Invenção usa IA para auxiliar no diagnóstico precoce de doenças neurodegenerativas a partir do aperto da mão em uma manopla
Wilson Galvão – Ascom – Agir/UFRN
Fotos: Cícero Oliveira – Agecom/UFRN
Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) promete tornar mais preciso e acessível o diagnóstico precoce e o acompanhamento de doenças neurodegenerativas, como a Doença de Parkinson. Ela reúne, em um único equipamento, sensores biomédicos e algoritmos de Inteligência Artificial (IA) para avaliar, de forma integrada, as alterações motoras dos pacientes. A invenção recebeu o nome de “Dispositivo e método para detecção e monitoramento de doenças neurodegenerativas baseado em análise de parâmetros fisiológicos e bioelétricos”, cujo depósito de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) ocorreu no mês de junho.
O dispositivo consiste em uma manopla ergonômica, lembrando, em seu formato, o cabo de um dinamômetro — aquele aparelho usado para medir a força da mão. Ela é equipada com sensores capazes de medir, simultaneamente, a força exercida por cada dedo, a força total da mão, a presença de tremores e a atividade elétrica dos músculos do antebraço por meio da eletromiografia de superfície (EMG). Todas essas informações são processadas por um software e enviadas para um sistema externo que utiliza Inteligência Artificial e Redes Neurais para identificar padrões associados a doenças neurodegenerativas.

Integração de diferentes variáveis
A principal inovação da tecnologia está justamente na integração dessas diferentes variáveis em uma única avaliação. Enquanto equipamentos tradicionais analisam apenas um ou dois parâmetros, a nova manopla correlaciona dados musculares, biomecânicos e de movimento em tempo real, permitindo uma análise quantitativa mais completa do estado motor do paciente. Enquanto o paciente o aperta, o equipamento registra simultaneamente a força exercida por cada dedo, a força total da mão, os tremores e a atividade elétrica dos músculos do antebraço (EMG); ou seja, não é uma “luva”. O sistema também foi concebido para fornecer respostas rápidas e não invasivas, reduzindo a necessidade de equipamentos laboratoriais complexos.
Segundo o inventor José Carlos Gomes da Silva, a proposta vai além do diagnóstico da Doença de Parkinson. “Embora tenha sido desenvolvida pensando inicialmente na Doença de Parkinson, a tecnologia pode ser aplicada também a outras doenças neurodegenerativas. Sua facilidade de manuseio e de interpretação dos resultados amplia bastante as possibilidades de utilização clínica”, afirma.
Além da versatilidade, outro diferencial é a possibilidade de ampliar o acesso a avaliações especializadas. Por apresentar menor custo em comparação com equipamentos laboratoriais convencionais e oferecer processamento automatizado dos dados, o dispositivo pode ser utilizado em centros clínicos, hospitais, instituições de longa permanência para idosos e, futuramente, até em programas de acompanhamento domiciliar.
José Carlos destaca que a rapidez na obtenção dos resultados representa outro avanço importante. “Nosso objetivo foi desenvolver uma tecnologia de baixo custo, com precisão clínica e resultados praticamente imediatos, sem exigir um grande volume de informações para realizar a análise”, explica.

Aperfeiçoamento da ferramenta
A tecnologia já possui um protótipo funcional e encontra-se na fase de validação de aplicação, etapa em que o equipamento é testado em condições próximas ao uso clínico. Paralelamente, o grupo mantém parcerias com clínicas de diferentes especialidades, o que deve acelerar tanto o aperfeiçoamento da ferramenta quanto a sua futura inserção na prática assistencial.
O desenvolvimento da invenção reúne pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, evidenciando o caráter multidisciplinar da pesquisa. José Carlos foi o idealizador do projeto e responsável pela elaboração documental da patente; Paulo Moreira Silva Dantas atuou como orientador; e Luiz Eduardo Cunha Leite liderou o desenvolvimento do protótipo, incluindo hardware e programação. O pedido de patente também conta com a participação do pesquisador Diego Rodrigo Cabral Silva.
Vinculada ao Programa de Pós-graduação em Educação Física (PPgEF) da UFRN, a pesquisa demonstra como a integração entre saúde, engenharia, computação e inteligência artificial pode resultar em soluções inovadoras para desafios médicos. “Quando diferentes áreas trabalham em parceria, conseguimos desenvolver soluções mais consistentes e em menos tempo. Essa integração é fundamental para transformar pesquisa em tecnologia com potencial de impacto social”, conclui José Carlos.
Além de contribuir para diagnósticos mais precoces, a expectativa dos pesquisadores é que a manopla possa auxiliar médicos no monitoramento da evolução das doenças e na avaliação da eficácia dos tratamentos ao longo do tempo, oferecendo dados objetivos para apoiar decisões clínicas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. LEIA NO PORTAL UFRN





