seguida aparecem aqueles entre 40 e 59 anos, com 22% dos registros, enquanto pessoas com 80 anos ou mais correspondem a 16,8%. As faixas de 18 a 39 anos e de 0 a 17 anos representam 3,7% e 0,4%, respectivamente.
Entre as condições clínicas associadas registradas nos prontuários, o tabagismo aparece como a mais frequente, presente em 54,3% dos pacientes com menção de câncer de laringe. Também são recorrentes hipertensão arterial sistêmica (43,7%), etilismo (33%), diabetes mellitus (21,9%), anemia (12,2%), doença pulmonar obstrutiva crônica (11,8%), hipotireoidismo (11%) e ansiedade (10,2%). A análise ainda identificou menções a metástase (9,6%), infarto agudo do miocárdio (6,4%), acidente vascular cerebral (5,8%) e enfisema pulmonar (5,2%).
Os sintomas mais frequentemente relatados ao longo da jornada clínica incluem dispneia em 35,5% dos casos, seguida por disfagia (32,2%), tosse (31,9%), sangramento (24,7%), odinofagia (23,7%), rouquidão (20,3%), disfonia (17,7%) e linfonodomegalia (13,9%). O conjunto de manifestações evidencia o impacto da doença tanto na função respiratória quanto na alimentação e na comunicação dos pacientes.
Os dados também revelam uma intensa utilização de exames laboratoriais e procedimentos diagnósticos. Entre os exames mais frequentes aparecem creatinina (60%), ureia (45,9%), TGP (33,4%), TGO (32,3%), TSH (28,6%) e INR (21,6%), indicando o monitoramento clínico contínuo desses pacientes ao longo do tratamento.
Em relação aos marcadores bioquímicos, o CEA (antígeno carcinoembrionário) aparece em 6,9% dos registros, seguido pelo Ki-67 (5,9%), marcador associado à proliferação celular, e pela proteína supressora tumoral P16 (3,4%).
A jornada assistencial também é marcada por elevada frequência de procedimentos oncológicos e diagnósticos. A radioterapia aparece em 46,3% dos casos, seguida pela quimioterapia (44,7%), biópsia (40,2%), tomografia computadorizada de tórax (37,6%), tomografia computadorizada de pescoço (33,4%) e laringoscopia (26,4%). Procedimentos cirúrgicos mais complexos também aparecem com frequência, incluindo traqueostomia (17,2%), ressecção (16%), laringectomia total (14,3%), esvaziamento cervical (9,9%) e gastrostomia (9,6%).
Entre os medicamentos mencionados na história clínica dos pacientes, destacam-se morfina (17,7%), cisplatina (14%), omeprazol (9,5%), paclitaxel (9,2%), carboplatina (7%) e fentanil (6,7%), refletindo tanto o tratamento oncológico quanto o manejo de sintomas e complicações associadas à doença.
A análise também mostra que os pacientes estão distribuídos em diferentes perfis de instituições de saúde. Do total identificado, 57,2% foram atendidos em instituições que combinam atendimento público, convênio ou particular. Outros 34,9% estão em unidades exclusivamente públicas e 7,9% em instituições voltadas apenas para convênio ou atendimento particular.
Para Karlyse C. Belli, Diretora de Negócios e Dados da iHealth, a análise reforça a importância de compreender a jornada completa dos pacientes para além do diagnóstico. “Quando avaliamos dados clínicos em larga escala, conseguimos observar não apenas a presença da doença, mas também os sintomas mais frequentes, as condições associadas, os exames realizados e os tratamentos empregados ao longo do cuidado. No caso do câncer de laringe, os resultados mostram uma jornada complexa, que envolve sintomas respiratórios, dificuldades de deglutição, múltiplas comorbidades e tratamentos de alta complexidade, reforçando a importância de abordagens integradas e baseadas em evidências”, afirma.
Para especialistas, o câncer de laringe continua sendo um importante desafio de saúde pública, especialmente pela forte associação com fatores de risco como tabagismo e consumo de álcool. Nesse contexto, o uso de dados clínicos estruturados contribui para ampliar o entendimento sobre o perfil dos pacientes, apoiar estratégias de cuidado, fortalecer a geração de evidências e orientar decisões assistenciais mais precisas.
Sobre iHealth
A iHealth atua na transformação de dados clínicos em inteligência aplicada à saúde. A empresa utiliza inteligência artificial para processar grandes volumes de informações assistenciais, estruturando dados e gerando relatórios que apoiam hospitais, indústria farmacêutica e centros de pesquisa em ações estratégicas relacionadas à gestão do cuidado, geração de evidências, identificação de perfis clínicos e desenvolvimento de soluções analíticas para o setor.





