Ex-BBB e tricampeã no fisiculturismo afirma que tecnologia não substitui orientação profissional e indica alternativas seguras para quem não pode pagar um personal trainer
Divulgação
A inteligência artificial já entrou na rotina de quem quer viajar, estudar, trabalhar e até se exercitar. Em poucos segundos, é possível pedir uma ficha de treino, buscar a execução de um movimento ou receber sugestões sobre alimentação. A facilidade, porém, pode criar uma falsa sensação de segurança. Para Aline Dahlen, ex-BBB e tricampeã no fisiculturismo, seguir orientações genéricas sem avaliação profissional pode colocar a saúde em risco.
Com mais de 20 anos de treino, Aline entrou para o fisiculturismo em 2021, foi campeã em Dubai, conquistou um título europeu e, em 2023, levou o ouro em Las Vegas, na categoria Wellness. Antes disso, competiu por 15 anos na ginástica rítmica. Nas preparações para os campeonatos, chegou a passar mais de três horas por dia na academia. A experiência reforçou para ela que nenhum recurso tecnológico consegue avaliar limitações, histórico de lesões, condicionamento e execução dos movimentos como um profissional qualificado.
“A IA é perfeita para buscar informação e ter um norte, mas o toque humano é insubstituível. O ideal é usar a ferramenta para conhecer e depois validar tudo com os profissionais da área.”
Informação não é prescrição
Aline não trata a tecnologia como vilã, mas faz uma distinção entre pesquisar um assunto e transformar uma resposta automática em prescrição. Uma ficha de treino precisa considerar objetivos, experiência, mobilidade e condições individuais. Sem essa análise, até um exercício comum pode ser inadequado ou executado de forma errada.
O mesmo cuidado vale para alimentação. Sugestões de dieta, quantidades e substituições não devem ser adotadas automaticamente, já que necessidades nutricionais variam de uma pessoa para outra e exigem acompanhamento de um profissional habilitado. “O importante é não achar que porque a inteligência artificial respondeu com muita segurança aquilo necessariamente está certo.”
Para quem não pode pagar um personal trainer exclusivo, a recomendação é recorrer aos professores disponíveis na própria academia. Quem treina em casa pode buscar materiais gratuitos produzidos por profissionais de Educação Física, verificando a formação de quem ensina antes de reproduzir qualquer movimento.
“Tem profissional qualificado na academia e muita informação boa disponível. Não tenha vergonha de perguntar para o professor se aquele exercício que você viu em algum lugar faz sentido para o seu corpo. Pesquise, tire dúvidas e lembre-se: é o básico bem feito que traz resultados de verdade.”
Para quem não frequenta a academia e recorre a IA para treinar em casa, por exemplo, Dahlen sugere: “O advento da tecnologia tem outras vantagens. Hoje, profissionais incríveis e altamente qualificados publicam treinos gratuitos no youtube ou outras redes, além de plataformas de treinos com o preço mais acessível. O mais importante é buscar profissionais da saúde verdade.”
Influência não substitui formação
Aline também chama atenção para os exercícios e métodos que viralizam nas redes sociais. Segundo ela, muitas pessoas reproduzem movimentos apenas porque foram publicados por influenciadores ou apresentados como uma novidade, sem considerar se existe fundamento ou se aquela prática é adequada para seu corpo.
“Hoje em dia com rede social, virou quase um circo. Quem faz a coisa mais esdrúxula, ou mais diferente, mais estranha, afirmando: ‘Ah, isso aqui dá resultado’. Acaba viralizando e todo mundo quer copiar.”
Para a atleta, acompanhar uma indicação de moda ou beleza é diferente de seguir uma orientação relacionada à saúde. “Influenciadores podem compartilhar experiências pessoais, mas isso não significa que estejam habilitados a prescrever exercícios ou dietas para pessoas com corpos e históricos diferentes”, afirma.
A IA pode reproduzir o mesmo problema ao reunir conteúdos disponíveis na internet sem conhecer quem está do outro lado da tela. Por isso, Aline defende que a tecnologia seja usada para pesquisar e formular perguntas, não para substituir profissionais.
Treino para ficar com corpo de famosa?
Outro risco aparece quando a inteligência artificial é usada para criar treinos com a promessa de reproduzir o corpo de alguma celebridade. Aline lembra que nenhum algoritmo consegue eliminar diferenças de genética, estrutura corporal, rotina e estilo de vida.
Além disso, imagens publicadas nas redes sociais podem envolver procedimentos estéticos, edição e condições que não são alcançadas apenas com exercícios e alimentação. Por isso, ela defende que cada mulher tenha o próprio corpo como referência.
“O melhor é sempre correr atrás da sua melhor versão e não querer se parecer com alguém famoso que tem a vida e a rotina completamente diferente. Você tem que se olhar no espelho e dizer: ‘Olha, a base está boa, agora eu vou melhorar’. Esse é o segredo.”
Depois de anos dedicados ao fisiculturismo, Aline acredita que a busca constante por exercícios diferentes acaba desviando a atenção do que realmente traz resultado.
“Eu digo e repito: é o básico que funciona, não tem que inventar moda. São meia dúzia, uma dúzia de exercícios que funcionam e fim.”
Para ela, a popularização da inteligência artificial pode facilitar o acesso ao conhecimento, mas não deve desvalorizar quem estudou para orientar a prática de atividade física. A tecnologia pode ajudar a pesquisar e tirar dúvidas. A decisão sobre o que é seguro para cada corpo deve continuar nas mãos de profissionais.
Saiba mais sobre Aline Dahlen





