A prótese dos sonhos pode virar estria? O que avaliar antes de escolher o tamanho do silicone

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Cirurgião plástico explica por que o risco de estrias após a mamoplastia não está apenas na prótese, mas na elasticidade da pele, predisposição genética e escolha do volume ideal

Colocar silicone costuma ser uma decisão cercada por expectativas: mais volume, colo mais marcado, proporção corporal, autoestima. Mas existe um detalhe que muitas pacientes só descobrem depois da consulta, ou, pior, depois da cirurgia, a pele também precisa “aceitar” aquela prótese.

Isso porque, em alguns casos, o aumento rápido do volume das mamas pode favorecer o surgimento de estrias, especialmente quando a paciente já tem predisposição genética, pele fina, histórico de estrias na adolescência ou desejo por implantes maiores do que o tecido consegue acomodar com segurança.

A pergunta que muitas mulheres fazem é direta: silicone dá estria? Segundo o cirurgião plástico Dr. Luiz Anizio Wanna, a resposta exige cuidado. “Não é a prótese, sozinha, que causa a estria. O que pode causar é a distensão rápida da pele. Quando o implante escolhido exige mais elasticidade do que aquela pele consegue oferecer, as fibras podem se romper e a estria aparece”, explica.

Estria é uma cicatriz da pele

As estrias surgem quando há uma ruptura das fibras de colágeno e elastina, estruturas responsáveis pela sustentação e elasticidade cutânea. A American Academy of Dermatology explica que elas aparecem quando a pele estica ou encolhe rapidamente, levando ao rompimento dessas fibras e à formação de uma cicatriz interna.

A Cleveland Clinic também descreve as estrias como cicatrizes associadas a mudanças rápidas de volume corporal, comuns em situações como gravidez, ganho ou perda de peso e aumento de massa muscular.

Na mamoplastia de aumento, a lógica é semelhante, ao inserir uma prótese, a pele da mama precisa se adaptar a um novo volume. Quando essa adaptação acontece dentro do limite do tecido, o risco tende a ser menor. Mas quando o implante é grande demais para aquela estrutura, a pele pode sofrer.

“Existe uma diferença enorme entre o tamanho que a paciente deseja e o tamanho que o corpo dela consegue sustentar com naturalidade. A cirurgia bem planejada nasce desse equilíbrio”, afirma o Dr. Wanna.

O tamanho da prótese importa, mas não é o único fator

É comum associar o risco de estrias apenas a próteses muito grandes. De fato, volumes exagerados aumentam a tensão sobre a pele, principalmente em mulheres com pouca mama, pouca cobertura de tecido ou pele mais fina. Mas o tamanho não é o único ponto.

A predisposição individual tem um papel importante. Pacientes que já tiveram estrias no quadril, nas coxas, nos glúteos ou nas mamas durante a puberdade podem apresentar maior tendência a desenvolver novas marcas quando há uma nova distensão da pele.

“Uma paciente com histórico importante de estrias precisa ser avaliada com ainda mais critério. Não significa que ela não possa colocar silicone, mas significa que talvez ela não deva escolher um volume agressivo”, explica o cirurgião. Também entram nessa conta fatores como qualidade da pele, idade, variações hormonais, gestação futura, oscilação de peso e até o formato da mama antes da cirurgia.

A escolha do implante deve respeitar a pele, não apenas o desejo de volume

A mamoplastia de aumento é descrita pela American Society of Plastic Surgeons como uma cirurgia capaz de aumentar o tamanho das mamas, restaurar volume perdido após emagrecimento ou gestação e melhorar assimetrias naturais. Mas, na prática, esse planejamento não deve considerar apenas o resultado desejado no espelho.

Para o Dr. Luiz Wanna, um erro comum é tratar a escolha da prótese como uma decisão puramente estética, baseada apenas em fotos de referência. “A paciente chega querendo o resultado de outra pessoa, mas cada pele tem uma capacidade diferente de expansão. O papel do cirurgião é explicar onde termina o desejo e onde começa o limite anatômico”, diz.

Esse limite é o que ajuda a evitar não apenas estrias, mas também outros problemas, como queda precoce das mamas, bordas aparentes da prótese, aspecto artificial e necessidade de revisão cirúrgica no futuro.

Estrias antigas podem melhorar com silicone?

Outra dúvida frequente é se a prótese pode “esticar” estrias antigas e deixá-las menos aparentes. Em alguns casos, quando há flacidez e a pele fica mais tensionada após o implante, algumas marcas podem parecer mais discretas. Mas isso não significa que desapareceram.

Estrias são cicatrizes. Elas podem clarear, afinar e ficar menos evidentes com o tempo, mas não somem completamente sozinhas. Tratamentos como laser, microagulhamento e retinoides podem ajudar a melhorar o aspecto em alguns casos, de acordo com a Cleveland Clinic, mas os resultados variam conforme o tipo de estria, cor, profundidade e tempo de evolução.

O silicone não deve ser indicado para tratar estrias. Se a paciente já tem marcas, precisa-se conversar sobre a expectativa real. Pode haver melhora visual em alguns casos, mas não é uma promessa.

Dá para prevenir completamente?

Não existe garantia absoluta de prevenção. Mesmo com boa técnica, bom pós-operatório e escolha adequada do implante, algumas pacientes podem desenvolver estrias por predisposição da própria pele. Mas é possível reduzir riscos com planejamento.

Isso inclui escolher um volume proporcional, evitar aumentos exagerados, avaliar cuidadosamente a elasticidade da pele, manter o peso estável, hidratar a região e seguir corretamente as orientações médicas no pós-operatório.

A nova estética da mama: mais naturalidade, menos exagero

A discussão sobre estrias também acompanha uma mudança maior na cirurgia plástica, muitas mulheres estão deixando de buscar próteses enormes e passando a valorizar proporção, conforto e naturalidade.

Essa mudança é positiva, segundo o Dr. Wanna, porque permite resultados mais elegantes e com menor sobrecarga sobre a pele. “Hoje, a paciente não quer apenas uma mama grande. Ela quer uma mama bonita, proporcional, com movimento natural e que envelheça bem. Isso exige escolher a prótese com inteligência, não por impulso”, explica.

No fim, a questão não é ter medo do silicone, mas entender que a cirurgia começa muito antes do centro cirúrgico. Começa na avaliação da pele, na conversa honesta sobre limites e na escolha de um volume que respeite o corpo.

Como resume o Dr. Luiz Anizio Wanna: “Antes de perguntar ‘qual prótese eu quero?’, a paciente deveria perguntar: ‘qual prótese minha pele consegue sustentar com segurança?’ Essa resposta muda completamente o resultado.”

Dr. Luiz Anizio Wanna – CRM 74.219

Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, sócio fundador do Instituto Wanna, formado na Faculdade de Medicina de Vassouras (RJ). Possui Curso de Emergência Cirúrgica e de Médico Perito Examinador de Trânsito. Atuação em hospitais como: Stella Maris de Guarulhos (SP), Instituto de Pesquisa Médico Científica de São Bernardo do Campo (SP), Hospital Regional Dr. Vivaldo Martins Simões – Osasco (SP) e outros, além de participar de cursos e simpósios nacionais e internacionais.

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