A banalização dos procedimentos estéticos

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Foto gerada por IA: Gemini

A crescente popularização dos procedimentos estéticos, impulsionada principalmente pelas redes sociais, tem gerado preocupação entre especialistas. O cirurgião plástico Dr. Alexandre Kataoka faz um alerta sobre a forma como técnicas, resultados e até decisões médicas vêm sendo apresentados ao público.

Segundo o médico, um dos principais problemas atuais é a disseminação de modismos dentro da cirurgia plástica, como no caso do chamado deep plane, técnica de lifting facial que passou a ser amplamente divulgada como solução universal. “Criou-se a ideia de que é a melhor técnica para todos os pacientes, o que não é verdade. Existe indicação, mas não é para todo mundo”, explica.

De acordo com Kataoka, a influência digital tem levado pacientes a chegarem aos consultórios já determinados a realizar procedimentos específicos, muitas vezes sem a devida avaliação individual. “As pessoas estão buscando a ‘melhor técnica’ com base no que veem na internet, mas, na medicina, não existe solução única”, afirma.

Outro ponto destacado pelo especialista é o impacto do excesso de procedimentos minimamente invasivos, como preenchimentos, bioestimuladores e fios, na realização de cirurgias futuras. “Esses produtos podem gerar fibrose e alterar a anatomia da face, tornando a cirurgia mais complexa, com maior sangramento e um pós-operatório mais difícil”, explica.

Além das questões técnicas, o médico também critica a forma como a cirurgia plástica vem sendo divulgada nas redes sociais. Para ele, há uma banalização perigosa da prática médica, muitas vezes focada exclusivamente em resultados estéticos ideais. “Só se mostra o lado bonito. Não se fala de complicações, que existem, mesmo que em pequena porcentagem”, alerta.

Kataoka ressalta que a medicina envolve riscos e imprevisibilidades, e que promessas de resultados perfeitos são incompatíveis com a prática ética. “Não é possível garantir resultado para todos os pacientes. O compromisso do médico deve ser com o acompanhamento e a resolução de possíveis complicações”, afirma.

O especialista também chama atenção para o papel da publicidade e da influência digital na escolha de profissionais. Segundo ele, muitos conteúdos publicados nas redes envolvem parcerias e interesses comerciais que nem sempre ficam claros para o público. “Estão vendendo procedimentos estéticos de forma inadequada, o que pode levar a decisões mal informadas”, diz.

Diante desse cenário, o cirurgião reforça a importância de uma avaliação criteriosa e individualizada, além de uma comunicação transparente entre médico e paciente. “A cirurgia plástica deve ser tratada com seriedade. Não é tendência, não é moda, é medicina”, conclui.

Fonte: Dr. Alexandre Kataoka, Cirurgião Plástico. Perito concursado da Secretaria da Justiça de São Paulo – Instituto de Medicina Social e Criminologia do Estado de São Paulo. Membro Efetivo da Câmara Técnica em cirurgia plástica – CFM. Conselheiro Responsável da Câmara Técnica do Cremesp. Coordenador da Comunicação do Cremesp.

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