Evento acontece às 19h com Fabrício Marques, Ricardo Aleixo, Maria Nazareth Soares Fonseca e Sônia Queiroz, sob mediação de Rogério Faria Tavares. O evento é aberto ao público e gratuito
Poucos poetas conseguiram transformar a experiência negra brasileira em palavra com tanta força, beleza e lucidez quanto Adão Ventura (1939–2004). No dia 11 de novembro, às 19h, a Academia Mineira de Letras realiza debate de lançamento de “A cor da pele: poesia reunida de Adão Ventura” (Círculo de Poemas – Fósforo), que reunirá Fabrício Marques, organizador da edição, Ricardo Aleixo (cadeira 31), Maria Nazareth Soares Fonseca e Sônia Queiroz, com mediação de Rogério Faria Tavares (cadeira 08). A noite contará também com sessão de autógrafos. A entrada é gratuita.
Reunindo toda a produção poética de Ventura, o livro é uma celebração da potência de uma voz que emergiu das Minas Gerais profundas para ecoar no mundo. Nascido em Santo Antônio do Itambé, bisneto de pessoas escravizadas, Adão Ventura construiu uma obra que atravessa gerações — um testemunho lírico e político da vida negra no Brasil. Sua poesia nasce do chão do Vale do Jequitinhonha, mas se projeta universalmente ao tocar temas como a ancestralidade, a liberdade e a dignidade humana.
Organizado por Fabrício Marques, “A cor da pele: poesia reunida de Adão Ventura” apresenta o percurso completo de Ventura, do experimentalismo dos primeiros livros às composições que marcaram sua maturidade literária. O volume reúne poemas de obras fundamentais como Jequitinhonha: poemas do Vale (1980), texturaafro (1992) e Litanias de cão (2002), além de 37 poemas inéditos em livro, num resgate histórico e literário aguardado há anos. A edição traz ainda um posfácio do organizador e uma rara resenha de Silviano Santiago, escrita à época do lançamento original de A cor da pele.
Para Fabrício Marques, reunir a poesia de Ventura é um gesto de justiça literária e histórica: “Adão é um dos grandes poetas do século XX, e sua obra nos ensina que a experiência da negritude é também experiência de linguagem — uma forma de reescrever o Brasil a partir de outras vozes e geografias.” A trajetória de Adão Ventura combina erudição e militância. Graduado em Direito pela UFMG, foi professor, ensaísta, presidente da Fundação Cultural Palmares e participante ativo do movimento pela valorização da cultura afro-brasileira. Sua poesia, traduzida para diversas línguas e premiada no Brasil e no exterior, une rigor formal e pulsão vital, ora em tom de denúncia, ora em delicada celebração.
“A cor da pele: poesia reunida de Adão Ventura” é mais que um livro — é um reencontro com uma das vozes mais luminosas e necessárias da literatura brasileira. Um poeta que fez da palavra um ato de resistência, e da poesia, uma forma de libertação. O evento acontece no âmbito do “Plano Anual Academia Mineira de Letras – AML (PRONAC 248139)”, previsto na Lei Federal de Incentivo à Cultura, e tem o patrocínio do Instituto Unimed-BH – por meio do incentivo fiscal de mais de cinco mil e setecentos médicos cooperados e colaboradores.

SOBRE ADÃO VENTURA
Adão Ventura – filho de Sebastiana Ventura de Souza e José Ferreira dos Reis, neto, do lado paterno, de Teodoro Ferreira dos Reis e Justina Maria de Jesus; do lado materno, neto de José Mariano de Souza e Raimunda Paulina de Souza – nasceu em 5 de julho de 1939, em Santo Antônio do Itambé. Graduado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais, publicou seus primeiros poemas na Revista Literária da UFMG. No ano de 1970 publicou seu primeiro livro Abrir-se um abutre ou mesmo depois de deduzir dele o azul, prosa poética sofisticada e, infelizmente, pouco estudada. Em 1972 recebeu o Prêmio Cidade de Belo Horizonte com o original As musculaturas do Arco do Triunfo, prosa poética publicada em 1975. Nessa década, o poeta participou do Congresso Internacional de Escritores, nos Estados Unidos, onde lecionou Literatura Brasileira Contemporânea na Universidade de Iowa. No ano de 1980, Adão lançou dois livros: Jequitinhonha: poemas do Vale e A cor da pele. Em 1985, editou seu único livro infantil Pó-de-mico, macaco de circo, livro que aguarda uma bonita reedição, aliás, como toda sua obra. Em 1988, integrou, juntamente com outros importantes personalidades, o Conselho Consultivo do programa nacional Centenário da Abolição da Escravatura, e, no início da década de 1990, presidiu a Fundação Cultural Palmares, tendo sido o segundo presidente dessa instituição. Em 1992, publicou seu quinto livro de poemas, texturaafro. Em 2002, lança seu último livro em vida, o volume de poemas Litanias de cão. O poeta recebeu, por sua obra, importantes prêmios e honrarias, participou de antologias nacionais e internacionais, tendo poemas traduzidos para o inglês, espanhol, alemão e húngaro. Faleceu em 12 de junho de 2004.
