Uma denúncia apresentada por um quadro sénior do SME (Serviço de Migração e Estrangeiros), afetado ao Ministério do Interior, afirma que o ministro tem sido alvo de perseguição interna devido a decisões que terão “cortado negócios de muitos comissários”. No seu posicionamento, o responsável diz conhecer, por experiência própria, a realidade factual dos Serviços de Migração e Estrangeiros, sustentando que, ao longo da carreira, também teve oportunidade de exercer funções no próprio Ministério do Interior.
O quadro sénior considera que, por conhecer “por dentro” o funcionamento das instituições, sente-se no dever de afirmar que “muitas” das informações divulgadas sobre o Ministro do Interior não correspondem à verdade dos factos. Segundo defende, é essencial separar a crítica legítima da desinformação, argumentando que decisões tomadas pelo ministro terão contrariando interesses instalados e contribuído para o fim de determinados negócios e práticas que, durante muito tempo, beneficiaram alguns setores.
Apesar de justificar a sua posição, o responsável não aponta o ministro como “infalível”, nem defende que as suas decisões estejam acima do escrutínio. De acordo com o texto, numa República nenhum titular de cargo público deve estar imune ao debate e ao questionamento; ainda assim, o mesmo defende que a discussão pública deve assentar em factos, provas e argumentos, e não em rumores, interesses ou narrativas criadas para atingir pessoas.
O quadro sénior afirma que o objetivo do pronunciamento não é defender indivíduos, mas proteger a verdade e as instituições. Sublinha que mudanças institucionais podem ter custos, sobretudo quando afetam interesses económicos e redes que estariam profundamente instaladas.
Por fim, deixa um apelo à serenidade e responsabilidade: criticar apenas quando existirem razões, denunciar quando houver provas de irregularidades, e evitar transformar suspeitas em verdades ou interesses particulares em supostas “causas nacionais”. Conclui que “a verdade pode ser incómoda”, mas continua a ser a melhor defesa das instituições.Foto:Reprodução





