Aline Dahlen revive história da mãe ao enfrentar câncer da gata: “Desta vez, eu sabia exatamente o que fazer” 

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No Outubro Rosa, a ex-BBB relembra os mais de sete anos de luta da mãe contra o câncer de mama e conta como a experiência mudou sua relação com a própria saúde. Anos depois da perda, ela acompanhou a gatinha Bessie em duas mastectomias e sessões de quimioterapia

Quando Aline Dahlen encontrou um caroço embaixo da axila de Bessie, uma de suas gatas adotadas, houve um instante de reconhecimento. A confirmação de que se tratava de um câncer de mama trouxe de volta uma história que ela conhecia bem. Sua mãe, Maria Ledi, a Dona Ledi, enfrentou a doença por mais de sete anos antes de morrer, em 2017.

“O meu primeiro pensamento foi: ‘já vi esse filme!’. Mas a diferença é que, desta vez, eu sabia exatamente o que fazer e o que jamais deixar acontecer”, conta Aline. 

Conhecida nacionalmente desde a participação no BBB 14, Aline viu a doença atravessar diferentes momentos de sua vida. Em 2014, sua mãe, Ledi, passou cinco dias na casa em uma dinâmica do programa enquanto fazia quimioterapia. Usava uma peruca, mas, segundo a atriz, ninguém ali sabia do tratamento.

Aline conta que, durante a estadia, uma pessoa chegou a zombar de sua mãe ao perceber algo estranho no cabelo. A peruca havia saído levemente do lugar enquanto Ledi dormia. “Foi muito triste. Mas minha mãe tirou de letra. Não deu bola, não confirmou nada e ainda fez piada”, lembra. Ao recordar o carinho que a mãe conquistou no programa, Aline acrescenta: “Não foi a mãe mais amada à toa!”

A história, no entanto, havia começado anos antes e de uma forma que Aline só conheceria mais tarde. Nas primeiras vezes em que enfrentou a doença, Ledi preferiu esconder o diagnóstico da filha.

“Minha mãe escondeu de mim a doença, nas primeiras vezes. Ela não queria que eu ficasse preocupada. Enfrentou cirurgia e químio sozinha. Eu morava no Rio e ela em Porto Alegre. Na terceira vez que o câncer voltou, voltou cinco vezes, ela me contou.”

A partir dali, mãe e filha passaram a enfrentar juntas uma rotina que se estenderia por anos. “Acompanhar de perto uma luta de mais de sete anos ao lado da minha mãe foi o maior exercício de amor, resiliência e presença da minha vida. É uma convivência diária com a vulnerabilidade e com a incerteza, mas também com uma força gigantesca que a gente nem sabia que existia.”

“Já vi esse filme”

Anos depois, foi Bessie quem fez Aline reviver parte daquela história. Ao perceber o caroço, ela procurou atendimento veterinário imediatamente. A gata passou pela retirada da cadeia mamária afetada e por quimioterapia. Mais tarde, o câncer apareceu na outra cadeia mamária e Bessie precisou enfrentar uma nova cirurgia e outro tratamento.

“O medo de perdê-la foi imenso, mas sabíamos que encarar a mesa de cirurgia novamente era o único caminho para lutar pela vida dela.”

Em setembro desse ano, Bessie realizou a última sessão de quimioterapia. Segundo Aline, não houve metástase. “A Bessie saiu vencedora! O que fez absolutamente toda a diferença foi a rapidez do diagnóstico.”

A relação da atriz com seus animais já havia sido atravessada pelo câncer antes. Em 2023, Aline voltou ao Brasil para acompanhar o tratamento de Ringo, seu gato de 19 anos, que fazia quimioterapia. Para ela, os animais ocupam lugar de família.

“Antigamente, a sociedade tratava animais apenas como bichos; hoje, eles são membros legítimos da família. Por isso, os cuidados, os tratamentos de ponta e o amor dedicado aos familiares humanos e felinos são exatamente os mesmos aqui em casa.”

A herança deixada pela mãe

Perder Ledi também transformou a maneira como Aline cuida da própria saúde. Por causa do histórico familiar, ela afirma realizar mamografia e ultrassonografia das mamas anualmente, além de manter acompanhamento médico regular.

“Perder a minha mãe para o câncer não mudou apenas a minha relação com a saúde, mudou a minha percepção sobre o tempo e o próprio corpo. Aprendi que cuidar de mim não é sobre medo, mas sobre respeito e presença.”

Ao falar sobre mulheres que temem o impacto de uma mastectomia na autoestima e na feminilidade, Aline reconhece que esse receio não deve ser minimizado. Mas deixa um pedido. “Acolham o medo, mas não deixem que ele tome as decisões por vocês. O corpo se adapta, se reconstrói e se ressignifica, mas a vida não pode esperar.”

Para a atriz, manter os exames em dia se tornou também uma maneira de preservar aquilo que recebeu da mãe. “A maior lição que minha mãe me deixou foi a importância de honrar a vida todos os dias. Cuidar de mim, fazer meus exames em dia e manter meu corpo forte e saudável é a forma mais bonita e concreta que encontrei de honrar a memória dela e o meu próprio futuro.”

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