SOBRE OS PARTICIPANTES
Fabrício Marques é jornalista formado pela UFJF e doutor em literatura comparada pela Faculdade de Letras da UFMG, foi editor do “Suplemento Literário de Minas Gerais”. Co-organizou, com Silvana Guimarães, a poesia reunida de Maria do Carmo Ferreira (Martelo, 2024),premiado como livro do ano pela Academia Mineira de Letras. É autor do livro de poemas “A fera incompletude”, do livro-reportagem “Uma cidade se inventa” e da biografia “Wander Piroli: uma manada de búfalos dentro do peito”, todos finalistas do Prêmio Jabuti.
Maria Nazareth Soares Fonseca é Professora Emérita da FALE/UFMG – Doutora em Literatura Comparada pela UFMG, estágio na Université de La Sorbonne Nouvelle, Paris. Professora Aposentada da UFMG. Professora Adjunta do Programa de Pós-graduação em Letras da PUC-Minas (1995-2018), pesquisadora CNPq e coordenadora do literÁfricas/UFMG. Autora de diversos livros, entre eles Literaturas africanas de língua portuguesa: percursos da memória e outros trânsitos (2008), Literaturas africanas de língua portuguesa: mobilidades e trânsitos diaspóricos (2015). Co-organizadora da coletânea Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica. Volume 4. (2011).
Ricardo Aleixo é poeta, escritor, artista visual, performador e pesquisador das poéticas intermídia, é doutor em Letras pela UFMG. Tem 23 livros publicados. Já se apresentou em quase todos os estados brasileiros e em 10 países. Foi pesquisador visitante da NYU/New York University entre setembro de 2024 e junho do ano em curso. É professor visitante da UFBA/Universidade Federal da Bahia. Mantém, no bairro Campo Alegre, região norte de Belo Horizonte, o LIRA/Laboratório Interartes Ricardo Aleixo, seu espaço de criação, pesquisa e guarda de acervos sobre a vertente experimental da arte brasileira e as culturas da Afro-Diáspora. Ocupa a cadeira de nº 31 da Academia Mineira de Letras.
Rogério Faria Tavares é jornalista, mestre em Direito Internacional, doutor em literatura e presidente emérito da Academia Mineira de Letras, onde ocupa a cadeira de número 8. Em 2024, tornou-se Comendador da Ordem do Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Tem nove livros publicados. O mais recente é “Os elefantes viriam pela manhã – treze contos à procura de Dalton Trevisan” (Autêntica, 144 páginas).
Sônia Queiroz é professora aposentada da UFMG. Foi coordenadora do Centro de Memória da Faculdade de Letras e dirigiu, entre outros, a Editora da UFMG. É membra do Centro de Estudos Africanos (UFMG) e do Africanias (UFRJ). Poeta e ensaísta, é autora de diversos livros, entre eles “Palavra banto em Minas” (Editora UFMG, 2019). Também organizou, junto com Graciela Maglia, o e-book “Poesia afrocolombiana” (edição bilíngue, Editora UFMG / Editorial Javeriana, 2024).
INSTITUTO UNIMED-BH
O Instituto Unimed-BH completou 22 anos em 2025 e conta com o apoio de mais de 5,7 mil médicos cooperados e colaboradores da Unimed-BH. A associação sem fins lucrativos foi criada em 2003 e, desde então, desenvolve projetos socioculturais e socioambientais visando à formação da cidadania, estimulando o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas, fomentando a economia criativa, valorizando espaços públicos e o meio ambiente, através de projetos patrocinados em cinco linhas de atuação: Comunidade, Voluntariado, Meio Ambiente, Adoção de Espaços Públicos e Cultura, que estão alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030. Acesse www.institutounimedbh.com.br e saiba mais.
SERVIÇO
Debate de lançamento de “A cor da pele: poesia reunida de Adão Ventura”
com Fabrício Marques, organizador da edição, Ricardo Aleixo (cadeira 31), Maria Nazareth Soares Fonseca e Sônia Queiroz, com mediação de Rogério Faria Tavares (cadeira 08)
Data: 11/11, terça, às 19h
Local: Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia 1466 – Lourdes)
Entrada gratuita.






