R$ 280 bilhões para infraestrutura escolar: como evitar que novos investimentos se tornem patrimônio descartável

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São Paulo, setembro de 2026 – O novo Plano Nacional de Educação (PNE) criou o Programa Nacional de Infraestrutura Escolar. Durante a discussão do plano, foram apresentadas estimativas de cerca de R$ 280 bilhões em investimentos, considerando diferentes fontes de financiamento, entre elas receitas futuras do pré-sal. Além de construir e equipar escolas, os municípios precisam planejar a manutenção do mobiliário e avaliar o que pode ser recuperado antes de realizar novas compras. A medida pode ajudar a reduzir desperdícios e evitar gastos recorrentes com a substituição de mesas e carteiras.

Para Laura Camargos, biotecnologista, CEO e cofundadora da Reescola, empresa especializada em recuperação e reindustrialização de mobiliário escolar, o planejamento precisa começar antes da aquisição. “O Brasil precisa construir e equipar escolas, mas também precisa cuidar do que já comprou. Quando uma carteira apresenta um defeito, a primeira pergunta não deveria ser quanto custa uma nova, e sim se é possível recuperá-la com segurança e qualidade”, afirma.

A mudança de perspectiva encontra respaldo na Lei de Licitações nº 14.133/2021, que permite considerar custos de manutenção, reposição e impacto ambiental na avaliação do menor dispêndio para a administração pública, desde que sejam objetivamente mensuráveis. A Estratégia Nacional de Economia Circular também prevê o aumento da vida útil dos materiais e o estímulo às compras públicas de bens e serviços circulares. Para Laura, essas diretrizes ajudam a deslocar o foco do preço de compra para o custo total de utilização de um bem.

Na prática, isso exige conhecer o estado do patrimônio antes de decidir por sua substituição. Mesas e carteiras podem ter componentes recuperáveis, mas cada intervenção precisa passar por avaliação técnica de segurança, durabilidade e viabilidade financeira. “Recuperar não significa aproveitar qualquer peça a qualquer custo. Significa identificar o que ainda tem valor, aplicar processos adequados e comparar o resultado com a compra de um item novo”, explica Laura.

A Reescola já aplica essa lógica em uma operação interna de reindustrialização, atende mais de 300 escolas públicas e privadas e forneceu mobiliário reindustrializado à Prefeitura de Sorocaba, segundo dados da empresa. A experiência reúne etapas de triagem, recuperação e controle de qualidade, além de desafios de transporte e gestão dos materiais. O objetivo é demonstrar que o destino de um móvel escolar pode ser definido por suas condições reais de uso, e não apenas pelo desgaste aparente.

Agora, a empresa desenvolve e negocia com três prefeituras a adaptação desse modelo para Centros de Reindustrialização em estruturas municipais. A proposta combina infraestrutura local com engenharia, capacitação, processos e acompanhamento técnico da Reescola. Os centros municipais ainda não foram implantados, e sua viabilidade dependerá de critérios e resultados específicos em cada município. O projeto aponta para uma possível atuação das GovTechs também na gestão de ativos físicos, além das soluções digitais.

“Os investimentos previstos para a infraestrutura escolar são uma oportunidade de mudar a lógica do setor. Não basta entregar móveis novos: é preciso saber como serão mantidos, quando poderão ser recuperados e em que momento a substituição será necessária. Patrimônio escolar deve ser administrado para durar, não para ser descartado”, conclui Laura.

Sobre a Reescola

A Reescola é uma startup especializada na reindustrialização de mobiliário escolar. A empresa utiliza tecnologia proprietária para transformar móveis usados em produtos padronizados. A empresa já atendeu mais de 300 escolas públicas e privadas, e reindustrializou mais de 3.500 conjuntos escolares. Para mais informações acesse: https://reescola.com.br.

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