Com uso frequente de analgésicos, anti-inflamatórios e antigripais sem orientação, especialistas chamam atenção para sintomas que podem parecer simples, mas exigem avaliação médica, especialmente em pessoas com histórico cardiovascular
Tomar um remédio “só para aliviar” dor, febre, gripe ou mal-estar é um hábito comum entre os brasileiros. Mas, quando a automedicação envolve pessoas com hipertensão, arritmias, insuficiência cardíaca, histórico de infarto ou fatores de risco cardiovascular, a prática pode deixar de ser apenas um comportamento corriqueiro e se tornar um fator de agravamento silencioso.
Levantamento ICTQ/Datafolha aponta que 86% dos brasileiros com 16 anos ou mais declaram consumir medicamentos por conta própria, o equivalente a cerca de 138 milhões de pessoas. Em 2024, o Conselho Federal de Farmácia também divulgou alerta informando que a automedicação atinge aproximadamente 9 em cada 10 brasileiros. Entre os medicamentos mais usados sem prescrição estão analgésicos, antigripais e relaxantes musculares, grupos frequentemente presentes nas farmacinhas domésticas.
O alerta ganha peso em um país onde as doenças cardiovasculares seguem como uma das principais causas de morte. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde e pela Biblioteca Virtual em Saúde, o Brasil registra cerca de 400 mil mortes por doenças cardiovasculares ao ano. No caso do infarto agudo do miocárdio, a estimativa oficial é de 300 mil a 400 mil casos anuais, com um óbito a cada cinco a sete casos.
Para a Dra. Bianca Maria Prezepiorski, cardiologista do Hospital Cardiológico Costantini, o problema não está apenas no medicamento em si, mas no contexto em que ele é usado.
“Uma dor no peito confundida com azia, uma falta de ar tratada como gripe ou uma palpitação atribuída apenas ao estresse podem atrasar a procura por atendimento. A automedicação muitas vezes melhora temporariamente o sintoma, mas não esclarece a causa. Em cardiologia, esse tempo perdido pode fazer diferença”, afirma.
Anti-inflamatórios exigem atenção especial
Entre os medicamentos de uso frequente sem orientação, os anti-inflamatórios não esteroidais merecem atenção especial. Substâncias como ibuprofeno, diclofenaco e nimesulida podem estar associadas à retenção de líquidos, elevação da pressão arterial, sobrecarga renal e interação com medicamentos usados por pacientes hipertensos ou cardíacos.
O risco é ainda maior quando o paciente já faz uso de remédios para pressão, diuréticos, anticoagulantes ou medicamentos para insuficiência cardíaca. Nesses casos, a automedicação pode interferir no controle da doença ou aumentar a chance de eventos adversos.
“Para uma pessoa jovem, saudável e sem fatores de risco, o uso pontual de determinados medicamentos pode parecer inofensivo. Mas para quem tem pressão alta, doença coronariana, insuficiência cardíaca, arritmia ou doença renal, a mesma escolha pode ter outro impacto. É por isso que o remédio que funcionou para um familiar ou vizinho não deve ser usado como referência”, explica Dra. Bianca.
O Ministério da Saúde também alerta que anti-inflamatórios, incluindo ácido acetilsalicílico, ibuprofeno, nimesulida, diclofenaco e corticoides, podem trazer riscos em determinadas situações clínicas, especialmente quando usados sem avaliação profissional. Em alguns contextos, esses medicamentos podem aumentar risco de sangramento ou agravar quadros já existentes. Bula e documentos técnicos de medicamentos como o diclofenaco também registram cautela em pacientes com doença cardiovascular, hipertensão não controlada ou fatores de risco, como diabetes, tabagismo e hiperlipidemia.
Sintomas cardíacos podem parecer “coisas simples”
A automedicação também pode mascarar sintomas que merecem investigação. Dor no peito, queimação persistente, falta de ar, tontura, palpitações, suor frio, náuseas, cansaço fora do habitual e inchaço nas pernas são sinais que não devem ser ignorados, principalmente quando aparecem em pessoas com fatores de risco.
“Nem todo desconforto é infarto, mas todo sintoma persistente, diferente do padrão da pessoa ou associado a falta de ar, suor frio, tontura ou mal-estar intenso precisa ser levado a sério. O perigo é tentar resolver em casa algo que exige avaliação imediata”, reforça a cardiologista.
Segundo a especialista, outro ponto comum é a interrupção ou alteração de medicamentos prescritos. Pacientes que se sentem bem podem reduzir doses por conta própria, deixar de tomar remédios para pressão ou misturar tratamentos sem informar ao médico.
“Controle cardiovascular é continuidade. Quando o paciente muda a dose, suspende um medicamento ou acrescenta outro por conta própria, ele desorganiza um tratamento que foi pensado para proteger coração, rins, cérebro e circulação. A ausência de sintomas não significa ausência de risco”, diz.
“Falar de automedicação não é assustar a população. É lembrar que medicamento é uma ferramenta importante, mas precisa ser usado no contexto certo. O paciente deve conhecer seus fatores de risco, manter acompanhamento e procurar atendimento quando um sintoma foge do habitual. No coração, prevenir quase sempre é mais simples do que remediar tarde”, finaliza a Dra. Bianca.
Sobre o Hospital Cardiológico Costantini
Fundado pelo médico cardiologista Dr. Costantino Costantini, há 27 anos, o Hospital Costantini é referência em atendimento cardiológico de alta complexidade, com destaque para a excelência em cardiologia. Localizado em Curitiba (PR), o hospital alia tradição, inovação e atendimento humanizado, sendo reconhecido por sua estrutura moderna, equipe especializada e compromisso com a vida. Ao longo de sua história, consolidou-se como centro de referência em diagnósticos e tratamentos de urgência, com tecnologia de ponta e foco na qualidade assistencial.
Mais informações podem ser obtidas em: https://hospitalcostantini.com.br/






