Brasil perde água suficiente para abastecer 48 milhões de pessoas, revela estudo da GO Associados

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Gerada por Gemini_

O Brasil perde hoje água suficiente para abastecer 48 milhões de pessoas, um contingente 50% maior do que o de brasileiros sem acesso à rede. O dado foi apresentado nesta sexta-feira (7), na sede da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), em São Paulo, durante o Diálogos da Infraestrutura, evento promovido pela GO Associados, que reuniu autoridades, clientes e parceiros para discutir a agenda de infraestrutura do país e marcar seus 26 anos de atuação.

Anfitrião da celebração, o economista Gesner Oliveira, ex-presidente do Cade e da Sabesp, professor da FGV e sócio-fundador da GO Associados, celebrou a trajetória dos últimos 26 anos. “Não ando só, ando bem acompanhado”, resumiu, parafraseando o poeta Vinicius de Moraes. Ao longo da tarde, Oliveira conduziu a apresentação ao lado dos consultores da casa, que se revezaram para trazer um panorama dos estudos e projetos desenvolvidos pela GO Associados em áreas como saneamento, portos, comércio exterior e regulação.

“O Brasil perde cerca de 40% de toda a água que produz, somando perdas físicas, os vazamentos, e perdas comerciais, fraudes e falhas de faturamento”, afirmou o consultor Pedro Sayon, que participou do estudo de perdas de água da GO Associados. Segundo ele, só as perdas físicas somaram 4,4 bilhões de metros cúbicos em 2024, o equivalente a cinco mil piscinas olímpicas ou a quatro vezes e meia o volume do Sistema Cantareira. Reduzir esse indicador a 25% até 2033, meta prevista na Portaria 788 do setor, liberaria água suficiente para universalizar o abastecimento sem a necessidade de captar novos volumes, além de gerar, segundo estimativa do Ministério das Cidades citada no estudo, um benefício econômico de R$ 47,3 bilhões, mais de 10% de todo o investimento necessário para a universalização.

O panorama do saneamento básico ocupou boa parte do evento, que reservou espaço a projetos que a GO Associados desenvolve há 15 anos em parceria com o Instituto Trata Brasil. “Os investimentos por habitante cresceram cerca de 50% entre 2020 e 2024, mas o patamar atual ainda é insuficiente para atingir a universalização até 2033”, disse o sócio Pedro Scazufca, que monitora o setor desde a aprovação do Novo Marco Legal do Saneamento, em 2020. Segundo ele, PPPs, concessões e privatizações estruturadas nos últimos anos já impactam cerca de 100 milhões de brasileiros, e a carteira de projetos em diferentes fases de estruturação soma R$ 58 bilhões. Scazufca chamou atenção ainda para o amadurecimento regulatório do setor: 963 municípios, com 20 milhões de habitantes, não têm agência reguladora cadastrada junto à Agência Nacional de Águas.

O Ranking do Saneamento, outra iniciativa conjunta com o Trata Brasil, reforça esse diagnóstico ao comparar os cem maiores municípios do país. Os vinte melhores colocados investiram, em média, mais que o dobro por habitante em relação aos vinte piores, diferença que se traduz em defasagens de 50 a 70 pontos percentuais na cobertura de esgoto e em perdas de água na distribuição 80% maiores entre os municípios mal posicionados, segundo Scazufca.

A reforma tributária acrescenta uma variável a essa conta. “O setor de saneamento hoje não paga ISS nem ICMS, mas a aplicação da alíquota cheia de CBS e IBS pode elevar a tarifa de água em cerca de 18%”, explicou o consultor Murilo Viana. Segundo ele, o quadro se complica pela pulverização regulatória, com centenas de agências subnacionais responsáveis pela revisão tarifária, o que tende a tornar o processo de reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos mais lento e a colocar em risco o cronograma de universalização de 2033.

O quadro mais amplo do ciclo de investimentos em infraestrutura foi traçado pelo presidente da Abdib, Venilton Tadini, na abertura do evento. “Depois de um longo período de estagnação, vivemos uma retomada estrutural desde 2022”, disse Tadini, citando aportes que somaram R$ 280 bilhões no ano passado, com expectativa de superar R$ 300 bilhões neste ano. Ele apontou, no entanto, gargalos críticos: agências como a ANTT e a Aneel enfrentam carga de trabalho triplicada sem reforço de pessoal, o licenciamento ambiental do Ibama sofre com a falta de estrutura, e as emendas parlamentares saltaram de cerca de R$ 5 bilhões para R$ 60 bilhões nos últimos anos, nem sempre vinculadas a programas estratégicos como o PAC ou a Nova Indústria Brasil.

O comércio exterior também esteve em pauta. “As remessas internacionais cresceram dez vezes desde 2017, criando uma condição desigual para o varejo nacional, já que uma peça importada formalmente chega a custar 53% a mais do que a mesma peça via Remessa Conforme”, afirmou o consultor José Ferraz, ao apresentar o estudo da GO Associados sobre a chamada taxa das blusinhas. A consultoria defende a instituição de uma alíquota de 20% como medida de correção, estimando que a isonomia tributária plena poderia impulsionar o setor de vestuário em até 20% até 2030.

Na defesa comercial, o consultor Eduardo Dornelas apresentou o trabalho que a GO Associados desenvolve para o Departamento de Defesa Comercial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, com modelos de equilíbrio geral e parcial usados para avaliar o impacto de medidas antidumping, sobretudo diante do avanço das importações chinesas. Já sobre a concessão do complexo portuário de Santos, o consultor José Matheus retomou uma tese que o sócio-fundador Gesner Oliveira já defendeu publicamente, a de que a concentração das quatro maiores operadoras, hoje acima de 75%, pode chegar a 83% em 2034 caso o leilão do Tecon Santos 10 seja vencido por um dos incumbentes, patamar que, segundo a GO Associados, já configura “ponto de atenção” para a concorrência no setor. A consultoria também mantém a avaliação, já debatida amplamente em diversos debates públicos e na mídia, de que há um erro material no cálculo do índice de concentração de mercado usado numa nota técnica da Casa Civil sobre o leilão, e defende ajustes técnicos no processo para atrair novos competidores.

Encerrando o painel, o consultor Gabriel Poveda defendeu que a regulação das plataformas digitais, em discussão no PL 4675, siga o rito legislativo ordinário, com audiências públicas, em vez de tramitar em regime de urgência. O consultor Rafael Oliveira apresentou os resultados do Índice de Equidade Racial nas Empresas, desenvolvido com a Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, mostrando que a representatividade negra em cargos de liderança nas empresas participantes segue abaixo de 5%. A consultora Luciana Moreira apresentou um projeto de reuso de água industrial na Região Metropolitana do Rio de Janeiro que, segundo suas estimativas, evitaria R$ 110 milhões em externalidades negativas na Baía de Guanabara e anteciparia em cinco anos a universalização do esgoto em Duque de Caxias, Itaboraí e São Gonçalo. Por fim, o consultor Rafael Prado apresentou um estudo sobre debêntures de infraestrutura que, segundo ele, subsidiou a decisão da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado de não avançar com a proposta de tributação desses papéis.

Para marcar a data, a GO Associados lançou durante o evento seu novo site institucional, reunindo a trajetória da consultoria e o conjunto de estudos e projetos desenvolvidos ao longo dos 26 anos de atuação.

Sobre a GO Associados

A GO Associados é uma consultoria econômica brasileira que completa 26 anos de atuação em 2026, com atuação em estudos econômicos, estruturação de concessões e parcerias público-privadas e análises regulatórias em setores como saneamento, energia, transportes, logística e mobilidade.

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