Para educadora financeira Malu Lira, fenômeno das figurinhas revela como redes sociais, pertencimento e impulso de compra já impactam crianças e adolescentes
A febre do álbum da Copa do Mundo voltou a dominar escolas, bancas e redes sociais. Crianças disputam figurinhas nos corredores, acompanham lançamentos de pacotes e criam estratégias para completar a coleção o mais rápido possível. O que parece apenas uma tradição típica de ano de Mundial, porém, também representa um dos primeiros contatos práticos das crianças com educação financeira, consumo e comportamento.
Para Malu Lira, escritora amazonense de 16 anos, referência em educação financeira infantojuvenil, conhecida também como Malu Finanças, o universo das figurinhas funciona como uma experiência real de negociação, planejamento e tomada de decisão. “É uma experiência onde elas aprendem sobre escolha, troca, planejamento, impulso e até frustração sem perceber que estão aprendendo”, afirma.
Segundo Malu, a dinâmica criada em torno do álbum permite que pais introduzam conversas importantes sobre dinheiro de forma leve e acessível. Decidir quantos pacotes comprar, lidar com figurinhas repetidas e negociar trocas ajuda a desenvolver noções de valor, limite e prioridade desde cedo. “O álbum mostra que educação financeira não precisa começar com termos difíceis. Ela pode nascer em experiências simples da infância, que fazem parte da realidade da criança”, explica.
O debate ganha ainda mais relevância em um cenário em que redes sociais aceleram desejos de consumo e aumentam a pressão por pertencimento entre crianças e adolescentes. Vídeos de abertura de pacotes, coleções completas e desafios relacionados ao álbum viralizam no TikTok e transformam as figurinhas em símbolo social.
“Hoje existe uma ansiedade maior para completar rápido e acompanhar os amigos. Isso abre espaço para conversar não só sobre dinheiro, mas também sobre consumo emocional e comparação”, acrescenta Malu Finanças.


Além da movimentação cultural, o álbum também chama atenção pelo custo. Famílias chegam a gastar centenas e, em alguns casos, milhares de reais para completar a coleção, especialmente quando a busca pelas figurinhas raras entra na disputa.
Para Malu, o momento pode ser usado como oportunidade educativa dentro de casa e nas escolas, mostrando que educação financeira está diretamente ligada ao desenvolvimento emocional desde a infância. “Antes de aprender a investir, a criança precisa entender valor, espera e responsabilidade. E, muitas vezes, uma figurinha ensina isso melhor do que uma aula tradicional”, conclui.
Com apenas 16 anos, Malu Lira já soma mais de 20 livros publicados e 400 mil exemplares vendidos, além de projetos de educação financeira presentes em mais de 200 escolas brasileiras. Estre os títulos estão livros direcionados para crianças a partir de 2 anos de idade, como “O que tinha dentro da Latinha” e “Isto é dinheiro, isto é riqueza”. Entre os mais vendidos se destacam os livros “Finanças para Crianças: além da mesada” e “Investimento para jovens: além da poupança”.






