Com temperaturas acima de 40°C em diversos países europeus e previsão de fortalecimento do El Niño nos próximos meses, especialistas analisam o que o cenário internacional pode indicar para o clima brasileiro
A intensa onda de calor que atinge diversos países da Europa reacendeu o debate sobre os impactos das mudanças climáticas e os desafios para adaptação diante de eventos extremos cada vez mais frequentes. Nas últimas semanas, países como Alemanha, Espanha, França, Portugal e Itália registraram temperaturas superiores a 40°C, provocando impactos sobre o sistema de saúde, transportes, escolas e infraestrutura. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o episódio já está associado a mais de 1,3 mil mortes no continente.
Brasileiro radicado em Berlim, na Alemanha, Carlos Rittl, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e diretor Global de Políticas Públicas para Florestas e Mudanças Climáticas da Wildlife Conservation Society, destaca que a onda de calor que atingiu a Europa, com recordes sucessivos de temperatura, provocou milhares de mortes e impactos severos na saúde, nos ecossistemas, na agricultura e na infraestrutura.
“Além da urgência em cortar as emissões de gases de efeito estufa, não podemos mais esperar as emergências para agir. Precisamos de políticas, estratégias e medidas de adaptação que reduzam a vulnerabilidade das cidades, da população e dos ecossistemas diante de um clima cada vez mais hostil”, explica Rittl.
Segundo o especialista, os eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes, mais intensos e com impactos cada vez mais severos. “Estamos às vésperas de um possível Super El Niño, que pode trazer impactos agudos ao Brasil: secas e risco de queimadas na Amazônia, secas no Nordeste e no Centro-Oeste; ondas de calor e também chuvas intensas no Sudeste e no Sul, com risco de novas enchentes e deslizamentos, como os que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024”, afirma.
Além dos impactos sobre a saúde, as altas temperaturas têm favorecido a ocorrência de incêndios florestais. França, Espanha e Portugal registram grandes focos de fogo impulsionados pela combinação entre calor intenso, baixa umidade e ventos fortes. Juntos, os incêndios já atingiram cerca de 17 mil hectares de vegetação — área equivalente a aproximadamente 24 mil campos de futebol; provocaram a retirada de moradores e mobilizaram milhares de bombeiros.
Embora o Brasil esteja no inverno, especialistas alertam que o país não está isolado dessa realidade. Segundo o primeiro boletim do Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão para o segundo semestre indica alta probabilidade de temperaturas acima da média histórica em grande parte do Centro-Norte do país. O documento aponta ainda probabilidade superior a 90% de permanência do El Niño, pelo menos, até o início de 2027. Caso o cenário se confirme, o fenômeno poderá favorecer a ocorrência de ondas de calor mais intensas, estiagens prolongadas e incêndios florestais em diferentes regiões do país.
A preocupação com os impactos do calor extremo também já mobiliza o setor da saúde. No dia 30 de junho, o Ministério da Saúde lançou um painel nacional para monitoramento de calor extremo, ferramenta que reúne informações sobre riscos relacionados às altas temperaturas e apoia estados e municípios na adoção de medidas de prevenção e resposta. A iniciativa acompanha um cenário de maior probabilidade de eventos extremos nos próximos meses, indicado pelas projeções climáticas mais recentes.
Adaptação climática
Especialistas destacam que os episódios registrados na Europa reforçam a necessidade de preparar cidades e sistemas públicos para eventos climáticos cada vez mais extremos. Medidas como a ampliação da cobertura vegetal, a proteção de áreas naturais, a recuperação de ecossistemas e a adoção de SBN (Soluções Baseadas na Natureza) ajudam a reduzir as temperaturas nas áreas urbanas, melhorar o conforto térmico, diminuir riscos à saúde e aumentar a resiliência das cidades frente às mudanças climáticas.
A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e a Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) colocam seus porta-vozes à disposição para entrevistas sobre o tema.
● O que a onda de calor na Europa revela sobre a intensificação dos eventos climáticos extremos.
● O Brasil pode enfrentar episódios de calor extremo semelhantes aos registrados na Europa.
● Por que as ondas de calor aumentam o risco de incêndios florestais e quais regiões brasileiras tendem a ser mais vulneráveis.
● Como o El Niño pode influenciar as temperaturas, o regime de chuvas e o risco de incêndios florestais no Brasil nos próximos meses.
● Quais regiões brasileiras tendem a ser mais vulneráveis às ondas de calor.
● Como Soluções Baseadas na Natureza podem contribuir para reduzir os impactos das altas temperaturas nas cidades.
● Quais medidas de adaptação climática podem tornar os municípios mais resilientes aos eventos extremos.
Especialistas disponíveis:
● Carlos Rittl – Membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e Diretor Global de Políticas Públicas para Florestas e Mudanças Climáticas da Wildlife Conservation Society.
● André Ferretti – Membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e gerente sênior de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário.
● Carlos Nobre – Membro da RECN, climatologista e pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Sobre a Rede de Especialistas em Conservação da Natureza
A Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) reúne cerca de 80 profissionais de todas as regiões do Brasil e alguns do exterior que trazem ao trabalho que desenvolvem a importância da conservação da natureza e da proteção da biodiversidade. São juristas, urbanistas, biólogos, engenheiros, ambientalistas, cientistas, professores universitários – de referência nacional e internacional – que se voluntariaram para serem porta-vozes da natureza, dando entrevistas, trazendo novas perspectivas, gerando conteúdo e enriquecendo informações de reportagens das mais diversas editorias. Criada em 2014, a Rede é uma iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Os pronunciamentos e artigos dos membros da Rede refletem exclusivamente a opinião dos respectivos autores. Acesse o Guia de Fontes em www.fundacaogrupoboticario.org.br
Sobre a Fundação Grupo Boticário
Com 35 anos de história, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma das principais fundações empresariais do Brasil que atuam para conservar o patrimônio natural brasileiro. Com foco na adaptação da sociedade às mudanças climáticas, especialmente em relação à segurança hídrica e à proteção costeira, a instituição atua para que a conservação da biodiversidade seja priorizada em todos os setores. Alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, considera que a natureza é a base para o desenvolvimento social e econômico do país. Sem fins lucrativos e mantida pelo Grupo Boticário, a Fundação Grupo Boticário contribui para que diferentes atores estejam mobilizados em busca de soluções para os principais desafios ambientais, sociais e econômicos. Já apoiou mais de 1.800 iniciativas em todos os biomas no país. Protege duas reservas naturais de Mata Atlântica e Cerrado – os biomas mais ameaçados do Brasil pelo desmatamento –, somando 11 mil hectares, o equivalente a 70 Parques do Ibirapuera. Com 1,4 milhão de seguidores nas redes sociais, busca também aproximar a natureza do cotidiano das pessoas. A instituição é fruto da inspiração de Miguel Krigsner, fundador e presidente do Conselho do Grupo Boticário, criada em 1990, dois anos antes da Rio-92 ou Cúpula da Terra, evento que foi um marco para a conservação ambiental mundial. | www.fundacaogrupoboticario.org.br | @fundacaogrupoboticario (Instagram, Facebook, LinkedIn, Youtube, TikTok).





