Bruxismo é reflexo de desequilíbrios emocionais que se manifestam na boca; cuidado profissional é fundamental para evitar danos mais graves
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Os impactos que o estresse causa no organismo podem provocar – literalmente – dores de cabeça. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 9 em cada 10 pessoas afirmam sofrer com o estresse no dia a dia. Isso pode se estender para diversos campos: mau-humor, indisposição, dificuldade em manter boas relações, além de problemas físicos, como cefaleia, dores musculares e bruxismo.
O bruxismo é um dos problemas mais comuns engatilhados pelo estresse. A OMS afirma que cerca de 30% da população mundial sofre com a condição, o que pode prejudicar consideravelmente a saúde bucal e a qualidade de vida.
O que é o bruxismo?
Também descrito como “ranger de dentes”, o bruxismo é uma condição odontológica em que o paciente aperta a mandíbula ou range os dentes, seja durante o dia, seja durante a noite enquanto dorme. Durante o dia, a pessoa pode ranger ou apertar os dentes ao enfrentar os problemas do dia a dia; e, durante o sono, o bruxismo pode ser um reflexo do estresse acumulado durante o dia e da ansiedade, por exemplo.
Esse movimento e a força aplicada sob os dentes e toda a musculatura vestibular podem causar desgaste dentário, dores de cabeça, dor na mandíbula, estalos, dor ao abrir e fechar a boca e até deslocamento do maxilar. Algumas pessoas podem, inclusive, escutar zumbidos.
De modo geral, quem tem bruxismo pode desenvolver uma condição odontológica preocupante: a disfunção da articulação temporomandibular (DTM). Ela ocorre quando há alterações que comprometem o funcionamento dessa articulação, responsável pelos movimentos de abrir e fechar a boca.
Como o estresse influencia na saúde odontológica?
O bruxismo é um distúrbio odontológico de origem multifatorial, mas sua relação com o estresse é direta. A tensão emocional — causada por ansiedade, irritação, depressão ou outros transtornos mentais — tende a se acumular no corpo e se manifestar, de forma inconsciente, por meio do ato de apertar ou ranger os dentes.
O quadro prolongado de estresse pode afetar a saúde de forma mais ampla. Muitos pacientes passam a se alimentar mal, deixam de praticar atividades físicas e desenvolvem hábitos que enfraquecem o organismo. Isso influencia não só na sobrecarga da articulação temporomandibular, mas também na redução da resistência dentária.
Sem o tratamento adequado, o bruxismo e o estresse interferem também na qualidade do sono. É comum que pessoas com essa condição acordem diversas vezes durante a noite e, ao despertar, sintam dores de cabeça, na mandíbula ou até nos músculos do pescoço.
Saúde emocional e bucal caminham juntas
Para iniciar o tratamento de bruxismo, é fundamental procurar um profissional da área de odontologia e realizar uma avaliação completa do quadro.O dentista pode solicitar exames de imagem, como uma radiografia da mandíbula, para analisar possíveis alterações na articulação temporomandibular (ATM). Em alguns casos, é necessário corrigir a mordida com o uso de aparelhos ortodônticos, a fim de aliviar a pressão sobre a articulação.
No entanto, apenas corrigir a mordida não é suficiente. O tratamento do bruxismo deve considerar também o aspecto emocional. Como a condição é muitas vezes um reflexo das tensões acumuladas no dia a dia, é essencial que o paciente cuide também da saúde mental. O ideal é contar com acompanhamento multidisciplinar de dentista, psicólogo e, se necessário, psiquiatra — promovendo uma abordagem mais completa e eficaz.
Para manter uma boa qualidade de vida e evitar o agravamento do quadro, é importante adotar hábitos saudáveis, como manter uma rotina de exercícios físicos regulares e uma boa alimentação. Com o tratamento adequado e uma rotina equilibrada, é possível controlar o bruxismo, reduzir os impactos do estresse, proteger os dentes e restaurar a qualidade de vida.






