Cidades que Abraçam Infâncias revela que planejamentos urbanos que têm crianças como parâmetro são melhores para todas as idades

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Ilustração - Erika Teixeira

O livro apresenta experiências bem-sucedidas em 4 cidades, consolida os pontos comuns, destaca o papel das parcerias entre gestão pública e organizações sociais e apresenta recomendações

A obra, publicada pela Editora Dialética, chega às livrarias em junho; há versões em ebook e audiobook

Cidades que Abraçam Infâncias – O que é possível aprender com territórios que incluíram crianças em seus planejamentos urbanos partiu de uma inquietação de sua autora, a jornalista Regina Cintra: como a dinâmica das cidades contemporâneas, que excluem e desrespeitam sistematicamente as necessidades e ritmos dos mais novos, impacta a qualidade de vida de quem está no entorno? 

Bebês e crianças não saem sozinhas pela cidade e a adulta responsável que as acompanha – mulher na enorme maioria das vezes – é igualmente impactada pelos desenhos das ruas, tempos semafóricos (segundos para pedestre atravessar), ausência de um mobiliário urbano confortável (como bancos e coberturas adequadas nos pontos de espera de transporte), falta de traçados que protejam quem está a pé. A opção rodoviarista, traçada décadas atrás, é outro dado que compõe a realidade hostil dos territórios urbanos.

Os primeiros anos de vida são cruciais para um desenvolvimento saudável: é o momento em que o número de conexões neurais tem sua melhor performance, que o cérebro tem enorme plasticidade e que as interações, vivências e aprendizados se somam e formam uma estrutura sólida. Se há trauma ou privação, a arquitetura cerebral fica comprometida. E é nesse início da vida que acontecem as primeiras experiências das crianças com a cidade onde vive – inauguradas muitas vezes em seu próprio bairro. 

Olhando para as cidades, vale o registro de que 87% da população brasileira vive em áreas urbanas. No mundo, esse percentual é de 56%. E é nos chãos dos territórios que a vida acontece – e onde as desigualdades sociais, tão marcantes no Brasil, se consolidam. A infraestrutura da rua de casa, os tempos de deslocamento, a qualidade das calçadas e a ausência de praças próximas transcorrem na vida cotidiana, assim como a inalação de elementos tóxicos da poluição, que penetra e agride mais fortemente os pulmões de quem está em desenvolvimento.

Ilustração _ Capa _ Erika Teixeira

Andando pelas cidades, através do livro

Cidades que Abraçam Infâncias, nascido da pesquisa de mestrado da autora, reúne oito entrevistas, além de ilustrações de Erika Teixeira e 70 fotos. Os entrevistados são profissionais que estão na ponta dessa temática, seja com olhar voltado ao planejamento urbano, sejam carreiras dedicadas às infâncias e suas particularidades. 

Foram entrevistadas as/os gestoras/es públicas Teresa Surita (Boa Vista), Luciana Lima e Murilo Cavalcanti (Recife), Marcelo Peroni (Jundiaí), além de Claudia Vidigal (representante da Fundação Van Leer no Brasil), Rodrigo Mindlin Loeb (arquiteto urbanista, autor de “Cidade, Gênero e Infância”), Vital Didonet (mestre em Educação, assessor para assuntos de políticas públicas para Rede Nacional Primeira Infância) e Santiago Uribe (arquiteto de Medellín, um dos responsáveis pela transformação urbana na cidade colombiana). 

A pesquisadora selecionou quatro cidades e foi a campo: Jundiaí (cidade rica com alto IDH, no interior paulista), Recife (a capital pernambucana com alto índice de famílias vivendo em extrema vulnerabilidade e com uma topografia desafiadora), Boa Vista (considerada “a capital da primeira infância”) e Medellín (um caso de sucesso internacional, promovido ao longo de duas décadas, diferentes governos e com enorme impacto positivo que se tornou perene).

Cidades que Abraçam Infâncias, em formato livro, nasceu com um objetivo claro: sem linguagem técnica, nem jargão incompreensível para quem é leigo no universo de cidades, planejamento urbano ou pedagogia e literatura focada em desenvolvimento infantil, foi escrito para ser compreendido. A ideia de Regina Cintra em pesquisar e difundir experiências bem-sucedidas sempre foi o norte.

 A conclusão é de que é possível fazer diferente, criar espaços mais calmos e acolhedores. Há experiências interessantes espalhadas pelo Brasil, a baixo e médio custo, com realização possível em um curto espaço de tempo.

“Não é suficiente oferecer serviços se o chegar é tão exaustivo à parte da população. A gestão tem que atuar para remover obstáculos, facilitar o dia a dia, proporcionar efetivamente o acesso. A integração dos equipamentos e proximidade entre eles pode ser um fator decisivo para o exercício de certos direitos”

SOBRE A AUTORA:

Regina Cintra é jornalista, mestre em Políticas Públicas e especialista em Infância e Educação. Atualmente trabalha como consultora na área de mobilidade e colabora para publicações segmentadas. Parte importante de sua trajetória esteve ligada ao jornalismo cultural, com forte atuação no meio audiovisual. Tem passagens pelo 3º setor e comunicação de governo.

SERVIÇO:

Cidades que Abraçam Infâncias – O que é possível aprender com territórios que incluíram crianças em seus planejamentos urbanos

Autora: Regina Cintra

Ilustrações: Erika Teixeira

Editora: Dialética / 2026

Número de páginas: 220

Vendas online: https://loja.editoradialetica.com/humanidades/cidades-que-abracam-infancias-o-que-e-possivel-aprender-com-territorios-que-incluiram-criancas-em-seus-planejamentos-urbanos 

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