Criadora da série Pedaço de Mim (Netflix), escritora e roteirista propõe um novo olhar sobre o Rio de Janeiro por meio de contos que unem memória, imaginação e patrimônio urbano.
“Suas páginas despertam no leitor o desejo de flanar pela cidade com novos olhos, atentos ao que antes parecia invisível.”
Luize Valente, escritora, no texto de orelha da obra
Depois de uma trajetória dedicada à televisão, ao streaming e à literatura, a roteirista Angela Chaves (@angelachaves66) leva sua imaginação às ruas do Rio de Janeiro. Em Histórias de ferro e pedra (Editora Mondru), sua primeira coletânea de contos, a escritora se volta para o patrimônio histórico e afetivo da cidade para transformar estátuas, chafarizes, praças e monumentos cariocas em protagonistas de narrativas de realismo mágico. Lançada durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) 2026, a obra reúne sete histórias que dão voz a figuras de ferro e pedra que observam, sentem, desejam e guardam memórias, convidando o leitor a redescobrir o Rio por meio da imaginação.
Mestra em Literatura Brasileira, Angela escreveu inúmeros programas para televisão e foi autora e colaboradora de séries e novelas como Éramos Seis, Os Dias Eram Assim e Maysa – Quando Fala o Coração. Mais recentemente, criou e escreveu a série Pedaço de Mim, da Netflix, e assina com Mariana Torres a adaptação do romance Véspera, de Carla Madeira, para a Max (HBO). Em 2025, recebeu o prêmio APCA de Melhor Novela por Pedaço de Mim e também foi indicada ao Rose d’Or Latinos e ao Prêmio ABRA de Roteiro pela mesma obra, que figurou entre as dez séries de língua não inglesa mais assistidas da Netflix no mundo.
Em Histórias de ferro e pedra, Angela parte de uma pergunta simples: e se os monumentos observassem a vida das pessoas? A partir dessa premissa, cria um universo em que esculturas, calçadas, fontes e estátuas escondem desejos, ressentimentos, lembranças e sonhos. O fio condutor da coletânea é a fricção entre o concreto imóvel da cidade, o cotidiano urbano e a invenção lírica. Inspirados em monumentos e espaços públicos do Rio de Janeiro, os contos convidam o leitor a observar a cidade como um exercício da imaginação.
Além do texto, a edição também se destaca pelo cuidado estético. As fotografias dos monumentos e espaços públicos foram retrabalhadas em estilo halftone (retícula), criando uma atmosfera visual entre o registro documental e a névoa do sonho. O livro traz ainda um QR Code que direciona o leitor para um mapa interativo no Google Maps, permitindo percorrer presencialmente os cenários que inspiraram os contos e transformar a leitura em um roteiro literário pela cidade. Assim, a experiência ultrapassa as páginas e convida o público a caminhar pelos mesmos monumentos que deram origem às histórias.
A ideia do livro nasceu de um episódio real envolvendo a estátua Inverno, instalada no Passeio Público do Rio de Janeiro. A escultura desapareceu por um período, reapareceu em outro ponto da cidade e depois retornou ao parque, despertando a curiosidade da autora. “Esse livro começou com o encanto pela estátua Inverno e sua história real, quando esteve desaparecida do Passeio Público e apareceu em outro lugar. Depois voltou ao Passeio Público. Isso motivou minha imaginação”, conta Angela. A partir desse primeiro impulso, desenvolvido durante um curso de leitura e escrita com Rona Hanning, surgiram os demais contos da coletânea.
“A história de uma cidade e seus segredos me encanta, assim como o exercício da imaginação”, afirma Angela. Para ela, imaginar é uma forma de comunicação com a alma do mundo, além de uma ferramenta de conhecimento individual e coletivo. “Não podemos perder a capacidade de ver de olhos fechados e a possibilidade de enxergar de um outro jeito a nós e ao mundo.”
Essa busca por “enxergar de olhos fechados” aparece já na epígrafe escolhida para abrir o livro. Extraído de Seis propostas para o próximo milênio, de Italo Calvino, o trecho diz: “A imaginação é um lugar dentro do qual chove.”
Cada conto constrói um pequeno universo fantástico inspirado em um patrimônio real da cidade. A estátua Inverno, moldada em ferro e estanho, sonha com alguém capaz de compreender sua solidão. A deusa Tétis, no Jardim Botânico, observa discretamente os amores humanos. Duas esculturas de leões disputam protagonismo no Largo dos Leões. Uma lagartixa aventureira desafia a imobilidade de Santa Genoveva. As pedras portuguesas de Vila Isabel transformam relações amorosas em partituras melancólicas. Personagens inusitados também habitam o Cemitério São João Batista e o Colégio Orsina da Fonseca.
Embora a atmosfera fantástica atravesse toda a obra, cada conto ganha uma dicção e uma estrutura narrativa próprias, transitando entre o lirismo romântico, a fábula irônica, a crônica memorialística e o suspense. Ao final de cada narrativa, notas históricas apresentam a origem, a localização e a história dos monumentos que inspiraram a ficção, aproximando fantasia e realidade.
A escritora Luize Valente, responsável pelo texto de orelha, destaca o poder da obra de transformar o olhar do leitor sobre a cidade: “Suas páginas despertam no leitor o desejo de flanar pela cidade com novos olhos, atentos ao que antes parecia invisível”. Segundo ela, Angela constrói uma coletânea que foge dos clichês: “As histórias não se apoiam no óbvio, nascem de fontes inesperadas, de detalhes urbanos discretos, de imagens que passariam despercebidas.”
Para Angela, o principal objetivo do livro é provocar um novo olhar sobre aquilo que faz parte da rotina. “Com este livro, procura-se acordar contadores. Da próxima vez que passar por uma figura de ferro ou pedra, no Rio de Janeiro ou em qualquer lugar do planeta, o convite é olhar o mundo como exercício da imaginação.”

Sobre a autora
Angela Chaves nasceu no Rio de Janeiro e cresceu na Zona Norte da cidade. Atualmente divide seu tempo entre a Zona Sul carioca e o sertão do Nordeste. É formada em Letras e Mestra em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), título obtido em 1993.
Atuou como roteirista da TV Globo entre 1995 e 2021 e atualmente está à frente da produtora Palavra Chave, dedicada ao desenvolvimento de projetos audiovisuais.
Possui cinco livros infantis e infantojuvenis publicados. Construiu uma carreira consolidada na televisão e no streaming como autora e colaboradora de séries, novelas e minisséries, entre elas Maysa – Quando Fala o Coração, indicada ao Emmy Internacional, Éramos Seis e Os Dias Eram Assim.
Criou e escreveu a série Pedaço de Mim, da Netflix, vencedora do prêmio APCA 2025 de Melhor Novela, indicada ao Rose d’Or Latinos e ao Prêmio ABRA de Roteiro, além de figurar entre as dez séries de língua não inglesa mais assistidas da plataforma no mundo. Assina também, com a roteirista Mariana Torres a adaptação do romance Véspera, de Carla Madeira, para a Max (HBO).
Histórias de ferro e pedra marca sua estreia no gênero conto, reunindo literatura, patrimônio urbano, memória e imaginação em uma obra que convida o leitor a revisitar a cidade sob uma perspectiva fantástica.
Ficha técnica
Título: Histórias de ferro e pedra
Autora: Angela Chaves
Editora: Mondru
Ano: 2026
Gênero: Contos
Capa e projeto gráfico: Jeferson Barbosa
Fotografias: Sérgio Cabral Peres
Coordenação editorial: Juliana Matos
Editor-assistente: Luigi Ricciardi
Revisão: Camila Machado





